A Faça uma trilha com as minhas rimas Revista Kuruma'tá, 14 de março de 202014 de março de 2020 É bom ter alternativas, assim como andar é bom, mas nesse caminho pode-se correr de vez em quando. Não para se chegar mais rápido ao destino – até porque, este, sabe-se lá a distância em que se encontra. Basta olhar a bússola, consultar o mapa, fazer as contas. Ou, simplesmente, seguir o ritmo. Correr é bom quando se quer sentir a brisa no rosto, tem a ver com liberdade. [Texto de Eduardo Frota] Continue a leitura...
A Meu coração eu sei por que bate feliz em SP Revista Kuruma'tá, 27 de fevereiro de 202027 de fevereiro de 2020 Ao invés de uma diástole corriqueira, corre por mim um impulso elétrico que provoca um arrepio intenso, daqueles prazerosos de se sentir. É que ele se dá conta de que a distância, aquela física mesmo, acabou de ser encurtada. E este abraço no qual cabe um mundo, terá apenas o comprimento dos meus braços, o que é suficiente para manter você perto, com todos os outros músculos fazendo força para que não acabe. [Texto de Eduardo Frota] Continue a leitura...
A Uma lua cheia para banhar a sua rua inteira Revista Kuruma'tá, 11 de fevereiro de 202011 de fevereiro de 2020 Andar com a cabeça para baixo, cabisbaixo, nunca mais. Há muito tempo as pessoas decidiram que era melhor olhar para cima, para as estrelas, a fim de entender seus propósitos, seus meios, seus fins aqui embaixo. Era tão óbvio: deveria ter sido sempre assim com cada um de nós, do nascimento ao óbito. Era uma nova chance para a nossa espécie, um novo paradigma para qualquer espécime terrestre. Nem CPF, nem RG, nem certidão. A posição dos astros do rebento se sobrepunham a qualquer outro tipo de argumento. [Texto de Eduardo Frota] Continue a leitura...
A Aqueles que foram vistos dançando Revista Kuruma'tá, 25 de janeiro de 202026 de janeiro de 2020 Naquela noite, demorou os três acordes da última música para que os dois fixassem os olhares de uma maneira que, sabiam, seria única. Fagulhas, centelhas, as agruras das velhas canções de amor. Estavam no mesmo lugar, na mesma hora, no mesmo compasso. No entanto, malogravam em cruzar os passos. Seguiam diagramas mentais, nas quais marcas de sapato indicavam direções. [Texto de Eduardo Frota] Continue a leitura...
A Duas badaladas para as duas da madrugada Revista Kuruma'tá, 13 de janeiro de 20201 de agosto de 2020 Os sinos estão tocando. Você escuta também? É uma espécie de hino que inunda o tímpano. Consegue ouvir os timbres? Tateiam livres o ar até entrar no escuro da cabeça, outrora oca. Ouça! Os sinos estão tocando em mim e já me confundo, porque não sei dizer se isso é o começo de algo lindo ou se é de algo ruim, [Texto de Eduardo Frota] Continue a leitura...
A Agora ele flutuava no espaço Revista Kuruma'tá, 6 de janeiro de 20201 de janeiro de 2020 Entrou no mar com os dois pulmões cheios de ar, o direito e o esquerdo, um tanto sôfrego, à procura do amor. A primeira onda farfalhou pelo corpo e afagou a alma. A segunda o atingiu violentamente no rosto, como uma bofetada. A terceira o cobriu por inteiro, da cabeça aos pés, afogou a alma. Não havia mais horizonte. [Texto de Eduardo Fronta] Continue a leitura...
A Objetos transnetunianos podem ser vistos a corações nus Revista Kuruma'tá, 18 de novembro de 201930 de dezembro de 2019 Quando acontecia o momento no qual as órbitas dos dois planetas se encontravam, vencendo a distância, o sistema todo entrava em festa. Ali, as características de cada um não eram mais diferenças, eram apenas arestas, que eram aparadas a cada translação. Tudo fazia sentido e, assim, ocorria naturalmente a lei da atração. Havia tanto movimento que a estrela, lá no meio, brilhava. Cada vez mais forte, feito ouro. Era possível ver no céu de um o brilho do outro. [Texto de Eduardo frota] Continue a leitura...
A Para aquele senhor de branco ali na janela Revista Kuruma'tá, 5 de novembro de 201930 de dezembro de 2019 Um dia, no entanto, outro visitante apareceu. Inesperado, lá estava ele sentado no parapeito. Vestia calça de linho crua, camisa branca com as mangas impecavelmente dobradas e sapatos lustrosamente brancos. Em uma das mãos, segurava um cigarro aceso que parecia nunca ser consumido pelo tempo, nem apagado pelo vento. Ele não dizia nada. Apenas olhava para ela com um semblante sereno, tranquilo, como se estivesse contentado em não receber atenção de ninguém. [Texto de Eduardo Frota] Continue a leitura...
A As origens do Coringa não estão nos quadrinhos Revista Kuruma'tá, 17 de outubro de 201930 de dezembro de 2019 Nunca fui fã das histórias em quadrinho de super-heróis e, por conseguinte, de suas adaptações para a tela grande. Em grande parte, meu descontentamento vem do maniqueísmo de cartilha que impede a construção mais aprofundada do comportamento tanto dos heróis quanto dos vilões. Comumente, o bem e o mal precisam de estereótipos para sustentar a simpatia e a antipatia do leitor – ou espectador – para que as revistas – ou filmes – rendam alguns trocados. [Texto de Eduardo Frota] Continue a leitura...
A Midsommar Revista Kuruma'tá, 9 de outubro de 201930 de dezembro de 2019 O argumento é brilhante, ainda mais se tratando de um diretor estadunidense: estudantes de antropologia viajam até uma vila longínqua na Suécia para participar de um festival em homenagem ao solstício de verão. A namorada de um deles, que não tem na “bagagem” referências como o estruturalismo, as manifestações totêmicas ou o determinismo é a protagonista que encaminha toda a linha narrativa. Psicóloga de formação, viaja abalada por uma tragédia pessoal. Continue a leitura...