Pela Fresta da Porta as Luzes da Festa, de Paulo Thomaz Revista Kuruma'tá, 6 de agosto de 20266 de agosto de 2026 Quem canta também conta um conto! Paulo Thomaz, cantor e compositor, e escritor, lança o livro, Pela Fresta da Porta as Luzes da Festa, um título de livro que já é, pode-se dizer, um verso! E é de versos que se fizeram essas páginas . Também se fizeram da perda afetiva, do fim de um relacionamento que, mesmo, mesmo acabado, tornou-se poesia. Porque o que quer que seja tem tudo pra virar poesia, basta que um poeta apareça. E Paulo Thomaz apareceu e segurou sua dor para juntá-la com seus versos e criar o lenitivo dessa passagem, essa travessia que é o luto amoroso. Em certo sentido, o processo de composição do livro foi longo. Os primeiros poemas têm cerca de dez anos. Imagino que tenham surgido primeiro como poemas, antes de pretenderem ser livro. Mas livro é uma construção que se dá em silêncio, pelo menos quando se trata de poesia. Um dia, aqueles poemas escritos ao longo dos anos, sobretudo quando versam sobre um tema comum, uma linha delicada de sentimentos, pedem, exigem, que sejam reunidos num volume. E assim temos essa beleza poética. Que sua dor nos seja beleza, é a prova da força necessária e transformadora da poesia. Agora, antes mesmo que você corra na livraria mais próxima, mais urgente, vamos navegar minimamente pelas três partes que compõem o livro, No escuro, Pela fresta da porta e As luzes da festa: Contrariado, abro a porta pro passadoAinda recebo suas visitasCom a mesa posta, com a casa limpa Ofereço café e paciênciaQuero ouvir suas históriasMesmo que me custe o descanso Então, ele se farta de minhas ofertasE faz baderna até partirDeixando o tumulto de suas lições O amor tem vontade própriaOra quer cantar no ouvidoOra quer ser óperaOu, simplesmente, algum ruídoNa sinfonia das memórias Pode entrar sem baterJá cansei de esperarNão repara na bagunçaÉ fácil arrumar Pode entrar pra ficarGuarda suas tralhasSuas roupas, suas falhasE o que mais der pra enfurnar Ilustração de da artista Taiany Cappozzi, para o livro O verso é a cura do poeta e também do leitor. Atravessar o caminho de Paulo Thomaz, sua poesia, nos alenta a perseverar na relevância do poético nos dias vazios do mundo de hoje, onde pessoas vêm e vão, entrame saem das nossas vidas. Pessoas, às vezes, que nos doem e também nos esperançam a viver e criar. Jornalista e produtor fonográfico por formação, Paulo Thomaz construiu trajetória na música independente carioca como integrante do coletivo Nós de Cabrália, conhecido na cena da cidade nos anos 2010. Publicou ainda os livros Trevo de sorte tem que ter 4 folhas (independente, 2017) e No auge do juízo (Ibis Libris, 2022). A