Recomendação: “A verdade é um corpo sem alma, de Aluísio Martins, e A remissão do pai pródigo, de Eduardo Lana Revista Kuruma'tá, 18 de maio de 202618 de maio de 2026 Recomendar livros é um ato corajoso, porque, afinal, a leitura é um ato tão íntimo (ou não?), tão pessoal. Passa pelo viés da descoberta. Você lê um um livro e esse livro leva a outro livro e outro e outro. Mas no meio do caminho tem uma pedra, a recomendação. Uma amizade, uma revista, uma crítica, o acaso de alguém lendo um livro no trem, no metrô e que te deixa curioso, por causa do título, por causa da pessoa que tá lendo. E aí surge um desvio de rota, que pode levar a outros tantos livros. Hoje a Kuruma’tá vai ser pedra, recomendando dois livros que nos foram muito bem recomendados. A VERDADE É UM CORPO SEM ALMA, de Aluísio Martins, publicado pela nossa irmã de tudo, a Editora Toma Aí um Poema. É um livro de poesia que trabalha no limite entre o corpo, linguagem e mundo, com uma seleção dos poemas que atravessam o cotidiano e as relações, em particular as românticas e sexuais, construindo um estilo que pode misturar diversas influências de outros gêneros literários. Escrevo a partir do choque entre o que sinto e o que estrutura o mundo. Meu poema é colagem: mistura de registros, corpos, linguagens e tensões. Trabalho com excesso e corte, buscando o ponto onde tudo quase desmorona. A palavra, para mim, é ferramenta – não enfeite. O que me interessa é esse estado instável onde o sentido ainda está em disputa.” Confira um trecho da obra: ali, entre os dutose a mecânica das dobradiças modernas,uma criança viva pisa o aço frio do mundo,o receio aos homens estava com ela,sua lucidez sem armas, respira a solidão de um porta-retrato,uma taça de vinho antes do cheiro da rolha,um domingo respirando lento A REMISSÃO DO PAI PRÓDIGO, de Eduardo Lana, lançado pela editora Nauta, é um romance sobre uma família italiana de imigrantes no sul do Brasil, ambientada no século 19. O leitor acompanhará a narrativa de Angelo, desde a infância, na região do Vêneto, até o período de sua velhice, no Brasil – uma vida marcada por sacrifícios, sofrimento, união e uma fé inabalável em dias melhores. Conforme menciona o autor sobre o processo de escrita: Se trata de um livro que mistura fatos reais e ficcionais, os primeiros cedidos por documentos escritos, fotografias e relatos orais transmitidos de geração em geração, e os segundos foram criação minha, ações que imaginei desempenhadas pelos personagens, em acordo ou desacordo com os padrões morais e familiares das épocas em que a trama transcorre. Confira um trecho do romance: Depois fomos embora. Uma garoa fina cobria nossos palas e chapéus, enquanto nossos cavalos seguiam cautelosos pela estrada enlameada, não sem antes eu olhar (ou ser chamado a olhar) para onde fizemos a fogueira naquele verão de 1894, e onde me sentei ao lado do pai. Que essas dicas de leitura sejam a fonte de mais leituras. Que esses livros possam lhes abrir portas e janelas, e mesmo quintais! Leiam, experimentem, divirtam-se e se, pra vocês, a leitura for tudo que pode ser… recomendem, sejam a pedra no caminho de alguém. A