Delícia, Delícia [Mariana Volker ao vivo]

Texto de Toinho Castro

Ontem eu e Raquel assistimos ao novo show de Mariana Volker, Delícia, Delícia, no Teatro PRIO. E, gente… que show. Mariana falou que esse espetáculo era o primeiro, uma sementinha, de algo incrível, que tá em movimento, nascendo e se transformando diante da plateia. O que vimos não foi uma sementinha, mas um jardim inteiro, le jardin féerique! Ou, mal parafraseando Jorge Luis Borges, o jardim das canções que se bifurcam. Isso porque Delícia, Delicia aponta tantas direções. Não porque atira para todos os lados, pois todo o repertório está ligado ao centro poderoso que Mariana, com sua banda, sua fidelíssima parceira de tudo Carol Mathias e suas parcerias preciosas, está elaborando. Tudo está no lugar. Não porque não se mexe. Ao contrário; porque ocupam o espaço e tempo precisos, alentados em sua própria dinâmica e orquestrados num conjunto que encanta.

Que sou fã da Mariana, ao contrário do título de sua nova canção, não é segredo. Falo do trabalho dela pra todo mundo e seu disco Impossível dizer que não senti é um desses que eu queria muito ter em vinil; tem toda aquela carga afetiva que um LP de 12 polegadas carrega. Todo o charme.

Em Delícia, Delícia Mariana conversa com a banda, com a plateia; conversa com Gil (com uma leitura de Feliz por um triz, na edição reloaded dos 41 anos do Raça Humana), com Gonzaguinha, conversa com Sade, com versões absolutamente lindas para Paradise e Is it a crime. Canções inéditas também aparecem, pontuando o show como keyframes, brilhando num cenário já de riqueza e inspiração. É um show de todo mundo e Mariana entrega e se entrega, solta no palco, à vontade e luminosa com sua alegria que fazer o que ama, Sólida, consistente e ousada, ela promete surpresas e emoções nos próximos capítulos desses projeto que já começa lindo.

Delícia, Delícia, o show, é o hoje, é também reunião de um ontem que vibra e já é o amanhã que Mariana desenha ali no palco. E se você perdeu esse, não perca os próximos! Escrevo esse texto feliz de ver uma artista muito ciente de si e sua trajetória. De poder escutar esse conjunto de canções tão bem alinhadas, num palco que diz tanto com seu cenário, luzes, tecidos e gestos, contando uma história nova, que apenas começa e já é grande.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *