Por Toinho Castro
BUHR, assim, só BUHR, o que não é pouco, botou seu disco na rua. Feixe fogo chega vibrante, com pulso quente, e abre intenso, afirmativo e quase ritualístico, como quem procura raízes.
BUHR vem de Maracatus, não no sentido de ter saído deles, mas no sentido de permanência neles. Então seu espírito é do chão, da terra batida ao calçamento de pedra das ladeiras da nossa Olinda em comum.; caminhos das andanças pelas ruas e lugares das cidades irmãs, Olinda e Recife. Ali, já pura música. E o futuro escreveu bem demais sua carreira. Feixe de fogo é um álbum rico, de muita maturidade, um passo largo, que leva BUHR tão adiante. BUHR que não tem medo de ir. E que chama a gente lá pra frente!
O feixe de fogo queima, ilumina, cega, assusta e encanta. Chama!
São onze música autorais; são participações especiais de gente linda: Moon Kenzo, de Sobral, Josyara, baiana de Juazeiro, Negadeza, nascida no Recife, Russo Passapusso, de Feira de Santana; ainda a presença igualmente preciosa de Ubiratan Marques (Orquestra Afrossinfônica), Dadi Carvalho, Novo Baiano eterno, Edgard Scandurra, Régis Damasceno, Arto Lindsay, Fernando Catatau e Rami Freitas, arrodeando e entrelaçando a voz de BUHR, como quem desenha uma urdidura para o que BUHR tece; e tece e lê a cidade vazia, destruída pelo dinheiro, os quartos, as altas horas; encontros e cigarros no cinzeiro, lagrimas secas.
Pode se dizer que é um disco com tensão, com enfrentamentos; mas deve-se dizer de certa doçura, de algo gracioso que se insinua aqui e ali, como uma pontuação, como uma vontade de dançar e de recostar a cabeça em algum lugar, pra sossegar enquanto o mundo pega fogo. Desejos e amores esvoaçam. Seilasse o amor…

Amei Seilasse, amei Oxê, Feixe de fogo eu amei. Amei muito esse disco todo, que não largo e tá sendo trilha sonora da minha viagem pelo interior do Maranhão. Me recordando do país ao meu redor, das pessoas, das lutas mínimos e imensa, interiores e planetárias, das amizades que dançam ao nosso redor. BUHR nasceu na Bahia, cresceu e brilhou no Recife. Feixe de luz é seu quinto disco, o primeiro em sete anos, foi o que li. BUHR é aquela voz que tá sempre soprando aqui por perto, desde bastante tempo. Tenho aquele disco lindo, em vinil, Eu menti pra você, presente do meu amigo Jorge Lz. Hoje não paro de escutá-la, nesse dia de chuva em Itapecuru Mirim.
Feixe de fogo é som de novos tempos. Corra pra escutar! Acenda seu lume.
Sabe pensar, Toinho. Sabe escrever. Sabe ouvir. Que maravilha seu comentário. Agora estou louca para ouvir o disco.