A Seu Castro Revista Kuruma'tá, 5 de abril de 20205 de abril de 2020 Ontem, 4 de abril, foi aniversário do meu pai, seu Antonio, ou seu Castro, que se vivo estivesse completaria 86 anos. Ainda estaria a contar suas histórias? Ainda sentiria, sentado na frente do nosso pequeno prédio olhando a rua, o peso enorme das distâncias até Imperatriz, Belém, Tucuruí? Exatamente ali, onde o vi tantas vezes fitar o arruado que e levava até a Imbiribeira e à BR-101, exatamente ali começava o mundo pelo qual rodou por anos, sem saber como voltar. Sem saber para onde voltar. [Texto e poema de Toinho Castro] Continue a leitura...
A Kuruma’tá na Ponta da Agulha: Costuras de Singeleza | Camilla Farias ao vivo, com Fabricio da Rocha Revista Kuruma'tá, 2 de abril de 20203 de abril de 2020 Tempos de quarentena, shows adiados ou cancelados, espaços culturais fechados… o conforto nesses dias em que nos resta o espaço doméstico, a quem tem, certamente, o privilégio desse espaço, todo organizado, com internet, celular computador, o conforto tem sido os artistas, sempre a nos salvar, com seus cantos e instrumentos, talentos e generosidades, embalando nossa rotina de reclusão enquanto o mundo lá fora nos espera. [Texto de Jorge LZ e Toinho Castro] Continue a leitura...
A Guardar é outra coisa Revista Kuruma'tá, 29 de março de 202011 de março de 2021 Agora estamos longe um dos outros. Longe mesmo. Fisicamente. Obrigatoriamente. Reflito novamente. Agora fazemos mais telefonemas. Eu pelo menos. E de vídeo (!!!) Até umas semanas atrás isso era o ápice da “invasão”. Mas eu confesso que sempre liguei. E sem avisar mesmo. Não me perdoem por isso. Bebo um gole d’água. Acendo meu cigarro de palha na varanda. Sentada na minha cadeira de sol, super confortável. Lembro do carinho que o amor me dá. [Texto de CARU] Continue a leitura...
A o que importa Revista Kuruma'tá, 26 de março de 202011 de março de 2021 e quando algo (ou alguém) ameaça aqueles que amamos (e talvez, para muitos, só aí, só atingindo este limite da possibilidade do inominável) descobrimos, boquiabertos, que somos verdadeiramente capazes de compaixão e de empatia. de nos perceber como seres interligados. de compreender o que é viver em comunidade. de entender como nossas escolhas pessoais influenciam toda uma sociedade, todo um ecossistema. [Texto de Laura Limp] Continue a leitura...
A Recife Revista Kuruma'tá, 13 de março de 202013 de março de 2020 Hoje a cidade do Recife faz aniversário. Em dias assim, eu que estou longe, acabo assaltado por lembranças. Elas me chegam embaralhadas, truncadas. Lembranças sempre noturnas. As noites do recife, quando eu a atravessava pra lá e pra cá, com amigos, às vezes sozinho, sacolejando no ônibus, Jordão Baixo ou Encruzilhada / Boa Viagem. Em busca de uma cerveja gelada, de amigos pra conversar. [Texto de Toinho Castro] Continue a leitura...
A Do que eu esperava encontrar… Revista Kuruma'tá, 2 de fevereiro de 202029 de julho de 2020 Teve aquela hora ontem, no show OK OK OK, do Gilberto Gil, em que todo mundo saiu do palco e ficou só ele, aquele senhor lindo de 77 anos, cabeça branca, com seu violão. E o que ele cantou ali, sozinho… sozinho não, corrijo-me agora mesmo, carregado da tradição da música brasileira, dos quintais, das mangueiras, da gente da calçada, da conversa fiada dos vizinhos, das badaladas das seis horas, hora do Angelus, da troca da guarda. [Texto de Toinho Castro] Continue a leitura...
A Kuruma’tei-me Revista Kuruma'tá, 27 de janeiro de 202029 de julho de 2020 Dito isso, vou contar para vocês um pouco da minha jornada até aqui. Tudo começou quando recebi de minha mãe um livro de poemas escrito pela minha bisa Auta, poetisa fluminense que fez parte da Academia de Letras de Barra Mansa. Infelizmente não a conheci em vida, mas ao terminar de ler o seu único livro, senti como se ali se abrisse o mundo da produção literária para mim, ao mesmo tempo em que se fechava a porta do que chamo de prisão poética: uma vez que se faz a conexão de uma mente, um coração e a poesia, nos tornamos servos de nosso próprio ofício. [Texto de eduardo Maciel] Continue a leitura...
A Pertinho Revista Kuruma'tá, 22 de janeiro de 202011 de março de 2021 O som dos pássaros na ponta da varanda. Uma cama que eu tenho saudade. Música bonita pra dormir. Luz lilás para dormir. Ou azul. Eu me sirvo de água – enquanto ainda tem para comprar – e me deito. Eu me deito como se o meu lençol fosse o teu. Como se o meu travesseiro fosse, pra você, o meu colo. Imito gestos seus – sem querer – para te ter em mim. [Texto de Caru] Continue a leitura...
A Escute a voz da Lua Revista Kuruma'tá, 21 de janeiro de 202029 de julho de 2020 Tem esse meu amigo, de quem já falei em outras crônicas que publiquei por aí, o Roberval. De certa feita, fui à casa dele, como de costume, para atualizar nossas vidas sem rumo. Roberval morava ali na fronteira da Imbiribeira com Boa Viagem, fronteira marcada pela linha do trem, que cortava a cidade naquela altura, ligando as distâncias até o centro do Recife. E lá estou de papo furado com Roberval, sentados a esmo na calçada da casa dele, quando sugeri da gente ir ao cinema, ver o filme tal que estava em cartaz. [Texto de Toinho Castro] Continue a leitura...
A Duas badaladas para as duas da madrugada Revista Kuruma'tá, 13 de janeiro de 20201 de agosto de 2020 Os sinos estão tocando. Você escuta também? É uma espécie de hino que inunda o tímpano. Consegue ouvir os timbres? Tateiam livres o ar até entrar no escuro da cabeça, outrora oca. Ouça! Os sinos estão tocando em mim e já me confundo, porque não sei dizer se isso é o começo de algo lindo ou se é de algo ruim, [Texto de Eduardo Frota] Continue a leitura...