Você pode atirar todas essas lâminas em minha direção. Porém, se os seus olhos precisam estar vendados, por favor, deixe-me manter a boca bem aberta – ela pediu, a ajudante do atirador de facas.
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Não me solta se eu voltar pra casa com as mãos sujas de pólvora
Eu me perdi aos quatro anos de idade em meio à multidão na areia, naquela manhã escaldante de sábado, segurando um picolé de chocolate na mão direita. Enquanto ele derretia e percorria dedos, palma e pulso, doce e gelado, algumas lágrimas, salgadas e mornas, desciam as bochechas feito alpinistas desistindo da montanha. [Texto de Eduardo Frota]

Ainda que de olhos fechados você saberá onde eu estarei
Por mais que fechemos os olhos porque o corpo se entrega ao desafio cego da rotina, sabemos que as nossas mãos vão se em pleno voo, no ar, bem acima das cortinas, no vazio dos olhares desconfiados de um respeitável público ávido pelo mútuo fracasso. E daí se ninguém aplaudir? O espetáculo do destino está em despistar o errante mesmo diante de um erro de cálculo. [Texto de Eduardo Frota]

Porque todos os malditos algoritmos levam à mesma descoberta
Mãe, eu descobri algo e agora sinto que preciso contar a você: eu estou triste. Como o dia em que me deixaram na escola, viraram as costas e foram embora. [Texto de Eduardo Frota]

O número mais perigoso do mundo é retorcer um coração
Meu avô era o Homem Mais Forte do Mundo. Quem me contou foi a minha avó, que o conheceu ainda na tenra idade, quando ele fugiu com a cidade deixando pra trás toda a família circense. Dizia ela que os bíceps, tríceps e quadríceps dele já não davam mais conta do exaustivo e intenso intento diário de carregar tudo nas costas. E eram assim, por detrás da coxia, tremendo de frio com os músculos à mostra, que meu avô invocava o choro mais forte do mundo. [Texto de Eduardo Frota]