Pitombeira do Elefante Revista Kuruma'tá, 3 de fevereiro de 20263 de fevereiro de 2026 Por Toinho Castro (No Rio de Janeiro, com saudades de Olinda) É tanta Pitombeira pelo mundo que só me lembro do Elefante! Com a camiseta absolutamente viral da troça/bloco olindense, promovida a estrela pelo sucesso planetário de O agente secreto, parece que nasceu um pé de pitomba no quintal do coração de cada brasileiro. E isso é lindo. Isso é bom. Fez-me recordar, também, da Festa da Pitomba; na verdade, uma celebração a Nossa Senhora dos Prazeres, no município vizinho e guerreiro de Jaboatão dos Guararapes. Virou Festa da Pitomba porque se realiza justamente na época a fruta que, como a camiseta da pitombeira, enche as ruas das cidades da região. Lembro de estar na Imbiribeira, ligação entre o bairro de Afogados e Jaboatão, e ver os ônibus com destino ao vizinho ostentando letreiros anunciando a Festa da Pitomba. Fui quando criança. Cresci e me interessei por outras coisa. Mas o letreiro Festa da Pitomba estampado no vidro do ônibus, trago até hoje comigo. Mas o tema dessa… o que, crônica? Sim, é o Elefante. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Elefante de Olinda (@elefantedeolinda) Fundado num apropriado fevereiro de 1952, o Clube Carnavalesco Misto Elefante de Olinda é um gigante no Carnaval de Olinda; há que se falar de há rivalidade amigável, gostosa, com a Pitombeira. Porque no carnaval de Olinda tudo é amizade e encontro e festa. Inclusive, o encontro, nas ruas de Recife ou Olinda, dessas duas forças do carnaval pernambucano é tipo um momento sempre memorável e define a dimensão dessa festa profundamente brasileira, essa festa de irmãos e irmãs. Então com as camisetas amarelas da Pitombeira, solares, como lâmpadas acesas pela cidade, venho falar do Elefante e seu brilho vermelho e branco, e seu hino, que é uma das coisas mais bonitas já feitas. De autoria de Clídio Nigro e Clóvis Vieira, o hino do Elefante é uma joia incrustrada nesse anel de ouro que é Olinda. Praticamente um hino dssa cidade antiga, de 490 anos; mãe e irmã do Recife. Com seus versos “Olinda, quero cantar a ti essa canção”, ela faz a multidão espremida, comprimida nas ruas da cidade alta, explodir como uma super nova de alegria e devoção, às ladeiras, ao casario e ao povo. O hino do Elefante de Olinda é, em si, uma instituição. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Folha de Pernambuco (@folhape) Conta a história: Como quase todas as agremiações do Carnaval de Pernambuco, o Elefante nasceu de uma brincadeira de amigos. No dia 12 de fevereiro de 1952 Alrivelto Lopes, Caio Gomes, Élcio Siqueira, Walter Damasceno, Claudio Nigro, Expedito e Marcone Felizola saíram da Rua do Bonfim em direção aos Quatro Cantos. Além de alegria carregavam um biscuit (uma espécie de massa de modelar) de um elefante. A brincadeira pegou tão forte que no ano seguinte a recém-nascida troça já desfilava com um estandarte. Os uniformes eram emprestados pelo Bonfim Atlético Clube, que não mais existia, mas terminou por batizar com suas cores o futuro gigante. Em 1968 a troça virou clube e eternizou-se de vez no Carnaval de Olinda com seu hino, uma das músicas mais ouvidas e cantadas a plenos pulmões nos carnavais da vida. Fonte: Prefeitura de Olinda Imagino que não sejam poucas as versões para essa história. O fato, é que ela segue até hoje, vibrante e poderosa, com o Elefante iluminando as ruas por onde passa, encontrando com a Pitombeira, e arrastando uma multidão que se acumula, ao longo dos anos, num retrato diverso e gratificante do país. Se hoje a Pitombeira ganha esse merecido destaque, graças ao filme de Kleber Mendonça, certamente se eleva junto com ela todo o carnaval de Olinda e sua tradição, o Elefante, seus blocos e troças e seus nomes inesquecíveis, e os quadros de Bajado e Zé Som, e a figura do Lorde de Olinda, o coco de Dona Aurinha, Joana Batista e seu Vassourinhas, as pedras do calçamento das ladeira e tantos outros signos e símbolos dessa identidade, dessa entidade que é nosso carnaval. Ah, que saudade que dá de chegar nos Quatro Cantos com hino do Elefante tocando em toda parte. Ao som dos clarins de MomoO povo aclama com todo ardorO Elefante exaltando as suas tradiçõesE também seu esplendorOlinda, este meu cantoFoi inspirado em teu louvorEntre confetes e serpentinasVenho te oferecerCom alegria o meu amor Olinda! Quero cantar a ti esta cançãoTeus coqueirais, o teu sol, o teu marFaz vibrar meu coração, de amor a sonharEm Olinda sem igualSalve o teu Carnaval! Cinema Crônica Música CarnavalElefante de OlindaOlindaPernambucoRecife
Crônica muito gostosa de ler e gentilmente delicada, adorável. Os Olindenses agradecem. Viva o Elefante de Olinda Responder
Nasci em fevereiro,Recife já pegava fogo com blocos passando na rua da maternidade,cheguei chegando,uma caldeira da maternidade explodiu,a maternidade as escuras,nasci a noite com o frevo “me segura se não eu caio”que mamãe entre a vida e a morte ouvia de longe,escapou graças a promessa feita a Nossa Senhora das Graças,não caiu,se segurou a vida e eu também,quando teve alta ficamos presas por 40 minutos no elevador,o frevo não deu trégua,com tudo isso dona Lenira segue amando o Carnaval de Pernambuco e eu com minhas festas de aniversário carnavalescas também Responder
Corrigindo o frevo Era assim Garota você é uma formosura Foi proibida pela censura Saia de perto de mim Olhar pra você eu não posso Me segura que eu vou ter um troço Me segura que eu vou ter um troço Responder