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Kuruma'tá | contra o desencanto

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Kuruma'tá | contra o desencanto

Categoria: A

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Tem alguém aí?

Revista Kuruma'tá, 18 de fevereiro de 202029 de julho de 2020

No quarto que compartilhávamos, no fim do corredor, de porta trancada, estávamos esquecidos pelos adulto, distraídos pela bebida e pela conversa. Improvisamos com um abajur uma meia-luz penumbrosa que parecia ter efeito sobre a natureza dos sons, silenciando todo alarido que vinha de fora do quarto. Como havia muitas camas e pouco chão disponível, tratamos de afastá-las na direção das paredes, abrindo espaço para dispor os itens essenciais àquela aventura de crianças desocupadas. Verdadeiras oficinas do Cão ambulantes. [Texto de Toinho Castro]

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Pequeno Dicionário de Arquétipos de Massa: O Imperador da Galáxia

Revista Kuruma'tá, 17 de fevereiro de 202029 de julho de 2020

E o pai do Imperador. Um homem isolado, que se perde em um tempo em que tudo era melhor. O Imperador concorda plenamente com seu pai, para ele o melhor ser humano que já existiu. Um homem bom, digno, incapaz de fazer qualquer maldade. E que destruíram sem dó nem piedade, e só consegue encontrar na bebida e em discos antigos o lenitivo para seu sofrimento. [Fábio Fernandes]

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Elegeram Daniel rei | Parte II

Revista Kuruma'tá, 13 de fevereiro de 202029 de julho de 2020

Ao seu lado, o inspetor penteando compulsivamente para trás os cabelos; à sua frente, mas de costas, a professora de artes engolindo um copo de água com açúcar. A sala da direção era um cômodo pelado: uma mesa com papéis da diretora (cujo expediente começava depois do almoço), duas cadeiras onde alunos encrencados sentavam-se ao lado de mães envergonhadas ou, raramente, de pais desnorteados, um sofá de canto e nada mais. O cheiro das bitucas de Palace provindas dos dois maços diários da diretora era a única decoração por ali. [Texto de Diego Franco Gonçales]

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Uma lua cheia para banhar a sua rua inteira

Revista Kuruma'tá, 11 de fevereiro de 202011 de fevereiro de 2020

Andar com a cabeça para baixo, cabisbaixo, nunca mais. Há muito tempo as pessoas decidiram que era melhor olhar para cima, para as estrelas, a fim de entender seus propósitos, seus meios, seus fins aqui embaixo. Era tão óbvio: deveria ter sido sempre assim com cada um de nós, do nascimento ao óbito. Era uma nova chance para a nossa espécie, um novo paradigma para qualquer espécime terrestre. Nem CPF, nem RG, nem certidão. A posição dos astros do rebento se sobrepunham a qualquer outro tipo de argumento. [Texto de Eduardo Frota]

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Manifesto pela literatura

Revista Kuruma'tá, 10 de fevereiro de 202029 de julho de 2020

Queiram todos admitir ou não, vivemos tempos bastante sombrios não apenas naquele Estado, mas em todo o Brasil. Estamos acompanhando inertes os atos de tortura à nossa democracia, onde a imprensa é imprensada, onde se permite desmatar florestas, onde se quer armar cidadãos de bem, onde se desrespeita o direito indígena, tão crucial para que se mantenha a base de nossa identidade. Isso sem mencionar cortes em medicamentos para a população doente, sucateamento de seculares instituições de ensino, de desmerecimento das artes e vampirização de seus operários. [Texto de Eduardo Maciel]

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O sertão de Pombal, terra das terras

Revista Kuruma'tá, 6 de fevereiro de 202029 de julho de 2020

Pelo rio, embora assoreado e habitado pelas gigogas e outras plantas, assenta-se o verde em suas margens, banha-se a verde vida nos meninos imberbes nele mergulhando. O céu é profundamente azul, pelo dia, e profusamente estrelado, durante a noite. Nos intervalos do dia, na aurora, e da noite, no entardecer, o sangue do sol pintará seus desesperos. [Texto de Aderaldo Luciano]

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Elegeram Daniel rei | Parte I

Revista Kuruma'tá, 5 de fevereiro de 202029 de julho de 2020

O inspetor chegou a esboçar uma contenção, mas o menino já tinha se virado sobre a lateral e espalmado a mão no chão para se levantar. Mas uma fratura de Colles no rádio direito, como mais tarde anunciaria para a diretora da escola o ortopedista do pronto-socorro, o impediu: numa manifestação exuberante da elasticidade da pele humana, o peso do corpo fez a mão de Vítor se desencaixar, indo parar na metade do braço. [Texto de Diego Franco Gonçales]

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Do que eu esperava encontrar…

Revista Kuruma'tá, 2 de fevereiro de 202029 de julho de 2020

Teve aquela hora ontem, no show OK OK OK, do Gilberto Gil, em que todo mundo saiu do palco e ficou só ele, aquele senhor lindo de 77 anos, cabeça branca, com seu violão. E o que ele cantou ali, sozinho… sozinho não, corrijo-me agora mesmo, carregado da tradição da música brasileira, dos quintais, das mangueiras, da gente da calçada, da conversa fiada dos vizinhos, das badaladas das seis horas, hora do Angelus, da troca da guarda. [Texto de Toinho Castro]

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O carro do ferro-velho

Revista Kuruma'tá, 30 de janeiro de 202031 de janeiro de 2020

Somente o homem do ferro-velho, o dono do carro do ferro-velho, junto com seus asseclas, poderá nos falar do futuro dessas traquitanas. Para saber do que essas estranha pessoas seriam capazes, para entender o que elas estariam tramando por trás dessa óbvia fachada de coletores de velharias ferruginosas, eu e o Zé José seguimos a kombi surrada no seu trajeto monótono pelo bairro e através de outros bairros, num percurso cada vez mais circular e labiríntico… achávamos mesmo que não conseguiríamos voltar. [Texto de Toinho Castro]

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Aos que resistem [Poemas do livro Ovos de ferro]

Revista Kuruma'tá, 29 de janeiro de 202011 de março de 2021

É uma alegria publicar na Kuruma’tá a poesia de Maria Cristina Martins. Somos amigos há muito tempo e por conta dos desvios e desvãos da tal da vida, ou das vidas, tantas vidas, paralelas, cruzadas, entrecortadas, que vivemos, acabei por perder de vista o lançamento do seu livro Ovos de ferro, no cada vez mais distante ano da graça de 2016. Sem dramas! Eis aqui a poesia de Maria Cristina, poesia que resiste com voz ativa, poesia que dá vontade de ler em voz alta e cabeça erguida, da janela do quarto para o mundo. [Poemas de Maria Cristina Martins]

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A Kuruma'tá é uma publicação da Místico Solimões
e da Rede Afetiva de Culturas

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