Rayana de Carvalho nasceu em Santa Rita, Paraíba, em 1993. É poeta,
escritora e educadora popular do campo. Formou-se mestra em educação pela
Universidade Federal da Paraíba, em 2018, e atua como professora da
educação infantil.

Amor fúnebre
A este amor fúnebre,
revelo,
não há como competir.
Aos mortos, dedica-se tudo que há no mundo.
Os enlutados reservam o que há de melhor à mesa:
os rituais,
as saudades,
o amor,
a prece mais bela.
A morte é o parâmetro do caráter.
É onde habita a benevolência.
Contraditoriamente,
revela-nos um lugar de celebração à vida.
Amam-se os mortos,
mas não há ninguém que queira estar no lugar deles.
Sonhos
Na calada da noite
encontro-me
em pálpebras
entorpecidas
na escuridão
o inconsciente me liberta
deste espaço-tempo
não há passado
presente
ou futuro
tudo acontece ao mesmo tempo
imagens oníricas produzem uma dança
de descoberta a qual me
reinvento
imersa nessas narrativas
vejo-me além
tudo me é epifânico
encontro-me em estado mítico
no silêncio da noite
são traçados os meus destinos
o inconsciente sabe cousas
impossíveis de prever.
Onírico ou metafísico?
É noite
adormeço
ou melhor
desencarno
vejo um sonho
não, não
vejo um plano
neste lugar imaterial
ocorre o tão esperado encontro
quis dizer
reencontro
tu e eu
separados por uma realidade
extrafísica
espaço-tempo em que
vida e morte se encontram
percebo
não é um sonho
é uma reunião entre espíritos
eu e tu
lucidamente
és sorriso
és real
como da última vez
onde tudo é possível
vida e morte se encontram
para o acerto de contas.
Rayana de Carvalho acredita na potência da literatura, o que a levou a cofundar,
em 2021, o projeto @mulheresquecorremcomlivros, ao lado de Ellaila Andrius e
Rayssa de Carvalho – um clube de leitura voltado à formação literária e à
divulgação da literatura escrita por mulheres, clássicas e contemporâneas.
Em 2024, participou de sua primeira antologia literária, sendo uma das
vencedoras do Concurso Literário Luiza Tereza, com poema selecionado para
o livro intitulado “Um rio na ponta da língua”, publicado com incentivo da Lei
Paulo Gustavo – Governo do Estado da Paraíba em parceria com a Secretaria
de Cultura. No mesmo ano, teve textos publicados em diversas revistas, como
a Acrobata e Ruído Manifesto, além de estrear na narrativa ficcional com um
conto na Revista Sucuru.
Em 2025, ampliará o seu projeto de formação literária, levando-o às escolas da
rede municipal onde atua, por meio de projeto financiado pela Lei Aldir Blanc.

Seus poemas Rayana, traduzem sentimentos difíceis de uma maneira suave com o sentir que é um ecoar da alma. E as palavras soam em som de música atraente aos olhos e flutuamos no que as palavras nos dizem.