A Manifesto pela literatura Revista Kuruma'tá, 10 de fevereiro de 202029 de julho de 2020 Queiram todos admitir ou não, vivemos tempos bastante sombrios não apenas naquele Estado, mas em todo o Brasil. Estamos acompanhando inertes os atos de tortura à nossa democracia, onde a imprensa é imprensada, onde se permite desmatar florestas, onde se quer armar cidadãos de bem, onde se desrespeita o direito indígena, tão crucial para que se mantenha a base de nossa identidade. Isso sem mencionar cortes em medicamentos para a população doente, sucateamento de seculares instituições de ensino, de desmerecimento das artes e vampirização de seus operários. [Texto de Eduardo Maciel] Continue a leitura...
A O sertão de Pombal, terra das terras Revista Kuruma'tá, 6 de fevereiro de 202029 de julho de 2020 Pelo rio, embora assoreado e habitado pelas gigogas e outras plantas, assenta-se o verde em suas margens, banha-se a verde vida nos meninos imberbes nele mergulhando. O céu é profundamente azul, pelo dia, e profusamente estrelado, durante a noite. Nos intervalos do dia, na aurora, e da noite, no entardecer, o sangue do sol pintará seus desesperos. [Texto de Aderaldo Luciano] Continue a leitura...
A Elegeram Daniel rei | Parte I Revista Kuruma'tá, 5 de fevereiro de 202029 de julho de 2020 O inspetor chegou a esboçar uma contenção, mas o menino já tinha se virado sobre a lateral e espalmado a mão no chão para se levantar. Mas uma fratura de Colles no rádio direito, como mais tarde anunciaria para a diretora da escola o ortopedista do pronto-socorro, o impediu: numa manifestação exuberante da elasticidade da pele humana, o peso do corpo fez a mão de Vítor se desencaixar, indo parar na metade do braço. [Texto de Diego Franco Gonçales] Continue a leitura...
A Do que eu esperava encontrar… Revista Kuruma'tá, 2 de fevereiro de 202029 de julho de 2020 Teve aquela hora ontem, no show OK OK OK, do Gilberto Gil, em que todo mundo saiu do palco e ficou só ele, aquele senhor lindo de 77 anos, cabeça branca, com seu violão. E o que ele cantou ali, sozinho… sozinho não, corrijo-me agora mesmo, carregado da tradição da música brasileira, dos quintais, das mangueiras, da gente da calçada, da conversa fiada dos vizinhos, das badaladas das seis horas, hora do Angelus, da troca da guarda. [Texto de Toinho Castro] Continue a leitura...
A O carro do ferro-velho Revista Kuruma'tá, 30 de janeiro de 202031 de janeiro de 2020 Somente o homem do ferro-velho, o dono do carro do ferro-velho, junto com seus asseclas, poderá nos falar do futuro dessas traquitanas. Para saber do que essas estranha pessoas seriam capazes, para entender o que elas estariam tramando por trás dessa óbvia fachada de coletores de velharias ferruginosas, eu e o Zé José seguimos a kombi surrada no seu trajeto monótono pelo bairro e através de outros bairros, num percurso cada vez mais circular e labiríntico… achávamos mesmo que não conseguiríamos voltar. [Texto de Toinho Castro] Continue a leitura...
A Aos que resistem [Poemas do livro Ovos de ferro] Revista Kuruma'tá, 29 de janeiro de 202011 de março de 2021 É uma alegria publicar na Kuruma’tá a poesia de Maria Cristina Martins. Somos amigos há muito tempo e por conta dos desvios e desvãos da tal da vida, ou das vidas, tantas vidas, paralelas, cruzadas, entrecortadas, que vivemos, acabei por perder de vista o lançamento do seu livro Ovos de ferro, no cada vez mais distante ano da graça de 2016. Sem dramas! Eis aqui a poesia de Maria Cristina, poesia que resiste com voz ativa, poesia que dá vontade de ler em voz alta e cabeça erguida, da janela do quarto para o mundo. [Poemas de Maria Cristina Martins] Continue a leitura...
A Kuruma’tei-me Revista Kuruma'tá, 27 de janeiro de 202029 de julho de 2020 Dito isso, vou contar para vocês um pouco da minha jornada até aqui. Tudo começou quando recebi de minha mãe um livro de poemas escrito pela minha bisa Auta, poetisa fluminense que fez parte da Academia de Letras de Barra Mansa. Infelizmente não a conheci em vida, mas ao terminar de ler o seu único livro, senti como se ali se abrisse o mundo da produção literária para mim, ao mesmo tempo em que se fechava a porta do que chamo de prisão poética: uma vez que se faz a conexão de uma mente, um coração e a poesia, nos tornamos servos de nosso próprio ofício. [Texto de eduardo Maciel] Continue a leitura...
A Aqueles que foram vistos dançando Revista Kuruma'tá, 25 de janeiro de 202026 de janeiro de 2020 Naquela noite, demorou os três acordes da última música para que os dois fixassem os olhares de uma maneira que, sabiam, seria única. Fagulhas, centelhas, as agruras das velhas canções de amor. Estavam no mesmo lugar, na mesma hora, no mesmo compasso. No entanto, malogravam em cruzar os passos. Seguiam diagramas mentais, nas quais marcas de sapato indicavam direções. [Texto de Eduardo Frota] Continue a leitura...
A Loucura e magia no Sertão do Cariri com Júnior Cordeiro Revista Kuruma'tá, 23 de janeiro de 202023 de janeiro de 2020 Uma vez eu sentei no batente lá de casa, de noite. Olhei para o céu e senti uma vontade de morrer, só para saber como é do outro lado da porta da Vida. Nesse tempo, muito jovem ainda, imaginava que a vida era um sonho e cada um sonhava a sua. Logo, a Vida seria uma biblioteca de sonhos, um apanhado onírico, uma sinfonia de onde, a qualquer momento, seríamos resgatados. E esse resgate deveria ser, naquele tempo, para mim, a Morte, o despertar. [Texto de Aderaldo Luciano} Continue a leitura...
A Pertinho Revista Kuruma'tá, 22 de janeiro de 202011 de março de 2021 O som dos pássaros na ponta da varanda. Uma cama que eu tenho saudade. Música bonita pra dormir. Luz lilás para dormir. Ou azul. Eu me sirvo de água – enquanto ainda tem para comprar – e me deito. Eu me deito como se o meu lençol fosse o teu. Como se o meu travesseiro fosse, pra você, o meu colo. Imito gestos seus – sem querer – para te ter em mim. [Texto de Caru] Continue a leitura...