A poesia de Patrícia Meireles Revista Kuruma'tá, 6 de junho de 20226 de junho de 2022 Patrícia Meireles em cena do videoclip de Se eu partir amanhã Relembrar Relembrar é a única coisaque faz sentido, agora.sinto que estou perdido nas lembranças de um passado bem vivido.Não vejo futuro, escrever é o que me mantém vivo.Quero alcançar o céu e ser um anjo destemidoe voar, sem medoque alguém me mate o sonhode ser longe, livre e puro.Menino de ouro, que matou os genes e os valores snobesque alguém lhe incutiu.Gostava de dar amor,a quem ódio ofereceu.Relembro triste que, ser eu, desiludiu, quem idealizava uma menteque nunca existiu.Mas relembro o que vivi,e nunca fui senão um ser,que é pela essência que se guiaem qualquer coisa que faz.Sou triste por não te abraçar, Mas feliz por ser eu. Não vás ainda Pouso o olhar, apesar do meu rostocansado, sobre a tua pele que conheço tão bem, e tu a mim.Hoje, eu quis dizer- te o que sintoapesar da dor na alma, ser uma constante agonia, perdoa-me..Sei lá, por ser talvez um ser que nasceu para criar, e estar no meu mundo sozinho.Como as folhas das árvores que vão e vêm,sinto o tempo a correr-me desesperadamente entre os dedos,a dor ainda cresce mais em mim.Tenho tanto para te dizer, mas não seicomo fazer, perdoa-me..Não vás ainda..sem a tua presença, perco a esperança e não consigo remar.Não vás, por mais que eu queira estar no mundo metafísico, eu pensarei em ti mesmo não estando contigofisicamente, a minha almaAcredita, nasceu para te amar.Por isso, sei lá, ainda é cedo para partir. Partida Abandono o silêncio, e rumo à descobertade um ser que cobre o mundoe um cais de areia em sangue,um aborto profundo…De um ser que quis sere ansiava tudo aquiloque algum dia alguém possuiu:Ser o detentor da sua alma, perdida,nunca se encontrou.Então decidiu partir.Não chores, aflita, com o meu desencontro.Nunca fui mais que um mero serque sentiu demais por nascer,numa sociedade inquieta.Recorda-me apenas, não chores, sei lá!!!Talvez amanhã, o teu anjo, te torne a abraçar. Não há algo Não há algo,mais terrível do que a pele.A pele é vunerável ao tempo,arde no peito.há na pele o toque que a alma precisa, para sentir que o tempoé finito, e não um tornadoa fazer estrago no corpo,e a degrada-lo, bruscamentecom a passagem do tempo.O toque sensorial mais belo,botão que acende o coração. não há pele que substitua outra,nem toque mais beloque tocar na pele e sentiro cheiro da alma, como uma flora desabrochar em pleno inverno;Mãe, eu tremo de friosinto o sangue a esvair-me pelo corpoTodo .Se eu correr para os teus braços vais conseguir ver o que eu sinto agora? https://youtu.be/kzobpjxsahM Patrícia Meireles, uma escritora em ascenção, ribeirapenense escreve apenas poesia e prosa mas recentemente quis aliar a música, escrita , das suas grandes paixões num clip, poesia declamada em dueto com a colaboração do ator Paulo Magalhães e convidou um rapper internacional Jorge MK nocivo para a edição/ masterizaçāo do mesmo bem como o instrumental. Participou em Antologias de Poesia( Edita, 2020), ” liberdade” (chiado books) e Inventário dos poetas portugueses- Antologia do País da Poesia- vol 1 ( Maio 2021). Lançou duas obras ” Des(ordem), o trocadilho sentido ” e ” C carta que nunca escrevi”( 2021) ambas na editora Poesiafaclube. Continua a escrever para os jornais brigantinos, revistas e sonha continuar a partilhar o que escreve pelo mundo fora. Tem uma “alma inquieta” e é uma observadora estupefacta do mundo e é isso que a carateriza melhor. A