Teatro Rival de cortinas abertas!

Neste instante, enquanto conversamos, o Teatro Rival está sem patrocínio para continuar suas atividades. A Refit Refinaria encerrou com a parceria com essa pedra preciosa da cultura carioca, e brasileira. Prestes a completar 90 anos de uma história bonita demais, o Rival precisa que a gente se organize em torno dele. A Angela e a Leandra Leal, que levam o Rival nos dentes e na alma, são duas guerreiras, mas apoio é mais que comentários positivos nas redes. É preciso uma mobilização, um círculo de proteção em torno do Rival. E isso a gente consegue frequentando os shows, divulgando a programação e defendendo o Rival

Não sei o risco disso acontecer, mas o Rival não pode fechar por falta de dinheiro em pleno governo Lula, na gestão de Margareth Menezes na Cultura.

Então, o que temos vindo por aí pra prestigiar no Rival?!

SÉTIMA TEMPORADA CHEGA À SEMIFINAL

As batalhas do concurso DragStar foram acirradíssimas, e somente 12 queens chegaram à semifinal, que vai se realizar no dia 10 de maio, no Teatro Rival Refit. O público decidiu as ganhadoras dos duelos, e as juradas salvaram suas preferidas. E agora? O que será que as candidatas estão preparando para a nova fase?

Assista o vídeo da final do concurso DragStar no ano passado no Rival, em matéria da TV Folha do Centro.

Final do concurso DRAG STAR 2022 no Teatro Rival Refit , na Cinelândia – 11/05/2022 — o DragStar, que já é tradição na programação do Teatro Rival Refit, é um concurso para drags de todos os estilos e tempo de carreira, inspirado no formato dos reality shows The Voice e XFactor.

Serviço:
Data: 10 de maio
Horário: 19h30
Ingressos aqui


No dia 11 de maio, a cantora Kay Lyra homenageia o pai, Carlos Lyra, que comemora seus 90 anos de vida, e aproveita para também marcar os 65 anos da bossa nova no show “Kay Lira canta Carlos Lyra” no Teatro Rival. No repertório, estarão clássicos como “Você e eu”, “Minha namorada”, “O negócio é amar”, “Sabe você”, “Marcha da Quarta-Feira de Cinzas”, “Influência do jazz”, todas composições de Carlos Lyra, e também “O barquinho”, “Águas de março”, “Chega de saudade”,  entre outras referências à bossa nova. O show conta com a participação especial de Mauricio Maestro (voz, violão e direção musical) e dos músicos Alberto Chimelli (piano e teclados) e Erivelton Silva (bateria).

Serviço:
Data: 11 de maio
Horário: 19h30
Ingressos aqui


Vai ter homenagem à Jovem Guarda no Teatro Rival, no dia 13 de maio, com Os Correas. Qualquer semelhança não é mera coincidência. Os primos Bruno Galvão, Beto Filho e Diego Saldanha juntaram-se para formar o grupo, mostrando que a máxima “filho de peixe, peixinho é” está a todo vapor. O trio faz parte da nova geração da família Correa, formada pelos irmãos que integram os grupos Golden Boys e Trio Esperança, que fizeram (e ainda fazem) história na música popular brasileira. Bruno é filho do Mario Corrêa (da formação original do Trio Esperança e que atualmente integra os Golden Boys), Beto herdou o talento do seu pai (o saudoso Roberto Corrêa, dos Golden Boys) e Diego do Renato Corrêa (Golden Boys).

Serviço:
Data: 13 de maio
Horário: 19h30
Ingressos aqui


Foto de Toinho Castro

HISTÓRIA DO RIVAL

Inaugurado em 1934, período áureo da Cinelândia, o Teatro Rival abriu suas portas com a peça “Amor”, de Oduvaldo Vianna. Esse sentimento de amor à arte e à cultura brasileira norteia nossos ideais e trajetória até hoje.

Somos um espaço democrático e berço da diversidade cultural no país. Tornamo-nos uma das marcas mais tradicionais do Rio de Janeiro por sempre empunhar a bandeira do amor e por lutar pela resistência da arte acima de qualquer ameaça.

Enfrentamos ditaduras, diversas obras no centro da cidade, e vencemos os vários planos econômicos fracassados. Agora, graças à resiliência e à competência de nossa equipe, seguimos firmes rumo a nove décadas como o palco da cultura carioca. Resistimos à pandemia mantendo-nos como porto seguro para nossos artistas e nosso mais que querido público. O nosso compromisso com a cultura mantém-se mais firme do que nunca. A cultura é a alma do povo, e o Rival faz parte da alma carioca.

O Teatro Rival tem em sua história o compromisso com o humor, a irreverência e a ousadia, apontando para a diversidade, a tradição, a inovação e a qualidade artística. Por trás da longevidade do teatro, está sua capacidade de transformação.

Sob o comando de seu precursor Américo Leal, o teatro foi um dos principais palcos do teatro de revista. Depois, o palco recebeu toda a geração do chamado teatro rebolado. Em meio à ditadura militar, o caráter alternativo da casa foi enfatizado com os seus famosos shows de travestis.

De Grande Otelo, Oscarito e Dercy Gonçalves a Rogéria, Jane di Castro e Divina Valéria, o Rival permaneceu como espaço democrático e grande referência da vanguarda carioca. Já sob minha direção, o palco do teatro tornou-se o berço de gerações de artistas da música popular brasileira: Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Alcione, Arlindo Cruz, Luiz Carlos da Vila, João Nogueira, Cauby Peixoto, Elza Soares, João Bosco, Emílio Santiago, Luiz Melodia, Ivan Lins, Cássia Eller, Lenine, Adriana Calcanhotto, Seu Jorge e tantos outros artistas lançados, valorizados ou resgatados.

Nestes 89 anos, inúmeros eventos de sucesso foram realizados em nosso palco, e posso dizer que estamos preparados para mais, para muito mais. Seguimos firmes em nossa missão de difundir a arte em suas mais diversas formas de expressão. O Teatro Rival permanece vibrante com sua inequívoca capacidade de se reinventar culturalmente e representar – como poucas instituições são capazes de fazer – a alma carioca.

Os shows permanecem centrais na proposta do espaço, mas novas peças de teatro e animadas festas que celebram a diversidade também são parte da programação. Além disso, o espaço permanece sendo uma histórica opção de locação para eventos, com infraestrutura completa de palco, salão e cozinha para atender a qualquer demanda.

O Rivalzinho, que se consagrou como um dos bares mais interessantes da cidade, continuará sendo ponto de encontro para o esquenta e pós-shows do Teatro Rival.

Agora vamos viver juntos a retomada, construindo um futuro melhor e mais vibrante sempre. Estamos prontos e de braços abertos para recebê-los e realizar seus eventos.

Angela e Leandra Leal

Biblioteca, lugar de imaginações!

Texto de Toinho Castro


Começa a conversa sobre livros e leitura e tudo circula em torno do preço do livro ou que as livrarias estão acabando, que ninguém gosta de ler, que as livrarias estão acabando, e que o livro está caro e as pessoas preferem ir ao bar que ir numa livraria e as livrarias estão acabando.

A Biblioteca frequentada por anjos em Asas do Desejo, de Win Wenders

É verdade. A onipresença devoradora e sem controle da Amazon está devastando o comércio tradicional de livros, a livraria. O que é uma pena, porque ir a uma livraria é um passeio e tanto. E cada vez mais as livrarias estão tendo que se virar para se tornar atrativas, porque o livro não parece ser suficiente para levar gente até elas. E tome sarau, clube de leitura, debates, encontros e outras virações importantes para manter o negócio de portas abertas.

Mas gente, e as Bibliotecas?

Dessa gente que lê, que eu conheço, que conversa sobre livros… não ouço um fonema sobre Bibliotecas. Essa ligação imediata do livro à propriedade (comprar livros), às questões capitalistas (preço livro e mercado livreiro), parece-me insuficiente para debater a leitura. E a Biblioteca? Onde elas estão? Em que condições de funcionamento? Como estão seus acervos?

Biblioteca 13 de maio – Recife

A verdade é que não disponho de pesquisas ou informações suficientes sobre o tema. Nem mesmo sou qualificado para discuti-lo seriamente. Apenas sou acometido por essa sensação de que ninguém liga muito para Bibliotecas.

Discutir a questão do acesso à leitura pelo viés da livraria é muito excludente. Boa parte da população não consegue comprar livro, nem se for barato. Essa gente precisa da Biblioteca. Gente, eu preciso da Biblioteca no meu bairro, pra não ter que comprar todos os livros que eu quero ler. Porque eu não preciso possuir um livro. Eu só preciso lê-lo. Biblioteca é uma coisa que todo mundo precisa, ainda que na dormência do neoliberalismo selvagem não o perceba.

Bem sei que possuir um livro, ter um exemplar estacionado em casa, é algo ligado à nossa afetividade também, claro. Mas os livros da Biblioteca também são meus, e de quem mais vier. Dá pra criar afeto na Biblioteca. Quantas vezes eu vi num filme estrangeiro, desses bem bobos, um primeiro beijo na Biblioteca da escola?! Não são poucas as ocorrências de Bibliotecas nas produções norte americanas. Em Asas do desejo, de Win Wenders, a Biblioteca é frequentada por anjos.

O centro da vida comunitária precisa ser a biblioteca, e não a academia de ginástica.

Biblioteca Parque da Rocinha C4
Foto de Caru Ribeiro

Quando foi a última vez em que você ou eu fomos a uma Biblioteca? E não vale a Biblioteca Nacional ou o Gabinete Português de Leitura, pra tirar foto.

Pode ser que eu esteja muito errado nessas observações. Certamente tem movimentos legítimos, de valorização e resgate das bibliotecas. Iniciativas existem e eu e vocês precisamos nos posicionar melhor pelas bibliotecas e brigar por elas. A Biblioteca é esse espaço do sonho, da leitura fora da ótica do mercado; um espaço de imaginações e descobertas. Precisamos de mais delas espalhadas por aí, funcionando de verdade, com belos acervos, manutenção e gente boa trabalhando nelas, e gente vivendo o espanto de ler um livro.


O duplo refletido | Poemas de Lorraine Ramos Assis

“O duplo refletido” nasceu como um projeto que buscava uma escrita híbrida e que, apesar de ter sofrido muitas alterações desde seu projeto inicial que imitava o formato diário, sempre teve intenção de abordar experiências de vida relacionadas com o feminino e a violência de gênero, luto e orfandade e as consequências dessas vivências na saúde mental.

Tive a intenção de colocar essas discussões em evidência de modo cru, mas ainda com cuidado dado a natureza dos temas. Acabamos de sair da pior fase de uma pandemia com dezenas de milhares de mortos, logo, como o luto não pode ser discutido?”

— Lorraine Ramos Assis

Três trechos de “O duplo refletido” (Folhas de Relva Edições, 2023), livro da poeta carioca Lorraine Ramos Assis

1

No Brasil, século dezenove, discutiam sobre a mulher gozar dos mesmos direitos da herança no decreto 181. Obstáculos não mais existiam, mas sim uma arquitetura de um mesmo sobrenome a desfrutar os direitos dos filhos. Não importava a decisão profissional de nossos companheiros, ou a educação dada a quem foi parido nesses mares. Na França, os obstáculos eram garantidos pela confiança na organização hierárquica com barras.
Barras memoram prisões.
Quero sair desse cômodo e nunca mais voltar. Olhar para a face fluvial do mirante azul, a que reconheço desde os afogamentos. Entoar o que me tornaram e falar a língua daqueles a terem me conferido induções dramáticas. Sempre gostei ou melhor, me forcei a ser o palco. E no palco exprime-se imagem e essência, confundindo o telespectador como coautor dos malabarismos linguísticos. E assim fujo.
Polida: se minha fala está feita de extravagâncias, conjuntas às maiores obsessões, na vida sou um silêncio para quem a face é demolida tal qual um imóvel ou um espólio de antigos maridos.

2

Onde eu estava?

Eu não me lembro.
eles fatigam meu nome, mas não me lembro.
Lili.
Parei. Pensei na própria regata preta e no canal revisitado perto da lanchonete.
As vias estavam obstruídas, não havia mais caminho a ser percorrido.
Lili.
Lineia.

Era esse o meu nome?

Flor de tulipa rasgada, libero o pó para que saiba
Ainda vivo
Mesmo não sabendo onde
Amnésica
Caminho sem mais mastigar a barbárie
Recordo-me a perpétua luz projetora do futuro daquele que me disse

Somos todos sonhadores. Mas quem está sonhando?

3

sentindo o ar preso em corpo de perpétua fuga
consegui fisgar um semblante de madeixas pretas nariz adunco
o olhar a que chamavam

a doçura enigmática fora do escudo marmorizado

contudo a garota (ou qualquer coisa a ser) contornava tanto os seus gestos que as madeixas por desespero foram cortadas uma a uma e essa pessoa de tanto assinar e esconder o último sobrenome daquele homem sentia não existir mais

se ela não sentia nada desde tenra idade

quem era eu, afinal?

Lineia
Ou
Lyna?


Lorraine Ramos Assis (@catarsesoculares), de 26 anos, é poeta, resenhista e editora. Foi publicada em diversas revistas/jornais nacionais e estrangeiros, tais como Jornal Cândido, Cult revista, Relevo, Granuja (México) e Incomunidade (Portugal). Colabora para São Paulo Review e Revista Caliban, além de integrar o corpo de poetas do portal Fazia Poesia. Pesquisa sobre a marginalização feminina em obras ficcionais/biográficas. “O duplo refletido” (Folhas de Relva) é seu livro de estreia.


A morada

Texto de Ana Egito — O céu é o limite do meu olhar, ávido, encarnado, na busca incessante das verdades que mudam o rumo das nossas vidas, na fé inabalável em um Deus que me permite ser melhor e mais confiante, frente às incertezas que rondam como sombra o cotidiano, o presente, nela, está o futuro que se abre aos meus pés. 

Texto de Ana Egito


Queria morar bem perto das nuvens, abraçá-las ao despertar e chorar junto ao seu orvalho, por pura emoção ou saudade de tudo e de tantos que ainda fervem em mim.

O céu é o limite do meu olhar, ávido, encarnado, na busca incessante das verdades que mudam o rumo das nossas vidas, na fé inabalável em um Deus que me permite ser melhor e mais confiante, frente às incertezas que rondam como sombra o cotidiano, o presente, nela, está o futuro que se abre aos meus pés. 

Tomada pelo desejo, absorta e presa aos meus pensamentos, posso ter deixado de me enveredar por amores soltos da vaidade, e por não serem assim, únicos e predominantemente genuínos de um encantamento puro e angelical, guardei-me em segredos só confessos às estrelas, tendo a lua como testemunha a não me sentenciar, os tempos idos, combinados aos hormônios que flagram paixões, deixaram suas lições para que na calmaria da maturidade em sua chegada, entendesse que o amor se propaga como a luz, trazendo vida onde os espinhos deixaram suas marcas, calmaria, onde muitos embates derramaram sangue, lucidez, onde dúvidas deixaram de assim ser, pois que o amor próprio se encarrega de trazer de volta o brilho nos olhos de quem só quer paz.

Ao fazer das nuvens meu palco sagrado, não me escondo, vôo, planando sobre a geografia que me encanta, nada é mais sublime que reconhecer-se em seu lugar, suas origens, ao mesmo tempo, me desfaço e me revolto ao ver ressoar os gritos que emudecem suas vítimas que ao chão, se ajoelham e rogam por um momento de luz, justiça, razão.

Foto de Ana Egito

Agenda Rival: Show de Luiz Carlos Sá

O cantor e compositor Luiz Carlos Sá – que fez trio com Rodrix e Guarabyra, e depois dupla só com o Guarabyra – lança seu CD “Solo e bem acompanhado” no Teatro Rival, no dia 19 de maio, sábado, com show às 19h30. 

— Revista Kuruma’tá apoia o Teatro Rival —

O cantor e compositor Luiz Carlos Sá – que fez trio com Rodrix e Guarabyra, e depois dupla só com o Guarabyra – lança seu CD “Solo e bem acompanhado” no Teatro Rival, no dia 19 de maio, sábado, com show às 19h30. 

O repertório preparado para o lançamento conta com vários de seus sucessos em mais de 50 anos de carreira como, “Caçador de mim”, “Dona”, “Mestre Jonas” e “Sobradinho”, além é claro, de inéditas deste primeiro CD solo.

Sá é legítimo participante da geração pós-tropicalista na história da nossa MPB. Entre seus parceiros frequentes ou eventuais, além de Guarabyra, estão representantes de diversas gerações e tendências da música brasileira, como Zé Rodrix, Flávio Venturini, Sérgio Magrão, Torquato Neto, Ivan Lins, Chico César, Almir e Gabriel Sater, Frejat e Zeca Baleiro.

SERVIÇO

Data: 19de maio, sexta-feira
Horário: 19h30 (Abertura da casa às 18h30)

Local: Teatro Rival
Endereço: Rua Álvaro Alvim , 33 – Subsolo – Cinelândia/Rio de Janeiro (Clique aqui para localizar no mapa)
Telefone: (21) 2240-4469

INGRESSOS

Venda online via Sympla

E na bilheteria do Teatro Rival: De quarta-feira a sexta-feira (15h às 20h) e sábados (somente em dia de shows – 16h às 20h30)


Independência Poética: Erika Genebra

Independência Poética é uma série de entrevistas realizadas por LORENA LACERDA

Poeta de hoje: Erika Genebra

mulher brasileira multifacetada. cheia de inquietude de si. gosta de carregar perguntas e ser curiosa das coisas do mundo. poeta, psicóloga e pesquisadora multidisciplinar. autora de “a quietude das coisas – poemas para seres vivos” é sua primeira obra literária-poética.

O que te inspirou a começar a escrever?

me perceber viva. me relacionar com a amplitude e complexidade que é se fazer vivo,

O que você faz quando percebe que está com bloqueio para novas poesias?

não sei exatamente o que você chama de bloqueio. a minha experiência é permeada por tudo que vivo, sinto, observo e atravesso. faço a seguinte leitura, as coisas se dão através do fluxo. cada momento me apresento de uma maneira. venho aprendendo a observar quando esse corpo tem fome em colocar as palavras para fora, seja digitando no notebook, ou pegando uma caneta na mão. quando o mesmo corpo escreve de outras maneiras. descansando, dançando, lendo. eu vejo como uma grande dança, com passos e ritmos diversos. se estou na presença para acolher, sinto que tudo flui para onde tem que fluir. e, cada projeto-obra, acontece como tem que acontecer. de uma maneira muito orgânica e própria,

Seu maior sonho como escritora?

tenho fome de mundo. com isso, tenho muitos sonhos. um escritor não existe sem o leitor. eu desejo ser lida,

Assunto preferido de escrever?

não escolho os assuntos. eu escrevo diante do que me atravessa. mesmo as vezes não querendo falar sobre aquilo. existe uma força própria da palavra e das temáticas para além do que escolhemos. talvez, diante da nossa experiência no mundo, os assuntos vão nos escolhendo como aliados. percebo que minha escrita é permeada sobre o tempo, o corpo, o amor. de alguma maneira de como enxergamos as coisas do mundo,

Um elogio para sua própria escrita?

não sei se é um elogio, mas é um fato. eu só sei escrever diante do que pulsa, angústia e me atravessa,

Já publicou algum livro? Quais? Caso não, tem planos?

“a quietude das coisas – poemas para seres vivos”
e-book – “maria mulher cartografia de nós”

Quais inspirações do cotidiano despertam sua escrita?

a vida. o mistério. o vazio. a morte. o assombro. o silêncio. olhar nos olhos. histórias de amor,

Qual dos seus poemas mais te define?

todos de alguma maneira me definem e nenhum me limita,

Qual a parte mais fácil e mais difícil da escrita para você?

escrever é escrever. é jorrar. é ser. abrir o corpo. os poros.
qual formato dessa escrita já é outra questão. na minha experiência em escrever a quietude, um dos desafios foi compreender o que de fato essa obra pedia em cada detalhe. esse me parece um trabalho de devoção, presença e paciência,

Qual sua obra favorita de outro autor(a)?

são tantas. a lista é enorme. sou completamente apaixonada e alucinada por Hilda Hilst,

 


Um livro de Erika Genebra

Nome da obra?

“a quietude das coisas – poemas para seres vivos”

Quando e em qual editora foi publicada?

lançado independente, em novembro de 2021,

Existe um tema central nos seus poemas/poesias? Qual?

as coisas no mundo e como nos relacionamos com elas,

As poesias são divididas em fases nessa obra? Se sim, o que te motivou a fazer isso?

cada capítulo é um corpo vivo. uma investigação sobre um tema central das coisas do mundo. não sei o que motivou, sei que essa obra precisava nascer assim,

O que te incentivou a escrever esse livro?

estar colada na minha angústia e curiosidade,

É possível destacar uma poesia que mais se assemelha a seu cotidiano?

avesso

outro jeito de ser

carrego um sentimento de profunda inadequação em me perceber no mundo. além de sempre me sentir na contramão, talvez nasci do avesso,

A sequência dos poemas conta alguma história?

arrisco dizer que de alguma maneira sim,

Existe algum posicionamento político ou cultural na obra?

tudo é político. viver é um ato político. minha obra é atravessada por essa perspectiva,

Qual a poesia mais marcante desse livro?

cada pessoa que se encontra com a obra, algo fica mais vivo. também me interessa saber sobre,


Um poema de Maria Gabriela Cardoso


Nossa poeta de hoje é Maria Gabriela Cardoso, 24 anos, gaúcha de Montenegro, atualmente morando no litoral norte de Santa Catarina. Vegetariana, amante das plantas, animais e livros. Formada em Administração Pública e Auxiliar de Contabilidade. Membro do Coletivo Escreviventes e idealizadora do Coletivo Literário Escribas. Escreveu seu primeiro conto “Ela Era Eu” aos quinze anos, mas só passou a pensar na possibilidade de ser escritora aos dezenove anos após ler a biografia de Clarice Lispector. Aos vinte e um anos, passou de fato a se dedicar profissionalmente à escrita, tornando essa, a sua profissão. Escreve contos, poesias, crônicas e novelas com o pseudônimo Lua Pinkhasovna (“pinkhasôvna” ou “pinkhasóvna”)  para revistas, podcasts e antologias, assim como também para seus canais próprios intitulados Excertos Diários. Vencedora do 1° Concurso de Itapemirim/ES em homenagem ao Newton Braga e do II Concurso “Literatura de Circunstâncias”, organizado pela EdUFRR, e participante das antologias Poesia Minimalista, Infâncias, Comer é Um Ato Político, Chorando Pela Natureza: Poesias sobre a Geopolítica Ambiental,  A Poesia Não é Inofensiva, e entre outras, da Editora Toma Aí Um Poema, assim como também da Coletânea de Poemas Bertha Lutz, e Até Quando o Carnaval Chegar, da Editora Persona. Em pouco tempo, acumulou uma longa lista de trabalhos realizados em diversos canais. 

Café de Amanhã

Pão na chapa enche de açúcares
os vasos sanguíneos do burguês ao acordar 
de açúcares padece o corpo cansado
sem pão na chapa na mesa ao levantar 
 
Frutas fornecem nutrientes essenciais,
lipídeos e vitaminas que enchem o cérebro de energia; 
uma uva, uma manga, uma banana
trocam de preços todos os dias no mercado: 
a saciedade está tão cara comprar!
 
Mas o pão, o pão têm simbolismo divino 
na alimentação
foram multiplicados, são o corpo de Cristo 
cada pedaço fora dividido após terem sido ungidos 
em suas santas bênçãos
 
Hoje, à mercê do Estado
que não é divino,
nem pai, nem democrático,
o pão, de tão caro contrasta desigualmente
com miseráveis salários
condenando à inanição!
 
O pão divide o burguês do proletário;
enquanto a mão de um estica-se 
para no miolo algo ali passar 
outras, juntas, rezam à noite 
para quando, no café da manhã 
do amanhã,
o estômago logo acordar.

A Kuruma’tá ama o teatro da UERJ!


Gente que segue a gente, vocês amam a UERJ , né?! E vocês frequentam a UERJ? E o Teatro da Uerj, você conhecem? Então se liga!


A Divisão de Teatro  da UERJ preparamos a programação do mês de Maio para todos os gostos!! E você que é Comunidade UERJ tem ingresso promocional em nossos eventos!

Teremos Instalação audiovisual Retratos da UERJ com entrada livre e gratuita na Concha Acústica Marielle Franco.

Mostra de Espetáculos do VIII Encontros Arcanos no Teatro Noel Rosa

Show de comemoração dos 20 anos da AH!Banda

Show Autoral do multiartista Mauro Portugal comemorando 40 anos de carreira

Show Instrumental do trio Sunomono


CLIQUE AQUI PARA RESERVAR SEUS INGRESSOS!!

Formação de plateia: Para todos os nossos eventos, reservamos uma cota de ingressos gratuitos para agendamento de turmas de alunos e professores/diretores de Escolas, Universidades e Projetos sociais.
Preencha nosso FORMULÁRIO DE FORMAÇÃO DE PLATEIA e traga a sua turma!

  • Os Teatros possuem elevador para pessoas com mobilidade reduzida.
  • Emitimos Certificado de Horas Complementares (AACC)
  • Para retirar o seu certificado, responda à nossa pesquisa de público. É só escanear os QR codes espalhados pelo teatro. É super rapidinha!

QUER SABER COMO CHEGAR? Assista ao reels explicativo!
Taxi/uber podem entrar na UERJ pelo portão 7 (Avenida Presidente Castelo Branco, próximo ao 346)

Para saber mais sobre os eventos e nossa programação, siga nosso instagram @teatrosuerj


Divisão de Teatro da UERJ
Teatro Odylo Costa, filho
Concha Acústica Marielle Franco
Teatro Noel Rosa

PR3 | DECULT
Fone: +55 21 2334 0681
Mail: [email protected]
End: Rua São Francisco Xavier, 524 – Maracanã


Prefácio

Texto de Luiz Fernando de Oliveira


Minhas distâncias ficaram maiores. É o preço que pago tentando não sofrer. Passo por outras ruas, dou voltas, retardo as chegadas. A pé eu me canso, mas não encurto os meus caminhos por aquela rua, não mais.

Paralelas à rua onde moro, na direção do centro da cidade, há outras duas, uma rodovia e depois, mais abaixo, aquela que me obrigo a esquecer, da qual agora fujo. Pudera eu arrancá-la do chão onde se finca e extirpá-la por inteiro de mim.

***

Eles ficavam sempre juntos. As minhas idas e voltas ao trabalho, ao mercado, ao verdurão e à academia eram alimentadas com a alegre visão dos dois, ali, na rua que facilitava as minhas peregrinações cotidianas, ligava com rapidez a minha vida ao lado de lá, satisfazia a minha pressa, e hoje me força a ser menos ansioso. E menos contente.

Na primeira vez que os vi eu percebi que eles já estavam velhos, pois a velhice se mostra da mesma forma em tudo o que vive. Ela imprime nas faces o selo da debilidade, reduz a marcha dos corpos à máxima lentidão, amarela o verde, branqueia o colorido, faz murchar o viçoso. Para os dois, porém, o tempo era desimportante: aqueles… ¿companheiros?, sim, creio que os possa chamar desse modo, viviam o seu hoje eterno – ¿o passado?, uma quimera, ¿o futuro?, ¡nunca seria! Não para eles.

Passando, via-os lado a lado, esquentando sol – como dizemos os mineiros – no tempo do frio. Para a chuva nem ligavam. Ela era vida. Não nascem muitas flores do chão seco. No calor aconchegavam-se debaixo da primeira marquise que encontravam ou sob cacos de telhados. Era tudo muito simples: acompanhar o movimento da Terra e ir para onde o seu giro mandasse luz ou sombra. ¿Complicar para quê?

¿Era amor o que alimentavam um pelo outro? Pode ser… Para mim, que os via de fora, certamente. Corriam, mesmo as forças já não sendo tantas, agradavam as pessoas, mas não a todas, odiavam humanamente o ruído das motos, contra o qual praguejavam a seu modo, espreguiçavam e se refestelavam com a vida. Vida que passa.

***

Certo dia, passando por ali, vi apenas um. Olhei ao redor. Nada. “Deve estar descansando”, pensei. E passei no outro dia, e em muitos. Nem sinal do outro. Foi quando o olhar triste do que ficou me denunciou o fim daquela… ¿amizade? O amigo, ou seja lá o que for, havia morrido, mas a esperança do que ficou vivo foi o que mais me doeu – ainda dói. Ele olhava numa mesma direção, ansioso pela volta do companheiro que – isto ele não podia nem pode saber – não retornará, e esta é a crueldade da esperança. Seus olhos fincados no horizonte, ressecados pelo pouco piscar, eram desoladores. Pondo-me infantilmente em seu lugar, eu imaginava seus pensamentos, se é que ele pensava:

“¿Ele foi embora? ¿Por que? ¿Será que volta? ¡Ah, vai voltar! ¿Mas, então, que demora é essa? Era todo dia nós, agora sou só eu. ¿É assim mesmo? ¡Ali, ali, lá vem! Não, fui enganado pela sombra, pelos barulhos, pelos sorrisos de quem mente para mim. ¿E eu, vou ficar aqui sozinho? ¡O combinado não era esse! A gente ficaria aqui até o mundo não ser mais mundo, até as motos se extinguirem, os carros serem corroídos pela ferrugem, as pessoas se tornarem melhores. Acabou. Saudade”.

Vê-lo me entristece. Imaginar que tudo isso, mesmo sem as palavras, poderia se passar no seu coração, acaba por me destruir. Se ele se conformar então, será o seu fim.

Egoísta que sou, decidi não passar mais por aquela rua, para não vê-lo e parar de imaginar a sua dor. As minhas já me doem o suficiente. Sou covarde. Refugio-me na crença de que sou incapaz de fazer algo por ele, e vou levando nos ombros o peso da minha omissão. Conforto-me ao saber que, como humano, sou limitado. Embriago-me na fantasia de que ele já esteja bem, num presente que seja capaz de apagar o passado – passado que para ele e o amigo nunca existiu.

O passado dói.

Aquela rua não mais me verá. Eu não suporto o tamanho daquela solidão. Furto-me para outros longes. Caso eu viva ainda tempo suficiente para perder muitos amigos e belas visões, com certeza deixarei de passar também por caminhos que me remetam a eles e elas. Se eu viver por muito tempo, morrerei ainda para muitas ruas.


Luiz Fernando de Oliveira é professor da Rede Federal de Ensino nas cidades de Nepomuceno e Lavras, ambas nas Minas Gerais. Autor de livros e textos acadêmicos e literários.


Mainá | Livro de Karina Buhr

Quem dera, de vez em quando, nesses dias céleres, um livro como Mainá (Todavia, 2022), da Karina Buhr, pra ler e se alentar da literatura. Tem livros que te abrem a porta para mundos, e tem livros que atuam no mundo ao seu redor. Mainá é do segundo tipo. Uma espécie de lente de realidade aumentada, que torce o tecido do tempo-espaço e te reapresenta as dimensões da vida sob uma ótica muito, muito particular, em letras que pouco vejo por aí.


Texto de Toinho Castro

Quem dera, de vez em quando, nesses dias céleres, um livro como Mainá (Todavia, 2022), da Karina Buhr, pra ler e se alentar da literatura. Tem livros que te abrem a porta para mundos, e tem livros que atuam no mundo ao seu redor. Mainá é do segundo tipo. Uma espécie de lente de realidade aumentada, que torce o tecido do tempo-espaço e te reapresenta as dimensões da vida sob uma ótica muito, muito particular, em letras que pouco vejo por aí. Não é literatura de oficina. Karina não repete nem se repete. Há uma originalidade que dá vontade de ter escrito o livro. Tem um pertencimento envolvido. Uma sensação, na verdade, de ter escrito, de ter sonhado tudo isso. Porque o leitor é quem escreve o livro enquanto ele acontece. Enquanto viram as páginas, enquanto o fim não chega. E o fim de um livro, sobretudo um livro como Mainá, pode nunca chegar.

Ler a primeira página foi uma grande alegria, por ser o reencontro com a percepção mágica da leitura. Fui surpreendido, tornei-me um encantado. E enquanto escrevo essas linhas, ainda estou a ler Mainá, porque quero que perdure. Quero habitar por mais um tempo esse olhar curioso que percorre o livro. Um livro para retornar, para reler e rearranjar as linhas, letra por letra. Porque em Mainá não se pode perder sinal algum na leitura. Os mínimos elementos, os átomos das palavras, tem significado. É como atravessar um riacho por um caminho de pedras, em que você não pode deixar de pisar numa pedra. Tudo é preciso, tudo é necessário, tudo te leva à próxima pedra a pisar. E tudo, ao mesmo tempo, é o riacho, que não cessa.

Sim, não terminei ainda Mainá, mas já amo. Amei na primeira página. Amei que a primeira palavra do livro seja jardim. Amei, já no primeiro capítulo, ter encontrado a palavra trancelim. Que achado auspicioso! Já capturado pelo trancelim, não podia mais parar de ler, ainda que ler e ler me levasse ao fim. Não é assim a vida?


Do que escrevi no Instagram quando comprei o livro. Vale o registro aqui

Rio de Janeiro, 24 de março de 2023

Naquele circuito Recife/Olinda do fim dos anos 80 para os anos 90, um grupo relativamente pequeno de pessoas perambulava mais ou menos pelas mesmas quebradas, pelas mesmas ruas e pontes.

Eu estava por ali e a Karina também. Partilhávamos, certamente, da amizade de muitas pessoas em comum, mas nunca fomos apresentados. Nunca fomos amigos ou mesmo nos falamos. Mas eu volta e meia a via, na contramão de uma ladeira, num bar.

Eventualmente, de tanto esbarrar (nem tanto assim. Modo de dizer) , nos cumprimentávamos brevemente com um aceno ou um rápido sorriso mútuo. Ela não vai lembrar disso, claro.

Hoje tô com o livro dela nas mãos pra ler. Que bom, né?! Mais uma vez esbarro com ela, em forma de palavras. E longe demais do Recife ou de Olinda.