Independência Poética: Juliana Maciel

Independência Poética é uma série de entrevistas realizadas por LORENA LACERDA

Poeta de hoje: Juliana Maciel

Juliana Maciel é professora, poeta, cordelista, contista e aboiadora repentista. Nascida no dia 24 de julho de 1977 em Ouriçangas-Ba, e vive em Irará-Ba. Filha de Andrelina Rozenda e José Alves Maciel (Zezinho Vaqueiro). Mãe de Bianca Pereira e Brenda Pereira. Sempre esteve ligada à cultura popular e à poesia, tendo seus primeiros escritos aos 13 anos. Graduada em Letras e pós Graduada em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Literatura, atua na rede Pública de Ensino de Coração de Maria. Ministra oficinas de poesia e de cordel na rede pública e particular. Está presente no Dicionário Biobibliográfico dos Cordelistas Contemporâneos /2020 e na Nova Antologia de Cordelistas Baianos/2021 pela Nordestina Editora. Faz parte da coletânea Brasil; Entre Cordéis e Lendas/2021, Cartas de amor em versos de cordel/2021 e na Coletânea de cordéis infantis, Ciranda de Versos/2021 pela Central do Cordel, participa do livro: Alespe, Sertão e Poesia/2021 e 2023 pela Academia de Letras do Sertão Pernambucano e publicou no ano de 2021 a obra Meus Amores Minhas Dores, com o apoio da Lei Aldir Blanc. Em 2022 foi selecionada no Festival de Literatura de Cordel de Ibotirama.

O que te inspirou a começar a escrever?

Cresci ouvindo meu pai recitar partes de cordéis que ele havia ouvido na infância, isso foi definitivo para que eu começasse a me encantar com a leitura. Na escola sempre fui incentivada em relação aos meus escritos, então a união desse dois espaços fez nascer a leitora e a escritora.

O que você faz quando percebe que está com bloqueio para novas poesias?

Tenho uma escrita livre até o momento. Não me obrigo a escrever, dessa forma não há bloqueio. A poesia sim, muitas vezes me força a escrever. Surge pronta dentro de mim e com vida própria, então enquanto não a coloco no seu modo concreto, ela não se acalma, não me dá sossego. Rsrsrs.

Seu maior sonho como escritor(a)?

Publicar o meu livro de contos. É uma obra que vem surgindo também de forma livre, porém consistente.

Assunto preferido de escrever?

Como escrevo poesia, cordel e conto, tenho ai um leque amplo de assuntos. Na poesia falo muito sobre amor e dor, vida e morte, sonho e desilusão e crítica política e social.
Já na escrita do cordel vou mais para o lado biográfico, cordel didático, histórias com um certo humor, crítica política e social e estou ingressando na escrita infantil com dois cordéis, A pequenina Malu, e o mais recente, A menina gigante que queria ser pequena, esse traz uma temática de respeito às diferenças.
No conto, o imaginário tem me atraído bastante.

Um elogio para sua própria escrita?

Dinâmica, diversa e viva!

Já publicou algum livro? Quais? Caso não, tem planos?

Sim! O livro de poesia, Meus amores, minhas dores e 14 folhetos de cordel. Com alguns deles participei de uma antologia e várias coletâneas pela Editora Nordestina, Central do Cordel e ALESPE (Academia de Letras do Sertão Pernambucano).

Quais inspirações do cotidiano despertam sua escrita?

Na poesia, situações extremas. Alegria, dor, multidão, silencio, êxtase.
No cordel, situações do dia a dia, homenagens, fatos engraçados, conteúdos necessários.
No conto, sonhos e flash.

Qual dos seus poemas mais te define?

Não chore. Um dos poemas que nasceu pronto e carrega em si a minha essência.

Qual a parte mais fácil e mais difícil da escrita para você?

O fato de ter a liberdade de escrever no meu tempo me deixa tranquila. A necessidade de às vezes ter que obedecer a voz da poesia em alguns momentos, dá um pouco de trabalho. Tipo, acordar no meio da noite com uma poesia gritando para ser escrita e ter que obedecer, para só assim conseguir voltar a dormir.

Qual sua obra favorita de outro autor(a)?

Eu leio de tudo, é até complicado escolher uma única obra, mas o livro O mundo de Sorfia, do norueguês Jostein Gaarder, foi um livro que mexeu muito com as minhas ideias e permanece me fazendo refletir.


Um livro de Juliana Maciel

Nome da obra?

Meus amores, minhas dores.

Quando e em qual editora foi publicada?

Em 2021, pela editora Pinaúna com o apoio da Lei Aldir Blanc.

Existe um tema central nos seus poemas/poesias? Qual?

Não. Eles vagueia entre amor e dor, vida e morte, sonho e desilusão e crítica política e social.

As poesias são divididas em fases nessa obra? Se sim, o que te motivou a fazer isso?

Não há essa divisão.

O que te incentivou a escrever esse livro?

Esse livro começou a ser escrito quando eu tinha 13 anos. Comecei a escrever poemas e não parei mais. E alimentava o sonho de um dia publicá-lo. Ele conta com poemas feito em diferentes etapas da minha vida. Acredito que os amores, as dores, a minha vivência em relação a tudo isso e a própria vida foram minhas inspirações.

É possível destacar uma poesia que mais se assemelha a seu cotidiano?

Estranha. É uma poesia que fala dessa coisa de ter a poesia viva dentro de mim, dando comandos.

A sequência dos poemas conta alguma história?

Não.

Existe algum posicionamento político ou cultural na obra?

Sim. O poema, Doses de ilusão traz de forma bem clara a minha insatisfação diante da situação política e social interferindo na cultural.

Qual a relevância dos personagens implícitos/explícitos da obra?

São personagens implícitos que sofrem e que gritam pelo direito de viver e de amar da maneira que quiserem, que se sentirem bem. Logo, sou eu, é você, somos nós. Além de relevância são de suma importância.

Qual a poesia mais marcante desse livro?

Doses de ilusão, por trazer à tona um dilema que vai desde o amor até o preconceito, racismo, a dor das minorias e o olhar velado da sociedade em relação aos menos favorecidos.


Rede Transvê Poesias lança Edital junto com sua 1ª. Antologia Poética

O edital “Mande Poemas” espera receber poemas de todo o Brasil

No último dia 2 de março, nosso editor, Toinho Castro, conversou no AoVivo Kuruma’tá, com Anderson Valfré, coordenador da Rede Transvê, sobre o edital Mande Poemas e ao lançamento da antologia As veias populares da poesia brasileira.

Assista à gravação do bate-papo e fique por dentro das ideias da Transvê e dos detalhes do edital e da antologia! Faça parte dessas iniciativas!


SAIBA MAIS…

A 1ª Antologia Poética da Transvê surge com o objetivo de expressar a particularidade de cada um dos 423 poetas espalhados por todo o Brasil que participaram da II Intervenção Poética Nacional em 2022 e, enaltecê-los com essa obra coletiva.

“As veias populares da poesia brasileira” é resultado da reunião dos escritos de poetas e poetisas brasileiras, que na instiga de ter seus poemas espalhados pelo país, compartilharam suas inspirações.

Esta obra busca valorizar a diversidade de escritos que compõem a literatura brasileira, enxergando a identidade poética para além do que se conhece através dos grandes e consagrados poetas do Brasil. O objetivo é expor o que há de mais novo, genial e desconhecido na expressão popular das diversas regiões dessa imensa nação, em sua diversidade de povos e culturas.

“Buscamos aqui o que há de diferente e inespecífico na diversidade de expressões, ritos, ditos e palavras que nascem da variedade de vivências e realidades espalhadas pelo solo brasileiro”, explica o idealizador do projeto, Anderson Valfré.

Sobre o Edital

Transvê Poesias ao longo dos 8 anos conectou mais de 500 pessoas por todo o país, chegando em 25 estados e partilhando mais de 14 mil garrafas poéticas gratuitamente. Com o foco na realização da 3ª.  Intervenção Poética Nacional, o evento que irá comemorar os 9 anos da rede, traz o tema: A ESPERANÇA NOS VERSOS DE UM BRASIL AMADOR, em homenagem ao bicentenário do nascimento do escritor Gonçalves Dias.

O evento promoverá encontros de pessoas, grupos, instituições e organizações em torno da poesia. O foco é sensibilizar o cotidiano brasileiro através de versos que irão poetizar as ruas, como também alimentar a esperança nos olhos e corações. Para isso, a Transvê lança o Edital – Mande Poemas no intuito de receber poemas de autores (as) diversos e

Regulamento – Representantes Locais, com o propósito de receber o cadastro de pessoas que queiram realizar a ação em sua cidade.

A participação é sem custo e os poemas são com temática livre, basta seguir as normas estabelecidas. Podem participar poetas e poetisas, de qualquer idade, habitantes de qualquer região do Brasil ou de outros países, desde que seus textos estejam em português brasileiro ou traduzidos para este idioma.

Os poemas selecionados serão colocados nas garrafas que irão compor as intervenções urbanas durante o evento que acontecerá de 13 a 30 de abril deste ano.

“Os parceiros que irão se cadastrar são de extrema importância, pois eles serão os Representantes Locais que conduzirão a realização da intervenção poética em suas cidades, juntamente com sua equipe, contando com a orientação da coordenação nacional da Transvê Poesias. Lembrando que pode se cadastrar pessoas acima de 16 anos, grupos, instituições, ONGS”, reforça Valfré

Ele lembra, ainda, que para participar do edital não é necessário ser um representante, bem como para ser representante não é preciso enviar poemas, porém, ambos são permitidos e fortalece a dinâmica coletiva do evento. É diante dessa rede, que a Transvê Poesias realiza mais este projeto com o objetivo de levar e ampliar o acesso à leitura, à escrita e à conscientização ambiental.

Todas as garrafas poéticas são sempre distribuídas gratuitamente ao público.

Inscrições e cadastros: 27/01 a 12/03/2023

Edital e Regulamento disponível no link: https://www.transvepoesias.com/editais2023

Coletivo Transvê Poesias
Venda Livro Impresso: https://loja.uiclap.com/titulo/ua27688/ 
Venda Livro Digital: https://sun.eduzz.com/1773178?cupom=leitorestransve

Contatos:
E-mail: [email protected]
Redes diversas: https://linktr.ee/transvepoesias

Nélida Piñon é a homenageada do Clube de Leitura do CCBB do Rio de Janeiro!

ALERTA CULTURAL KURUMA’TÁ!
Gente, no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o Clube de Leitura do CCBB retoma as atividades com homenagem à gigantesca Nélida Piñon!

Foto de Simone Marinho

Repare nos detalhes!

Homenagem à Nélida Piñon inicia a temporada do Clube de Leitura CCBB 2023, cujo primeiro encontro acontece no Dia Internacional da Mulher. Antônio Torres, Lilian Fontes e, em participação virtual, Ana Maria Machado se unem para ler e lembrar Nélida, primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras. O livro da escritora, que morreu no final de 2022, a ser comentado no Clube será escolhido pelo próprio público, no Twitter do CCBB RJ (ccbb_rj), em enquete aberta entre os dias 16 e 17 de fevereiro. Estarão no páreo Sala de Armas; O calor das Coisas; e Um dia chegarei a Sagres. O projeto é patrocinado pelo Banco do Brasil. 

A plateia terá a oportunidade de ouvir um grande leitor e escritor, Antônio Torres, conversar sobre vida e obra de uma grande autora. Além de colegas na Academia Brasileira de Letras, Torres tinha por Nélida uma grande admiração e escreveu algumas vezes sobre sua obra. “Nestes ensaios, Torres diz que ela é um dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa, em estilo e participação da memória histórica da América Latina”, reforça a curadora do Clube de Leitura CCBB 2023, Suzana Vargas. O Clube de Leitura contará também com a participação especial da escritora e professora Lilian Fontes, estudiosa da obra de Nélida, de quem Lilian era também amiga.

Mensalmente, o Clube de Leitura CCBB 2023 terá um convidado virtual. Nesta edição inaugural, quem marca presença é a acadêmica, romancista e jornalista Ana Maria Machado, colega de Nélida Piñon e Antônio Torres na Academia Brasileira de Letras, e que fará perguntas do telão aos convidados.

Nélida Piñon é um dos nomes mais importantes da ficção brasileira surgido nas décadas de 70/80 cuja obra, traduzida em mais de 30 países, continuou repercutindo neste século. Contista, romancista, cronista, conquistou vários prêmios nacionais, como o Jabuti e o APCA, e internacionais, entre eles o Prêmio Juan Rulfo (México), o Príncipe de Astúrias (Espanha) e o Prêmio Vergílio Ferreira, em Portugal.

Os encontros serão 100% presenciais e acontecem no Salão de Leitura da Biblioteca Banco do Brasil, localizada no quinto andar do CCBB Rio, de março a dezembro, sempre na segunda quarta-feira de cada mês, com entrada gratuita, mediante retirada dos ingressos na bilheteria do CCBB RJ ou pelo site bb.com.br/cultura.

“Nessa edição, o Clube de Leitura CCBB 2023 mantém seu papel de oferecer visibilidade a esse local e incentivar a leitura, mas também se propõe a estimular e promover a literatura em língua portuguesa de modo mais abrangente, com a inclusão de autores lusófonos de outras nacionalidades na programação”, conta Sueli Voltarelli, gerente geral do CCBB Rio. E complementa: “se em 2022 conseguimos reunir presencialmente mais de 500 pessoas e tivemos quase 35 mil acessos aos vídeos no canal do BB no YouTube, esperamos que em 2023 possamos expandir esse alcance, principalmente com a participação de mais escritores contemporâneos falando diretamente ao público sobre seu processo criativo, mas sem abrir mão daqueles clássicos que ativam as memórias afetivas e conectam as pessoas”. Em 2023, a programação do Clube volta-se também para as literaturas angolana, moçambicana e portuguesa, levando para o CCBB RJ autores mundialmente premiados, como Mia Couto e José Eduardo Agualusa.
“O objetivo é colocar nossos leitores em contato direto com a cultura lusófona, que está intrinsecamente ligada à nossa história enquanto nação. Os países escolhidos têm no português sua forma de expressão”, explica Suzana Vargas.

Já a produção literária das diversas regiões do Brasil será marcada, entre outros, pelas participações de Eliakim Rufino, Cida Pedrosa, Conceição Evaristo e Gregório Duvivier. Segundo a curadora do projeto, Suzana Vargas, um dos objetivos da programação é dar visibilidade e permitir que a plateia conheça ou reconheça a riqueza da produção literária brasileira.

A mediação é da curadora Suzana Vargas e o microfone será aberto para a plateia nos 30 minutos finais dos encontros. A gravação integral será disponibilizada no canal do Banco do Brasil no YouTube, na semana seguinte ao evento.


Antônio Torres, antes de chegar à literatura, passou pelo jornalismo, primeiro na Bahia, estado em que nasceu (Sátiro Dias, 1940), depois em São Paulo, onde migrou para a publicidade. Viveu três anos em Portugal e, por décadas, no Rio de Janeiro. Hoje, mora em Itaipava, na região serrana fluminense. Sua estreia literária se deu em 1972, com o romance Um cão uivando para a Lua, que causou um grande impacto, na crítica e no público. De lá para cá, publicou 19 livros, entre os quais se destacam a Trilogia Brasil (Essa Terra, O cachorro e o lobo, Pelo fundo da agulha), Querida Cidade, seu 12º romance, de 2021, e o livro de contos Meninos, eu conto. Sua premiada obra, que passeia por cenários urbanos, rurais e históricos, tem várias edições no Brasil e traduções em muitos países, da Argentina ao Vietnã. Torres é membro da Academia Brasileira de Letras – onde foi recebido por Nélida Piñon – e sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa. 

Lilian Fontes. Escritora, com pós-doutorado em Comunicação e Cultura pela UFRJ, publicou mais de vinte livros no gênero contos, romances e biografias. Dentre eles, Santo Dia, Editora Record, 2002, que esteve entre os finalistas ao Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura e do Prêmio Portugal Telecom; De olhos bem abertos, Editora Record, 2011, ficou entre os finalistas do Prêmio Casa de las Américas. Autora também de ensaios, perfis biográficos como o de Paulo Niemeyer Filho, do professor Ivo Pitanguy, da escritora Rachel de Queiroz, entre outros. Participação em sete coletâneas de contos; artigos em revistas acadêmicas, nacionais e internacionais; e em roteiros. Professora,vem ministrando cursos na área de literatura e audiovisual. Em 2000, na passagem por Miami (EUA), colaborou no Center of Latin-American Studies, da Universidade de Miami, dirigido pelo professor Robert Levine, como coordenadora do grupo sobre Cultura Brasileira; e atuou como vice-presidente do Centro Cultural Brasil-Flórida associado ao Consulado Brasileiro, como diretora da Biblioteca Nélida Piñon. Em 2020, participou do Festival Literário de Miami, na mesa sobre o romance Um dia chegarei a Sagres, de Nélida Piñon. Desde 2018, vem publicando poesias em coletâneas da editora In-Finita, de Portugal.

Suzana Vargas é poeta, ensaísta, escritora e professora e mestre em Teoria Literária pela UFRJ. Publicou 16 livros, entre os quais Caderno de Outono, finalista do prêmio Jabuti. Tem poemas traduzidos em países como Itália, Estados Unidos, Espanha, Alemanha e França. Fez a curadoria de importantes projetos literários para feiras e eventos nacionais e internacionais como as Bienais do Livro do Amazonas, do Rio de Janeiro e de São Paulo, a Primavera dos Livros, a campanha Paixão de Ler e os Encontros com a Literatura Latino-Americana do Centro Cultural do Banco do Brasil. Assina a coluna mensal “Escrever para Lembrar” no portal Publishnews – 2021. Há 27 anos criou e coordena o espaço de oficinas de criação literária Estação das Letras, único no país.

SOBRE O CCBB RJ – O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro funciona de segunda a domingo, das 9h às 21h, no domingo, das 9h às 20h, e fecha às terças-feiras. Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o CCBB está instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva. Marco da revitalização do centro histórico do Rio de Janeiro, o Centro Cultural mantém uma programação plural, regular e acessível, nas áreas de artes visuais, cinema, teatro, dança, música e pensamento. O prédio dispõe de 3 teatros, 2 salas de cinema, cerca de 2 mil metros quadrados de espaços expositivos, auditórios, salas multiuso e biblioteca com mais de 200 mil exemplares. Os visitantes contam ainda com restaurantes e cafeterias e loja, e serviços com descontos exclusivos para clientes BB.

SERVIÇO:
Clube de Leitura CCBB 2023
8 de março de 2023
Às 17h30

Evento Gratuito
Classificação indicativa: Livre

Ingressos disponíveis na bilheteria do CCBB ou pelo site bb.com.br/cultura a partir das 9h do dia do encontro.

 

Areia Literária

Nossa amiga e parceira Tays Melo trazendo pra gente os talentos de Sonia Souza e Bianca Cruz. São vozes femininas de Areia, cidade do brejo paraibano.

Deixo agora a palavra com Tays, que nos apresenta essas duas talentosas areienses!


Cidade de Areia – PB | Foto de Tays Melo

Areia é uma pequena cidade do brejo paraibano onde mistérios percorrem como água da chuva, as fendas de seu calçamento torto, erodido e alisado pelo tempo.  A superfície de cada paralelepípedo brilha com os raios do sol logo no começo do dia. Não importa o quanto se emende as frestas das portas dos casarões antigos, tentando empatar os mistérios areienses de escaparem à luz do sol. Eles orientam fuga e nas fugas ouvimos sussurros, vozes altas ou até mesmo gritos de mulher. Debaixo das  árvores  nas estradas dos engenhos  ou nas ruelas estreitas da urbes as silhuetas entregam as insurgentes.

Sonia Souza é mulher negra, mãe solo, nascida no campo, na luta, independente, e mostra em seu texto apenas um grão de sua essência ao lembrar sua construção sensível em episódios de sua infância e adolescência.

Bianca Cruz é estudante, uma das melhores alunas de sua turma. Ela ama ler, já pensou em fugir, em escapar de mundos que a sufocam por ambicionar amor. Escrever e cruzar planetas, atravessar outras vidas, através de sua poesia que amor, medo e rebeldia que se derramam e inundam onde quer que ela vá.

Estas mulheres areienses experimentaram os doces, os caldos, a rapadura e o fel, que somente Areia pode oferecer à letra de dos poetas. 

Tays Melo

Poeta e escritora

Sonia Souza
Bianca Cruz

Sítio Velho

Por Sonia Souza

Sobre o lugar onde nasci e me criei ou fui criada, as primeiras lembranças são do barro e da lama. O capim molhado e a casa da minha avó que sempre tinha fumaça saindo pela chaminé, e um cheiro gostoso de café. Corríamos pelos terreiros, pois brincadeira não faltava, e vez enquanto uma busca nas jaqueiras, cajueiros, laranjeiras, mangueiras e tantas outras árvores frutíferas. Meia dúzia de cachorros magros nos seguia.

O tempo foi passando rápido e a chaminé da minha avó já não fumaçava. Éramos adolescentes em busca de novas aventuras e entretenimentos, como dançar sobre as folhas de eucaliptos nas latadas improvisadas, logo depois dos ritos religiosos como as entregas do cruzeiro de São João, da Queimação de Flores no mês maio, em homenagem a nossa Senhora.
Passei anos longe, mas voltei. Agora, tem muito mais casas. Já não são as mesmas. Alguns partiram para sempre. A alegria agora é mais contida.

Das melhores farras, lembro das farinhadas madrugadas a dentro, muita fofoca, risadas. Café e milho assado pra o lanche, beiju feito debaixo da farinha.

As manhãs de sábado eram movimentadas nessas estradas, o colorido de pessoas que iam rumo à feira na cidade, a pé ou nos burros que levavam o fruto do trabalho nos roçados. Eram tempos difíceis, mas ninguém desanimava. Eram longas as caminhadas a pé e o intervalo entre uma refeição e outra.

Pela vizinhança havia majestosos engenhos, onde era certo ganhar umas rapaduras e caldo de cana. De tudo isso, hoje só restam as boas lembranças e algumas taperas. Os burrinhos foram substituídos por carros e motos, e quanto aos roçados e farinhadas, foram igualmente esquecidos. Assim também aconteceu com os forrós em latada, cheirando a eucalipto. Estas coisas todas parecem não ter mais graça. Depois da tecnologia chegar por aqui, um celular com internet parece ter superado todo e qualquer outro tipo de interação social. Os costumes são outros. Apenas o barro e a lama são os mesmos.


Poesia

Por Bianca Cruz

Mais uma vez quero arrancar meu coração
Com minhas mãos
Quebrar meu externo
Com meus dedos
Expurgar de minhas artérias este órgão imprestável
Para quê serve o coração, afinal,
Senão para errar em decisão?
E se quebrar em centenas de pedaços
Que terei de recolher contra minha vontade.
Remontá-lo do início ao fim
Só para que erre de novo.
Levando a este ciclo sem fim.
Meu coração não tem pena de mim.
Por que então deveria ter pena dele?
Vou destruí-lo sem dó nem piedade.
Só espero não entrar no meu caminho
Durante o extermínio
Talvez seja ele que esteja tentando exterminar a mim
Manipulando-me em afins
de se redimir por seus erros
que não passam de meus erros.


Independência Poética: Gustavo Anjos

Gustavo Anjos é poeta, contista, autor do livro: “ Mergulhando nos poemas” . Baiano de Ibitira, atualmente reside em Caetité – Ba, graduando em Letras Língua Portuguesa e Literatura (UNEB), e é idealizador de algumas antologias. “ Sou feito de marcas, cicatrizes, desejos e pecados. Escrevo porque vivo, e a poesia vive em mim”.

Independência Poética é uma série de entrevistas realizadas por LORENA LACERDA

Poeta de hoje: Gustavo Anjos

Gustavo Anjos é poeta, contista, autor do livro: “ Mergulhando nos poemas” . Baiano de Ibitira-Ba, atualmente reside em Caetité-Ba, graduando em Letras Língua Portuguesa e Literatura (UNEB), e é idealizador de algumas antologias. “ Sou feito de marcas, cicatrizes, desejos e pecados. Escrevo porque vivo, e a poesia vive em mim”.

O que te inspirou a começar a escrever?

Costumo dizer que a vida tem me espancando incansavelmente, e quem apanha sente dor, porém, nem todos querem nos ouvir, apenas julgar. Com este pensamento resolvi no entanto desabafar em folhas de papel. Como eu cito em um dos meus poemas: “uma folha de papel sempre será uma amiga fiel. Acho que a vida é isso, ela nos dão as pedras , e fica ao nosso critério se vamos ficar nos lamentando por encontra-las nosso caminho ou se vamos pega-las para construir algo produtivo. Confesso-lhes que estou cansado de ser espancado pela vida, mas mesmo assim sigo com uma vontade imensa de viver cada dia, cada momento nesta terra, e cumprindo minha missão que é escrever e tocar corações. Sinto-me agraciado em tocar almas através da literatura.

O que você faz quando percebe que está com bloqueio para novas poesias?

Penso que a poesia é como uma chuva, sem previsão. Ela surge do nada ou até mesmo naqueles momentos de dores. Algumas vezes as palavras tentam fugir, apenas tentam, porque quando vejo que elas estão tentando fugir pego livros de autores que me inspiram , como: Luana Andrade, Clarice Lispector, Pablo Neruda, Machado de Assis , entre tantos outros. Também gosto de ver a natureza quando as palavras me fogem a mente, pois a natureza é pura poesia , e se, apreciada com um olhar de delicadeza verás que os versos mais bonitos estão nelas.

Seu maior sonho como escritor(a)?

Meu maior sonho é que a poesia um dia seja mais valorizada, que todos os poetas sejam mais reconhecidos. Na sociedade moderna percebe-se que as pessoas não procuram escritores locais, mas sim famosos. Outro sonho que carrego comigo é de trabalhar em uma editora, e também espalhar meus escritos e dos escritores locais. Continuo sonhando…também pretendo abrir um blog onde visa valorizar a escrita LGBTQIAP+.

Assunto preferido de escrever?

Sou apaixonado por escrever sobre sentimentos, dor, amor, morte, ansiedade, depressão, racismo, homofobia, machismo, etc. Quando estou muito triste pego uma folha de papel e começo a escrever. Tem uma frase de minha autoria que sou encantado: “ quando a vida parece não ser bela visto-me de poesia.

Um elogio para sua própria escrita?

Vejo minha escrita como uma forma de inspiração , já que sou o segundo escritor Ibitirense a publicar um livro. E após lançarem meus escritos algumas pessoas passaram a me ver como uma forma de incentivo para continuar trilhando o caminho da arte. Acho que minhas poesias me revela por inteiro, revela quem de fato é GUSTAVO ANJOS. Mas afinal, quem é GUSTAVO ANJOS? Sou marcas, dores, resistência, sou desejo, sou pecado, sou anjo e também posso ser diabo. Sou tudo que existe neste universo imenso, não me classifique em nada, apenas sou.

Já publicou algum livro? Quais? Caso não, tem planos?

Sim! Publiquei meu livro: “ MERGULHANDO NOS POEMAS” , em( 2021). Tenho o desejo de participar de mais coletâneas e ocupar o meu devido espaço no mundo literário. Quero que um dia todos saibam quem é GUSTAVO ANJOS.

Quais inspirações do cotidiano despertam sua escrita?

Tudo que há no mundo me inspira. O amanhecer, o entardecer. Essa confusão mental que carrego comigo me faz ser e virar poesia. Sou extremamente apaixonado pelo universo, apesar dos dias nublados eu amo a vida, eu viver, ver.

Qual dos seus poemas mais te define?

SE TU QUERES

Se tu queres fogo
Eu sou incêndio
Se estais com fome
Eu sou a comida
Se estais com sede
Eu sou a água
Se tu queres salvação
Prazer, sou o pecado.

— Gustavo Anjos

Qual a parte mais fácil e mais difícil da escrita para você?

Creio que a parte mais difícil e enfrentar o mercado, pois as pessoas dizem que apoiam, aplaudem, mas quando lançamos um livro muitos arrumam desculpas para não comprar os exemplares de autores iniciantes. A parte mais fácil é mandar a tristeza ir embora quando escrevo.

Qual sua obra favorita de outro autor(a)?

1+1: a matemática do amor. Um livro que me fez transbordar de emoção. E POESIA QUE TRANFORMA – Bráulio Bessa.

 


Um livro de Gustavo Anjos

Nome da obra?

Mergulhando nos poemas

Quando e em qual editora foi publicada?

“ MERGULHANDO NOS POEMAS “ foi publicado de forma independente pela gráfica Print livros, em Agosto de 2021.

Existe um tema central nos seus poemas/poesias? Qual?

“ MERGULHANDO NOS POEMAS” reuni vários temas. Entre eles estão: gordofobia,machismo, racismo, drogas, dor, amor , violência sexual. Partindo da vontade de me libertar resolvi abordar os traumas que passei na minha infância e na adolescência.

As poesias são divididas em fases nessa obra? Se sim, o que te motivou a fazer isso?

Não.

O que te incentivou a escrever esse livro?

A pandemia foi um dos motivos que me fez adentrar neste universo imaginário , levando-me a gritar minha dor pro mundo. Um grande desejo de me libertar e inspirar pessoas.

É possível destacar uma poesia que mais se assemelha a seu cotidiano?

Sim, essa descreve tudo que vivi e vivo.

E se um dia a violência acabar…

E se um dia eu for espancado por ter expressado minha forma de amar
E se um dia eu for assassinado
Por ter um jeitinho afeminado
E se um dia a violência acabar
E se um dia a paz vim a reinar
Tenho fé que um dia iremos beijar
Sem o medo de alguém nos matar
Eu só quero libertar minha dor
E poder demonstrar meu amor

Todo o meu amor,
Todo o meu amor…

Eu só quero libertar minha dor
E poder demonstrar meu amor

Todo o meu amor.
Todo o meu amor…

Texto do livro: MERGULHANDO NOS POEMAS/ GUSTAVO ANJOS

A sequência dos poemas conta alguma história?

Cada verso, cada folha traz em si uma mensagem, um pedido de socorro, um sentimento. Usei essa ordem para que cada leitor sentisse a emoção que ele realmente passa.

Existe algum posicionamento político ou cultural na obra?

No meu poema: “O TERROR “ trago o descaso e a revolta pelos trágicos que foi proporcionado pelo governo anterior.

Qual a relevância dos personagens implícitos/explícitos da obra?

Eu escrevo sobre tudo que me toca. Os meus personagens são os meus vários EUS, pessoas como eu, minha família, meus amigos.

Qual a poesia mais marcante desse livro?

Um dos poemas que mais me marcou foi “ ANSIEDADE” que aborda o período conturbado que vivi.

ANSIEDADE

A ansiedade tenta me sufocar,
Uma dor no peito começa a apertar,
Ás vezes penso que vou morrer,
Mas é só ela tentando me atacar,
E a minha língua começa a enrolar,
As minhas pernas começam a travar,
O meu coração a disparar,
Um misto de sentimentos começa a surgir em meus pensamentos.
Ás vezes paro e fico a pensar,
Até quando essa dor vai durar.
Será que um dia vou me libertar?
Ou será que ela vai continuar a me maltratar?
Quem sabe, talvez um dia deixarei de sentir essa agonia.

Texto do livro: MERGULHANDO NOS POEMAS / GUSTAVO ANJOS

Poema de Felipe Tamuxi

Acabou nosso carnaval e estamos de volta com mais poesia. Hoje é a vez de Felipe Tamuxi, indígena da etnia Krenyê Timbira, paraense de Conceição do Araguaia/PA.


Foto de lubasi [ Sob licença Creative Commons ]

Jacumã

Todo dia
sobe o rio
ao amanhecer.
Na neblina
vai sua canoa,
lampião
aceso na proa.

Traz o peixe
do rio.
Traz o buriti.
Tem farinha
na cumbuca
e o açaí
sem açúcar.

Pescador
no remanso,
mestre
na aldeia.
Na canoa
é jacumã,
mas a vida
é de caceia.

Em cada ilha,
solidão.
Em cada brisa,
a saudade.
Na fogueira,
memória.
E no banzeiro
a verdade.

Em seu rosto,
o passado.
No falar,
o seu jeito.
Hoje é só,
já foi amado.
Só, leva a dor
no seu peito.


Felipe Tamuxi é indígena da etnia Krenyê Timbira, paraense de Conceição do Araguaia/PA, trabalha como professor de biologia em Mato Grosso, atuando em defesa da Educação Escolar Indígena e da Educação do Campo, da divulgação científica e da valorização cultural. Nos momentos de inspiração escreve poesias e contos retratando e valorizando a diversidade de culturas, de vivências e de lutas dos povos amazônidas e indígenas, mas o que exerce com maior devoção é ser pai; sempre dedicando tempo para contar e criar histórias para os filhos Wyana Manitsi e Théo Têky, sempre junto com a adorada companheira de vida, a esposa Ana Manitsi.

Andar com Gil, disco de Delia Fischer e Ricardo Bacelar

Texto de Toinho Castro

Hoje pela manhã, na nossa casinha em Vila Isabel, botei pra tocar a Delia Fischer, artista que admiro e acompanho o trabalho. Aí pus-me a pensar na riqueza do piano brasileiro, né?! São tantos nomes. Guimar Novaes, Luiz Eça, Arthur Moreira Lima, Nelson Freire, Chiquinha Gonzaga, Egberto Gismonti… e nessa longa e múltipla linhagem da beleza, está a Delia e seu piano. Que coisa boa.

E o disco em questão nessa manhã, aqui na vitrola digital, em Vila Isabel, chama-se Andar com Gil, álbum dedicado ao caminho espiritual na obra de Gilberto Gil, criado em parceria afinadíssima com Ricardo Bacelar. Ouvir o piano e voz de Delia e Bacelar, discorrendo sobre a leveza que Gil nos oferece, é adentrar um cenário de reflexão, de paz, de caminho aberto pra andar com fé. Sensação amplificada em contraste estimulante frente aos tempos conflituosos que temos vivido. É um disco esperançoso, que nos acorda para o fato de que o mundo não é “só isso que está aí”. Gil aponta para além nesse grupo iluminado de canções. Se oriente, rapaz!

Com vozes e piano gravados ao vivo, em estúdio, a harmonia de Delia e Bacelar é o fio condutor do disco. É o encontro de uma amizade, dois viajantes musicais, carregados de delicadeza e olhar minucioso sobre esse território comum a todos nós que é a obra de Gilberto Gil. Todo trabalho dessa natureza é, necessariamente, uma leitura crítica. No caso de Andar com Gil, é uma afirmação da contemporaneidade absoluta de Gil e sua espiritualidade., de como o seu espectro musical é abrangente, mesmo quando trata de um mesmo tema.

O disco é um presente da Delia e do Ricardo. Um presente generoso, de dois artistas completos, com trabalhos sólidos. Que tenham selecionado essas canções, se debruçado sobre cada uma delas com tanto gosto, com tamanho respeito e de maneira tão orgânica, é motivo de sobra pra que a gente dê play em looping em Andar com Gil. Cada audição revelará algo novo, de Gil, de Delia ou Ricardo, e de nós mesmos. Essa é a força desse trabalho, esse convergir para os aprendizados da alma.

A participação de Gil em prece, com o cello desse gigante que é o Jaques Morelenbaum, é simplesmente comovente. É como um farol que guia, que ilumina e que também se deixa estar à beira mar, sereno, terno e necessário. Lembrando a gente que o melhor lugar do mundo é aqui e agora.

Andar com Gil está disponível nas plataformas de streaming

1 – Oriente (Gilberto Gil)
2 – Se eu quiser falar com Deus (Gilberto Gil)
3 – Andar com fé (Gilberto Gil)
4 – Cada tempo em seu lugar (Gilberto Gil)
5 – São João Xangô Menino (Gilberto Gil/Caetano Veloso)
6 – Prece (Gilberto Gil)
com participações especiais de Gilberto Gil e Jaques Morelenbaum
7 – Palco (Gilberto Gil)
8 – Aqui e agora (Gilberto Gil)
9 – A Paz (João Donato e Gilberto Gil)


Cordel: edições, experimentos, experiências e consagração

Por Aderaldo Luciano


A maior casa editorial de cordel do mundo foi a Editora Prelúdio, de São Paulo, cuja herança sedimentou a Editora Luzeiro. Alguns editores nordestinos, como José Bernardo da Silva, Manoel Caboclo e Manoel Camilo dos Santos, chegaram a culpar a Luzeiro pela derrocada de suas atividades. Interpretavam as capas coloridas, o papel de melhor qualidade, as ilustrações, o formato de livro e a produção industrial como atrativos e saídas editoriais imbatíveis nas bancas de jornais e nas feiras, com o trabalho dos folheteiros.

Em Belém do Pará, por volta dos anos 20 do século passado, outra editora descobriria o cordel e partiria para a editoração e publicação mais elaborada, em relação ao produto confeccionado no Nordeste: a Guajarina. Fugia, como a Luzeiro, da forma artesanal, substituiria a xilogravura por ilustrações de artistas do traço e da pena, escolheria um tipo de papel melhor para imprimir os versos rimados, as histórias, narradas e pensadas pelos poetas. Seus livretos inundaram a Amazônia e os estados do Norte.

As publicações atuais se esparramam por diversos formatos, respeitando a forma criada por Leandro Gomes de Barros. Tin Tin Alves, no Embu das Artes-SP, produziu seu livro Quintadiano de maneira totalmente diferente do que se vê em termos de cordel: lhe deu um formato em 20cm x 20cm, uma ilustração de capa alegórica e mágica. Paola Torres, direto de Fortaleza-CE, trouxe um formato em 14,5cm X 20,5cm para sua homenagem a Maria das Neves Batista Pimentel. E Nando Poeta, Natal-RN, uma antologia sobre o cangaço em 16cm x 23cm. A seguir algumas palavras sobre essas experiências.

Tin Tin Alves: poesia é trabalho e celebração

As águas do Rio Pampã correm direto para o Mucuri. São águas doces, cristalinas na nascente, benfazejas em todo seu percurso. Banham, com vocação para a vida, as terras vastas e potentes do nordeste de Minas Gerais. Chegam a pentear a cabeleira da Pedra da velha Manoela, monumento natural, fazendo cócegas nas nuvens. À civilização nascida em suas margens deu-se o nome de Fronteira dos Vales. Nome mais poético não se encontra para um arruado onde o vento canta cantigas de ninar às crianças inquietas no fundo da noite. Os vales fronteiriços são muito mais que vales, são acidentes entre as almas leves e os espíritos incansáveis.

Em 1955, Minas Gerais se preparava para dar ao Brasil o novo presidente, Juscelino, de largo sorriso. Foi em 3 de outubro. No entanto alguns dias antes, numa conflagração maravilhosa entre a Lua, que se apresentava cheia, e Júpiter, com seu olho príncipe, nascera Nilton Francisco Alves. Rebento mínimo, mas azougado. Menino frágil, mas inquieto. Seu nome fez lembrar o antigo físico observador da Lei da Gravidade. Mas também o santo dos naturais, cuidador da natureza, amigo dos bichos dos céus e da terra. Era 29 de setembro e a primavera, sucinta e pródiga, acariciava as flores. O ventre do céu, mesmo sob o raio lunar e os uivos de algum animalzinho sonâmbulo, protuberava o Cinturão de Órion.

Passados os anos e os arcanos, Nilton virou Tin Tin, vestiu roupa de poeta, namorou as musas, contou-lhes lorotas, anedotas e esquisitices, recebeu delas um passaporte. A partir daí, como outro poeta mineiro, partiu em busca da poesia. Comprendeu que a poesia é intangível, é uma assunção, talvez um transe. Os comuns a chamarão de inspiração. Tin Tin percebeu-lhe mais: observou-a como um processo. Este livro, materializado aqui sobre as linhas da vida de nossas mãos, é um produto desse processo. Sistema cabalístico conjugado entre o 3, de seus haicais, e o 7 de seus versos e estrofes, de inspiração telúrica e transcendental. Poesia é trabalho, nos disse alguém mais observador.

Tin Tin trabalhou seus poemas, ourives beneditino como ousou Bilac. Sistematizou seus temas, catador de pérolas qual Paes Leme, mas sem o engano final. Em um dia muito longe do futuro, no fundo do quintal universal, algum meteoro se distanciará de nós, e cruzará o céu do passado. Será a estrela riscando a noite daquele prateado céu de 1955, setembro. A estrela anunciadora. Nascera e nascerá um poeta. A marca em seu corpo é o diálogo com a eternidade. Hoje, ao ler seus poemas, lembrando Bashô e Barros, nos animamos. O caminho Peabiru, sua encruzilhada e sua anunciação, agasalharam Tin Tin no Embu das Artes. A promessa da espada em brasa, a poesia em seu estado sólido, é o marco plantado neste livro, esperança, denúncia e celebração.

Paola Torres: na encruzilhada dos tempos, duas poetas se encontram

Francisco das Chagas Batista, um dos pioneiros do cordel, foi também um dos pioneiros como editor na Paraíba do Norte. Estabeleceu em João Pessoa sua Livraria Popular Editora na Rua da República. Em sua residência, anexa à Editora, criaria seus filhos e filhas. Entre estas, Maria das Neves Batista Pimentel, nascida em 1913. Vinte e cinco anos depois, Maria das Neves publicaria seu folheto O Violino do Diabo e o assinaria com o nome de seu marido Altino Alagoano.

Coube à professora Maristela Barbosa de Mendonça nos presentear com a história de vida e com a obra de Maria das Neves no livro Uma Voz Feminina no Mundo do Folheto, de 1993, fruto de sua dissertação acadêmica, apresentada por Heloísa Buarque de Holanda. As mulheres, como sabemos, são pioneiras nos estudos sobre o fenômeno cordelístico. Citem-se Jerusa Pires Ferreira e Márcia Abreu, representando todo o aquífero feminino pesquisador. Com o livro de Maristela também tomamos conhecimento dessa letra cordelística fundadora.

Agora, pela poesia de Paola Torres, encontramos Maria das Neves assunta à personagem cordelial. Une-se no arcabouço poético às personagens arquetípicas de nossa literatura mais genuína. Funde-se com a própria arte que presenciou ser impressa por seu pai. Converte-se em muro de arrimo de nossa tradição. Coloca-se como protetora e guardiã do legado das mulheres dentro dos muros machistas ainda existentes no movimento cordélico nacional. É salutar que se mude em poesia pela pena de Paola. E direi o porquê.

Paola Torres foi presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Obrigada a renunciar por conta das manobras machistas e bem trabalhadas de meia dúzia de machos da antiga diretoria que nunca lhe respeitaram a autoridade, seja não lhe fornecendo documentos fundamentais para assumir de fato o seu mandato, seja pelo boicote às suas iniciativas. A presença de Paola nos ofertava a oportunidade de soprar a camada de pó e machismo existente por lá. Chegará o dia de vermos o ouro brilhando, sabemos.

Unem-se, nessas páginas, nesses versos rezando a tradição, nesse folheto anunciador, a vida e a obra de duas poetas: a fundadora da lírica feminina na poesia do povo e a continuadora da epopeia feminista no cordel brasileiro. Um caminho de vem desde o nascimento de Maria das Neves, herdeira poética dos antigos cantadores do sertão do Teixeira, até desembarcar em Caruaru, onde vivia dona Priscila, a bisavó de Paola, que lhe apresentou os primeiros folhetos, chegando a Fortaleza, onde a autora deste reside. Quando as mulheres se encontram no cordel, o cordel se encontra consigo mesmo.

Nando Poeta: cangaço, um tema e várias possibilidades

Caro leitor, eu pretendo
Ocupar algum espaço
Deixado por quem, outrora,
Escreveu sobre o cangaço.
E um perfil mais completo
Desse tema agora eu traço.
(A saga de Jesuíno Brilhante)

Este livro é uma antologia reunindo textos originalmente publicados entre 2010 e 2014. São os poemas cordelísticos sobre o cangaço e seus personagens. Nando Poeta cumpriu com eles a sina tradicional do cordel brasileiro de falar, em suas estrofes e versos formais, das realidades e ficções sobre esse período rico e fatídico do nordeste do Brasil. A tradição literária, em prosa (ficção e documental) e poesia (em lírica e épica), já cumprira seu intento desde Franklin Távora, com O cabeleira, vindo a José Américo de Almeida, com Coiteiros, e outros tantos observadores que encontraram no cangaço vastíssima estrela narrativa.

No Nordeste brasileiro
Travou-se uma grande luta.
A contenda entre as famílias
Foi gerando uma disputa,
Dando origem ao cangaço,
Na bala e na força bruta.
(O cangaço e o lendário Lampião)

Na poesia do povo, na base escrita ou na pauta oral, em poemas de cordel e em canções laudatórias, os personagens desse ato regional nordestino, amplificaram as terras e os céus, os corações e os destinos. Especificamente no cordel, os fundadores Leandro Gomes de Barros e Francisco das Chagas Batista, cantaram o legendário Antonio Silvino, nas décadas de 1910 e 1920. Logo depois, entre o final da década de 1950 e início da década de 1970, Manoel D’Almeida Filho e Antonio Teodoro dos Santos, tomaram em suas canetas as vicissitudes de Virgolino Ferreira e seu bando de cangaceiros.

Após descrever Corisco,
E o lendário Lampião.
O Jesuíno Brilhante
Rendeu outra narração.
Agora vem Jararaca
Nessa nova inspiração.
(Jararaca, o cangaceiro que virou santo)

O cinema, por volta de 1950 e 1960, também descobriria a seara cangacioneira e traria para as telas mundiais, ancoradas no Cinema Novo, O Cangaceiro, de Lima Barreto, e A morte comanda o cangaço, de Carlos Coimbra e Walter Guimarães Motta (indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro), passando por Deus e o Diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, chegando ao Baile perfumado, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, este de 1996. O tema está sempre a se remexer e oferecer-se para degustação artística, filosófica, sociológica e antropológica. Neste momento, em algum lugar do Brasil alguém está mergulhado em suas páginas.

Vamos viajar conosco
No percurso da história
Das mulheres no cangaço
Inserção e trajetória,
As mudanças provocadas,
Suas dores, sua glória.
(As mulheres no cangaço)

O sociólogo Nando Poeta, vestido do sol cordelístico, pesquisou o caminho, comprou livros, pesquisou fontes, viu filmes, escrutinou outros poetas, desde A chegada de Lampião no inferno, de José Pacheco, até Lampião e seu escudo invisível, de Costa Sena, para escrever, sozinho ou em parceria com Varneci Nascimento, este documento a que intitulou Dias-Noites-Madrugadas: vida, paixão e sangue no sertão do cangaço. Salientamos que os poemas reunidos estão impressos como o foram nos originais, sem atualização ou revisão profunda, para que os leitores e pesquisadores dos temas cordel e cangaço observem o crescimento, o fazer poético de um autor que se pauta pela pesquisa.

À época todos pensaram
Que a morte de Lampião
Poria fim ao cangaço
Sendo enterrado no chão
Sem deixar nenhum vestígio
Por todo vasto sertão.
(Corisco, o vingador de Lampião)

Ressalte-se que um dos textos ( Maria Bonita, a paixão de Lampião) é uma produção de 2018 inédita em livro, publicada especialmente nesta antologia. É de muita importância sua presença pois sendo um texto mais recente será possível aos leitores, observadores e críticos analisar a trajetória poética do autor, as mudanças em sua escrita, possíveis avanços e encaminhamentos. Com esta reunião sobre o cangaço, Nando Poeta fecha um ciclo e abre outro: o de reflexão sobre as potencialidades do cordel brasileiro. Diga-se, ainda, ser aqui o primeiro título do selo Leandro, destinado a publicações especiais em cordel, homenageando o primeiro sem segundo Leandro Gomes de Barros, o pai do sistema cordelístico brasileiro.

Uma história de amor
Deu outro rumo ao cangaço
Sendo as mulheres aceitas
Aos poucos ganham espaço
O cangaceiro é flechado
Totalmente dominado
Por chamego, beijo, abraço.
(Maria Bonita, a paixão de Lampião)


Independência Poética: Danilo Lumiano

Independência Poética é uma série de entrevistas realizadas por LORENA LACERDA

Poeta de hoje: Danilo Lumiano

Danilo Lumiano, Poeta e agitador cultural de Irará-Bahia, já lançou os livros Nascedouro (2018), O atirador de Pedras (2019) e Necrobrazil (2022) usa a palavra como espada e escudo na luta por um mundo melhor

O que te inspirou a começar a escrever?

Com toda certeza, foi a vida, em suas mais diversas expressões, desde a cultura popular de minha terra Irará, há indignação com as questões sociais do nosso país, somado com uma forte conexão com a natureza e a espiritualidade.

O que você faz quando percebe que está com bloqueio para novas poesias?

Não me desespero, não sou do tipo de poeta que tenha uma rotina de escrita, busco uma rotina de leituras e experiências, é isso que me motiva a escrever os versos que gritam da minha mente inquieta

Seu maior sonho como escritor(a)?

Ser sustentado pela minha arte, que o que escrevo ajude a transformar pessoas e a sociedade, que minhas palavras levantem pessoas que já tenham desistido de seus sonhos.

Assunto preferido de escrever?

Por preferir, falaria das minhas conexões com o divino, do sobrenatural, de como é abundante a energia o universo, mas escrevo o que não pode se calar, então por isso as minhas ultimas publicações foram de poesias politico sociais

Um elogio para sua própria escrita?

Um apaixonado pelo ritmo do texto e o encontro dos fonemas

Já publicou algum livro? Quais? Caso não, tem planos?

Publiquei em 2018 o Nascedouro e 2019 o atirador de pedras pela editora Varekai e no ano de 2022 eu publiquei o Livro NECROBRAZIL pela Mondru Editora

Quais inspirações do cotidiano despertam sua escrita?

Acontecimentos do mundo, feiras livres e suas expressões, natureza em abundancia, e paixões

Qual dos seus poemas mais te define?

Calça de Veludo

Qual a parte mais fácil e mais difícil da escrita para você?

Nossa, a parte mais fácil é derramar as palavras iniciais da inspiração, a difícil é lapidar isso, para formar um texto coeso, potente e belo

Qual sua obra favorita de outro autor(a)?

Uma das obras que me transformou foi ler sobre a vida Eisten no livro de Humberto Rodem O Enigma do Universo. Mas não tenho obra favorita, adoro muita gente.


Um livro de Danilo Lumiano

Nome da obra?

NECROBRAZIL

Quando e em qual editora foi publicada?

Lançado em 26 de Novembro na Casa Gheto na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) pela Mondru Editora ( Goiás )

Existe um tema central nos seus poemas/poesias? Qual?

O tema central é o estado Brasileiro em necrose, onde narra um país que usa suas forças do estado para exterminar determinado tipo de população em meio uma pandemia.

As poesias são divididas em fases nessa obra? Se sim, o que te motivou a fazer isso?

O Livro é um poema único em narrativa presente, que é dividido por um conto em uma narrativa no passado.

O que te incentivou a escrever esse livro?

Fui provocado a escrever para um selo anti-fascista, estava fazendo uma oficina de escrita Híbrida com a escritora Mel Renaut, responsável também pela provocação, indignando com a situação do país e motivado pela nova habilidade adquirida, nasceu o Necrobrazil

É possível destacar uma poesia que mais se assemelha a seu cotidiano?

Como o livro é um poema único ele traz uma experiência de um cotiando triste de um nordestino isolado em São Paulo, enquanto o apocalipse vai acontecendo.

A sequência dos poemas conta alguma história?

Sim, o poema é um relato de dias desesperadores durante a pandemia no Brasil

Existe algum posicionamento político ou cultural na obra?

Sim, um posicionamento expresso no grito que Morre um preto a cada 23 minutos e que não podemos aceitar isso com naturalidade, o livro também aborda extermínio indígena, queimadas, desmatamento, e outros ataques sofridos por minorias.

Qual a relevância dos personagens implícitos/explícitos da obra?

A obra é uma narrativa de um artista nordestino, o que ele vê e vive é o ponto central da obra, um narrador personagem.

Qual a poesia mais marcante desse livro?

O livro é um poema único como já falei, porém tem um trecho antes da transição para o conto, que é uma citação de um poema do meu segundo livro que retrata uma ideia central do que é o livro Necrobrazil, e ele diz:

Nessa onda de BBB
Boi, bala e Bíblia.
A idade média
Parece viva
Pagando pato
Fazendo dívida
Batendo palmas
Pra genocidas
Tem veneno no ar
E no prato de comida
Devorando a terra
Ao molho de sangue indígena


Monólogos de Nakamela

MONÓLOGO

Sempre me vi errada, me vi distorcida. Não sabia me carregar, nem andar, nem falar, nem vestir. Era um corpo grande demais para a minha alma. Desconfortável! Escondia-me por detrás da minha cara fechada, e nas possibilidades que a solidão me oferecia. 

Levei muito tempo até começar a me ver, demorei muito a crescer. E doeu, mas reconheci-me!

Traduzi para prazer todo o amor que queria me dar, todo amor que eu gostaria de receber, entreguei a mim mesma numa bandeja de ouro e curvei-me aos pés da rainha que de mim agora nascia. 

Demorei um pouco até ver quem realmente sou, hoje aceito e mais do que tudo respeito. 

Quero dar a mim a paz que ofereci ao mundo, a paz que por muito tempo desejei mais do que tudo.

Não quero precisar de caber em lado nenhum. Não quero fazer parte de nada que não entre em comunhão com a minha alma. Mas digo isso no verdadeiro sentido da palavra. O que for para mim que seja como o que a chuva e  para a terra, ou que o sol e para os humanos. 

MONOLOGO II

Não se diminua para caber 

Se estiver a ser sincera a maior parte do tempo aqui nesse plano eu passei a tentar encaixar, a tentar caber. Mas para isso eu tive de me diminuir, tive de ir cortando pedaços de mim, parte essenciais até que finalmente eu própria não mais me reconheci. Eu tive de ir largando, largando, até que finalmente o que tanta força eu tentei segurar largou-me também, por não me reconhecer, por não me sentir mais. 

Não havia calor em mim, o que me guiava era indesejoso intenso de ser aceite. “ agora sim “ essas palavras acendiam luzes em mim, em quartos que eu não sabia que existiam. 

Perdi de vista a mulher que sempre quis ser, decepcionei a criança que fui, e no final já nao sabia para onde ir, para quem olhar, como ser e nao sentir desconforto. Perdi a certeza de tudo, perdi a clareza sobre tudo, perdi a minha bússola. Desorientada, atirei para todos os lados, com medo do escuro, botei gasolina em mim mesma na esperança de ver, ainda que por segundos, o caminho a frente com um pouco mais de clareza.


A poeta e escritora angolana Maria Chimbili, conhecida como Nakamela, nasceu no Huambo em 1994. Formada em ciências sociais, a escritora analisa a “cura” como mudança social, pois acredita que o autoconhecimento seja uma das formas de alcançá-la, impulsionando o desenvolvimento pessoal e profissional de cada cidadão.

“Gosto de acreditar que a minha escrita funciona como uma maquina do tempo que leva as pessoas para o passado e para o futuro, aquecendo sentimentos que se encontravam frios e acendendo luzes em quartos esquecidos. Desejo escrever livros que sirvam como arma contra sentimentos que matam.”