A Todo o mel tem sal, não duvide: coisas do brejo paraibano Revista Kuruma'tá, 9 de janeiro de 202013 de janeiro de 2020 As noites foram sempre agitadas nos engenhos, o serão, as conversas de assombração, as visagens, os malassombros, todo o fio da “puxa” estava recheado dessas reinações. A noite foi mais forte e o breu mais agudo. Nascemos, nós do brejo, rodeados pela história dos engenhos, ladeados por engenhos fazendo história, acompanhados pela triste história de homens cujos suores adoçaram o fel de nossas vidas. [Texto de Aderaldo Luciano] Continue a leitura...
A Baú do Braulio: “Grande Sertão: Veredas” em cordel Revista Kuruma'tá, 8 de janeiro de 20201 de agosto de 2020 O romance Grande Sertão: Veredas (1956), de Guimarães Rosa, já teve adaptações para o cinema (pelos irmãos Santos Pereira), para a televisão (por Walter Avancini), para o teatro (por Bia Lessa) e certamente teve muitas outras – estou citando apenas as primeiras que me vêm à memória. E tem cordelização do Grande Sertão, por Edmilson Santini. [Texto de Braulio Tavares] Continue a leitura...
A Esaú e Jacó: o outro, o leitor Revista Kuruma'tá, 7 de janeiro de 20208 de janeiro de 2020 É no Catete onde mora Aires – o ex-ministro aposentado que oferece almoços (repletos de salmão e ofícios), para os gêmeos Pedro e Paulo e a bela Flora. É também no Catete onde termina o Conselheiro ‘apalpando a botoeira, onde viçava a mesma flor eterna.’ [Texto de Nonato Gurgel] Continue a leitura...
A Agora ele flutuava no espaço Revista Kuruma'tá, 6 de janeiro de 20201 de janeiro de 2020 Entrou no mar com os dois pulmões cheios de ar, o direito e o esquerdo, um tanto sôfrego, à procura do amor. A primeira onda farfalhou pelo corpo e afagou a alma. A segunda o atingiu violentamente no rosto, como uma bofetada. A terceira o cobriu por inteiro, da cabeça aos pés, afogou a alma. Não havia mais horizonte. [Texto de Eduardo Fronta] Continue a leitura...
A 100 anos de Isaac Asimov Revista Kuruma'tá, 2 de janeiro de 202014 de maio de 2020 Escrevo o nome desse livro solenemente, porque e me introduziu a um universo tão vasto e tão rico que até hoje me surpreende e encanta. Acompanhei de olhos brilhando as aventuras de Lucky Starr em Mercúrio, nosso pequeno vizinho às margens do Sol. Aquele livro era como se fosse, ao contrário o que se poderia imaginar, o pico de uma montanha sólida, ou melhor, o pico visível de um iceberg. Após esse livro empreendi minha descida às profundezas, guiado pelo coração enorme que Asimov havia se tornado em mim. [Texto de Toinho Castro] Continue a leitura...
A Em nome do Pife, do Som e do Espírito Santo Revista Kuruma'tá, 2 de janeiro de 202024 de janeiro de 2020 Em março de 2013, a Academia Brasileira de Letras recebia a exposição de xilogravuras de Ciro Fernandes. Manancial artístico inigualável. Ciro, em atuação constante, alcançou um patamar superior na xilogravura brasileira. Telas complexas e tão detalhadas que chegam a confundir o olhar do expectador. Ciro não fere a madeira, oferece a ela a oportunidade de tirar a roupa e se revelar sedutora. Ciro risca a pele da madeira sem tatuá-la, com a delicadeza do gênio abre-lhe coração. Ciro é zeloso: acaricia a madeira como Jacó acariciou a pele branda de Rachel. [Texto de Aderaldo Luciano] Continue a leitura...
A Experiência Copacabana #1 Revista Kuruma'tá, 1 de janeiro de 20201 de agosto de 2020 Hoje acordei cedo para ver se a prefeitura limpou essa porcaria dessa Copacabana direito. E até que tava descente. Tendo em vista o hecatombe de humanos que vieram assistir os fogos. Ainda tinha bastante gente dormindo bebadas pelas ruas. Eu tenho um pouco de inveja de quem consegue beber assim. Beber até cair. Não tenho essa manha. Por falar nisso. Sabe quando você tá num bar as oito da manhã virado no rolet, tomando a décima quinta saideira e daí passa alguém com fone de ouvido indo correr. Hoje era eu esse cara! Eu alterno, eu alterno. [Texto de Francisco Paschoal] Continue a leitura...
A Ano que vem será diferente Revista Kuruma'tá, 31 de dezembro de 201911 de março de 2021 O moço que passou da direita para esquerda – atrás de mim – passa agora da esquerda para a direita e tira a segunda foto. Outras cores. Outras sensações. Influenciada, eu também tiro outra. Vício do compartilhar mais uma vez. Eu quero e não quero voltar pra casa. Talvez eu deite aqui na balaustrada mesmo. Talvez eu entre pela porta da sala. Talvez eu entre com fones de ouvidos desligados. Mas isso só eu vou saber. Eu só queria silêncio. Comportamentos quase que obrigatórios. [Texto de CARU] Continue a leitura...
A 50 discos de 2019 para estarem na ponta da agulha Revista Kuruma'tá, 30 de dezembro de 201930 de dezembro de 2019 Preparei uma lista com 50 discos de 2019 para estarem na ponta da agulha. Como todas as listas, esta certamente comete injustiças, já que se limita a um determinado número, no caso, apenas 50. Pensando nesse ano, ela poderia ter 150 ou até mais títulos, o que não faltou foi disco bom sendo lançado… seria possível elaborar listas por estados, por cor da capa, por tema ou por qualquer outro parâmetro… enfim, pensei naqueles que mais me chamaram a atenção e que servem como um entre os vários recortes possíveis do que está acontecendo hoje na música brasileira. [Texto de Jorge LZ / Porgrama na Ponta da Agulha] Continue a leitura...
A 40 anos de A Peleja do Diabo com o Dono do Céu Revista Kuruma'tá, 26 de dezembro de 201930 de dezembro de 2019 Em 2019 completaram-se 40 anos de A Peleja Do Diabo Com O Dono Do Céu, o disco de Zé Ramalho responsável por mudar os caminhos de muita gente. Embora o sucesso viesse total em 1980, foi em 1979 quando tudo foi construído. Dentro do caldeirão musical desse disco, encontraremos elementos nordestinos cuja ancestralidade fala fundo dentro de nós. É um disco tangente ao Tropicalismo, fugitivo ao Rock, arredio ao Regionalismo e ao psicodelismo, mas ao mesmo tempo dialogante com todos eles. [Texto de Aderaldo Luciano] Continue a leitura...