Da costela do impossível — Livro de Marcela Alves

Da costela do impossível é o livro de estreia da psicóloga (e poeta!) Marcela Alves, que nos chega como dica no nosso inbox mágico! Mesclando dor e beleza, luz e sombra, amor, perda e o tempo.

Da costela do impossível é o livro de estreia da psicóloga (e poeta!) Marcela Alves, que nos chega como dica no nosso inbox mágico! Mesclando dor e beleza, luz e sombra, amor, perda e o tempo.

Da costela do impossível é é uma edição da editora Urutau!

CONFIRA!

“Essas são minhas obsessões,
meu espinho na carne”

— Marcela Alves

“Ler Da costela do impossível é buscar compreender melhor o alcance de um instante e essa reflexão surge impondo que a gente abrace o não-entendimento racional daquilo que chamamos de vida, calendário, entendimento, prazo, fim. Não basta partir de uma razão cartesiana para ler poesia, para pensar na percepção da experiência é preciso espanto, comoção, assombro, alguma magia.” — Thaís Campolina, em resenha sobre o livro em seu blog.


Da pertença

quando nasci
o amor garantiu
que fôssemos eu e a realidade
uma coisa só
permitiu
que criasse o mundo
abrigasse tudo
a sorte de pedir e ter

quando descobri que não sou deus
e que nada me deve a vida
eu caí em mim
e aquele amor primeiro
me livrou da queda infinita

o destino do colo é virar chão
o destino do homem é abrigar outro homem:
bicho apanhador de horizonte entre
uma queda e outra

Compre no site da Editora Urutau!


Independência Poética: Thiago Vieira

Membro da Academia de Letras e Artes de Silvânia (ALAHS). Em 2020, fundou o Coletivo NuaPalavra, um grupo virtual de escritores de todo o país. Sua última publicicação foi o livro “Entre Nuvens e Voos” (poesia) em 2021.

Independência Poética é uma série de entrevistas realizadas por LORENA LACERDA

Poeta de hoje: Thiago Vieira

Thiago Vieira é poeta, professor de inglês e português. Reside em Leopoldo de Bulhões-GO, sua cidade natal. Em 2016, lançou “Poética das Águas”, primeiro livro de poemas. É membro da Academia de Letras e Artes de Silvânia (ALAHS). Em 2020, fundou o Coletivo NuaPalavra, um grupo virtual de escritores de todo o país. Sua última publicicação foi o livro “Entre Nuvens e Voos” (poesia) em 2021. No Instagram, Thiago realiza entrevistas, saraus e concursos de poesia divulgando poetas e suas obras.

O que te inspirou a começar a escrever?

A minha escrita nasceu a partir de duas circunstâncias. A primeira foi o resultado do início de um processo terapêutico em 2015. Minha terapeuta da época, também poeta, usava a escrita como ferramenta para lidar com suas questões. A segunda foi a influência de duas professores minhas do curso de graduação em Letras da PUC-GO, Rita de Cássia e Divina Paiva, ambas poetas. Enquanto eu sofria com o fato de mexer em traumas e feridas emocionais, eu li os poemas destas poetas-professoras e me inspirava neles para escrever meus próprios versos. Eu achava incrível que através da linguagem poética era possível dar explicar sentimentos e vivências tão íntimas de uma maneira tão bonita e singular.

O que você faz quando percebe que está com bloqueio para novas poesias?

Olha! Antes eu sofria com isso. Hoje, eu não sofro mais. Mentira. Sofro sim. Risadas. Porém, eu deixei de me importar tanto com o bloqueio pois sei que na hora certa o poema nascerá. Geralmente, o poema vem quando tenho uma necessidade imensa de dizer algo de modo mais elaborado e catártico. E assim meu poema vem como uma flecha do meu interior que vem depressa para acertar o alvo, o caderno (neste caso).

Seu maior sonho como escritor(a)?

Meu maior sonho era ser reconhecido pela poesia e poder sobreviver dele. No entanto, preciso confessar que existem muitos poetas bons que escrevem mil vezes melhor do que eu. Penso que primeiro preciso investir mais em cursos de escrita poética, ter o acompanhamento de poetas de longa estrada e amadurecer minha escrita. Felizmente, acho que tocar meus alunos e poder influenciá-los a escrever é mais realista do que ganhar um grande prêmio. Incentivando-os a ler (o que é uma grande tarefa) já me deixa mais realizado.

Assunto preferido de escrever?

Acho difícil demais lidar com as frustações da existência humana. Vivemos numa época marcada por tanta ostentação, reforçamento de um padrão de beleza e importância de status, dinheiro poder. Mas fala-se pouco sobre como é complicada existir e como pode ser doloroso respirar e morar neste mundo. Pra mim, falar de momentos desesperançosos (e também esperançosos porque preciso também da esperança) faz mais sentido.

Um elogio para sua própria escrita?

Ás vezes, nascem de mim algumas poemas tão originais que me assusto. São raros mas eles veem. Risadas.

Já publicou algum livro? Quais? Caso não, tem planos?

Já. Publiquei Poética das Águas em 2016 e Entre Nuvens em Voos em 2021. O primeiro não está disponível mais para vendas. E o segundo pode ser encontrado no site da Amazon tanto na versão física quanto online. Neste ano, quero lançar outro. Tenho trabalhado nele mas preciso me organizar mais para certeza de que quero lançá-lo mesmo.

Quais inspirações do cotidiano despertam sua escrita?

Terapia, terapia e terapia. Hahaha. Eu já disse terapia, né? A terapia me provoca mexe comigo e partir daquele contexto escrevo alguns poemas bem interessantes. Não só a terapia me influencia, mas também a contemplação da natureza, a leitura de poesia de outros autores, algum acontecimento marcante, dentre outros.

Qual dos seus poemas mais te define?

Pergunta difícil. Acho que não existe um que define pois cada época pareço escrever de um modo que explica aquela época, entende? Mas acho que um dos primeiros poemas que fiz me explica melhor: “Um pássaro na gaiola/sempre espera a hora/ de ir embora”. Sou este pássaro que quer ir embora. O céu é meu lugar.

Qual a parte mais fácil e mais difícil da escrita para você?

Mais fácil é simplesmente escrever. Mais difícil é reescrever, julgar sua escrita, buscar cursos de aperfeiçoamento e não amar tanto o se escreve. Acredito que o poema precisa tocar as pessoas. É bom escrever para mim porém quero quer lido e quero que as pessoas se identifique com que eu escrevo. No processo de escrita, nem sempre é possível ser tão claro ou poético quanto ao que se quer dizer. Noto isso bastante em mim. Muitas vezes não consigo expressar o quer quero dizer e parece que o desfecho do poema não apresenta muita coerência e coesão.

Qual sua obra favorita de outro autor(a)?

Gosto muito da poesia de Orides Fontela. Ela é concisa e objetiva, mas marca profundamente. Acho que a escrita da poesia precisa ser assim.

 


Um livro de Thiago Vieira

Nome da obra?

Entre Nuvens e Voos.

Quando e em qual editora foi publicada?

Foi publicada em 2021.

Existe um tema central nos seus poemas/poesias? Qual?

A busca por liberdade, a força do sonho, o encontro da imaginação e a beleza da fantasia. O livro também mostra um pouco da inocência infantil e tem temas existenciais e reflexivos.

As poesias são divididas em fases nessa obra? Se sim, o que te motivou a fazer isso?

Não. Tenho dificuldade em dividir poemas e a fazer uma leitura mais global dos temas gerais das minhas obras.

O que te incentivou a escrever esse livro?

Este livro nasceu primeiro com um poema. Depois, com outro. Outro poema. E outro poema. E assim foi. Percebi que eles se relacionam com palavras como “nuvem, voo, ave” e assim entendi que havia uma unidade de sentido entre boa parte dos poemas.

É possível destacar uma poesia que mais se assemelha a seu cotidiano?

COMO COMPORTAR O COMPORTAMENTO
Thiago Vieira

Incomodam-se com meu jeito.
Pediram-me para eu mudar.

E eu? Será que mudo?
Mudo. Ficarei mudo.

Ouvirei a voz do meu silêncio,
ensinando-me a me amar.

Sentirei as mãos do vento,
levando meus pés no ar.

Existe algum posicionamento político ou cultural na obra?

Político, raramente. Me interessam mais os temas ligados a existência do sujeito e conflito de existir e lidar consigo mesmo e com as demandas ao outro. Também me interessam a contemplação das belezas criadas por Deus. Um assunto que gosto de escrever é sobre a educação, alunos, professores pelo fato de eu ser professor e entender a problemática da escola pública atual.

Qual a poesia mais marcante desse livro?

Há um poema que é bem divertido. Gostaria de compartilhá-lo:

REFLEXÕES DE UMA MULA SEM CABEÇA
Thiago Vieira

A mula sem cabeça anda pensando:
“Como seria minha vida com uma cabeça:”?
Então, bem alto, a mula grita:
“Cadê a minha a boca?”


Poemas de Rafaela Valverde

Hoje na Kuruma’tá mais poesia que chegou no nosso inbox mágico! Dessa vez da soteropolitana Rafaela Valverde. Seja bem-vinda, Rafaela, ao mundo Kuruma’tá… falando para o mundo!!

Hoje na Kuruma’tá mais poesia que chegou no nosso inbox mágico! Dessa vez da soteropolitana Rafaela Valverde. Seja bem-vinda, Rafaela, ao mundo Kuruma’tá… falando para o mundo!!


Rafaela Valverde é escritora e poeta, sou nascida e criada em Salvador-Bahia, onde sempre morei, estudo Letras na Universidade Federal da Bahia, tem um blog e um livro publicado, ambos chamados Coisas e Casos Feitos e Fatos.


Trabalhadorescos

Pessoas andam rápido
Saem do sufoco e vão para o que acham plácido
Mergulham na teia dos seus inúteis afazeres
De manhã, mingau de aveia
A fim de sustentar pseudoprazeres
De quem acha que trabalha pra lucrar
Mas o contrário acontece
Trabalham para cansar
Suor na testa
E encarece
Todo ano, o que tiver de comprar
Mas, não lembram que debaixo do sol e do céu tudo é desimportante
Não há pressa que adiante
Sempre haverá o que nos adoeça
Com a desculpa de ganhar
Uma nesga de futuro brilhante…

 


Sentires aguerridos

Sinto tanto
Tanto que um tanto não basta
Sinto que é uma hora nefasta
Pra se desabar de paixão
E a solidão não deixa barato
Arsenal de carência e muitos artefatos
Para bancar a que nada sente, mas ainda assim sabe que sente

Sinto tanto
Que um dia não é suficiente
Necessária uma imensidão
Para dar conta de todo meu sentir
Tento reagir
Mas saio do meu corpo e fico olhando pra mim
Olhando de fora sei que não é o fim
Ora, nada mais acaba até que a paixão se esgote
Até que o sentir se esvaia
Até que nada mais importe
.
Sinto tanto
E ainda assim preciso que saia
De mim todos esses sentires
Que até hoje se enraízam em meu corpo
Tomam conta de mim
Tanto que um instante não basta

Sinto tanto
Que transborda em mim como um poço
De miraculosos horrores
Causados por apaixonamentos infantis
Sim, daqueles que surgem e nunca mais se vão
Fincados estão, daqui não saem mais

Sinto tanto
Que nem sinto mais necessidade de fazer rimas
Ora, o poema que seja livre
Com seus versos e encantamentos
Ao contrário de mim
Que presa estou em tudo o que sinto.

 


Seu jardim

Me jogo em seu cabelo, ensimesmada
Entranhada em você, saio de mim
Vácuos me arrancam da jogada
E me tiram desse jardim

Que é olhar pra você
E sentir a dura delicadeza da sua pele
Tento não dizer
Peço em silêncio que meu peito não congele

E sim aqueça
E de amor não pereça
Não quero falar
Mas quase escapa da minha garganta

Que quero me entranhar
Não mais em mim
Em você,
Cabelo e pele

Mas guardo pra mim
Imploro que meus olhos não revelem
Que quero estar entre as suas flores
Não mais correr do jardim

Jogo-me em você, desesperada
Porque o medo me impede
De sair de mim e mergulhar em você.

 


Vidanosa

O que há de vir
É o que todos pensam que é bom
Nem sempre vai fluir
E nem vai melhorar o tom
Da vida que a gente leva
Que é pesada
E se entreva
Oh, vida fracassada!
Oh, tempos sombrios!
Que a gente espera que um dia sejam macios
Para não dar em nossa cara com tanta força
Oh, lamento insano
Que não leva a nada!
E ainda querem que a gente torça
Mas é apenas um engano
Uma vida estagnada
Que pensa que é alguma coisa
Diante daquilo que sabemos que não é
O que há de vir é incerto
E segura meu pé
Lança-me a uma suja pia de louça
E a um poço aberto

E lá me jogo pra nunca mais sair!

 


Quase todos os dias

Quase todos os dias recebo notícias ruins
Minha casa já é quase uma caixa de fossa
Daquelas que quando abre cheira mal
Notícias malcheirosasduramentedecepcionantes
Que vêm dia após dia
Semana após semana
Com más novas fedidas e afins
A fim de me fazer balançar e me destituir de sonhar
Aí eu penso deve ser normal
Todo mundo vive assim
“Minha nossa!”
Não é que ainda me surpreendo com mais uma
Uma news que chegou aqui
E não é fake
Deixo isso para as ciências políticas imorais
Quase todos os dias acho que pode ser diferente
Novas circunstâncias virão
Penso inutilmente
Não dá mais para sair dessa caixa escura e fedorenta que virou minha casa
Minha mente
E minha vida.
Quase todos os dias finjo que tenho outra vida
Mais serena
Menos cansada
Fazendo cena
Como aquelas de atrizes globais talentosas que fingem que a vida é um poço de águas tranquilas
Quase todos os dias eu me iludo
Quase todos os dias recebo notícias ruins
E fico pensando quando isso vai mudar

 


Di-versos

Di-verso
Em verso
O inverso dos ponteiros só mostra
Que o tempo não vai esperar você.
Decida,
E incida
Em minha alma que te quer
Dia e noite.
Cônscia de sua grandeza
Mas, ainda assim
Lotada de amor
Di-versos
De bem querer
E universos de você.


Canais de Rafaela Valverde na web:
Podcast: podRafa
Intagram: @rainhavalverde
Blog: rainhavalverdeblog


Independência Poética: Dayane Tosta

Independência Poética é uma série de entrevistas realizadas por LORENA LACERDA

Poeta de hoje: Dayane Tosta

Mulher negra que cresceu e se criou na periferia de Salvador, entre o Subúrbio e Pirajá. Mãe de Valentina e Lis, esposa de Igor. Professora da educação infantil pela Secretaria Municipal de Educação. Pedagoga e mestra em ensino na educação Básica pela UFG. Autora de Nua e outros poemas (2019). Fez parte da Antologia de poetas baianas Corpo que queima (2019). Dedicada a projetos de incentivo à leitura e escrita.

O que te inspirou a começar a escrever?

Como quase tudo na vida, a escrita foi aparecendo na minha trajetória de forma espontânea, eu sempre fui apaixonada pelas palavras e isso fez com que eu me expressasse por meio do texto escrito em momentos diversos. Sempre que eu sentia qualquer emoção eu tinha vontade de escrever uma poesia e quando fui ver eu tinha uma coleção grande de poemas escritos e guardados na gaveta. Numa noite de insônia eu decidi que não seria má ideia publicar um livro, isso aconteceu no final de 2018 e desde então eu não parei de escrever e participar de publicações e saraus.

O que você faz quando percebe que está com bloqueio para novas poesias?

Eu leio. A leitura seja em prosa ou em poesia me inspira de uma forma singular. Mas além disso eu ouço músicas e busco meios de me manter conectada com o mundo das artes.

Seu maior sonho como escritor(a)?

Alcançar um público maior com a escrita e que de alguma maneira meus textos toquem as pessoas de um jeito único.

Assunto preferido de escrever?

Relações afetivas e maternidade.

Um elogio para sua própria escrita?

É uma escrita honesta e clara.

Já publicou algum livro? Quais? Caso não, tem planos?

Nua e outros poema, 2019, Ed. Vecchio.
Desaguar, publicação independente, 2021.

E participei de antologias:
Corpo que queima, 2019.
Petas negras brasileiras, 2022.
Poesia de botequim, 2022.

Quais inspirações do cotidiano despertam sua escrita?

Às vezes eu tenho inspiração quando estou ouvindo uma música, lavando os pratos ou dirigindo. Minhas inspirações surgem por algum sentimento que quero expressar, foi assim com o poema “Ciúme” do livro Desaguar. Mas às vezes alguma palavra me chama a atenção, eu fico hipnotizada e preciso escrever algo com essa palavra específica, foi assim com o meu poema “Escombros”, também de Desaguar.

Ciúme

Quando o ciúme nos visitar 
Deixemos ele entrar por alguns segundos 
Escutemos seus gritos 
Permitamos o seu desabafo 

Depois abrandemos o fogo 
Desse miserável afeto 
Com as águas de nossos desejos entrelaçados 

Morre o ciúme 
Tal como o orgasmo morre no corpo 
Permanecemos cúmplices 
De tudo aquilo que nos une 

Escombros

Gostava de confiar nos escombros 
Aqueles deixados por todos os amores malogrados
Construí meu edifício inteiro sobre os restos daquele afeto 
Em cima da bagunça que fizeram de mim 
Reinventei o todo do meu ser 
Padeço daquele fardo que é amar primeiro 
Mas do veneno que mata eu provei a cura
A dose certa de delicadeza que me fez grande 
De dentro pra fora é que se encontra completude 


Qual dos seus poemas mais te define?

Do encanto da vida

Encantados são os dias
De quem a vida simplifica
De quem enxerga a poesia
De quem não se deixa
Sucumbir ao medo

Se corro riscos ao viver
Me arrisco a dizer
Que o mais belo de todos
É colecionar cicatrizes
Histórias de amor e dor

Na trama de cada afeto
Uma riqueza de sensações
Na escuta do corpo alheio
Deixo meu corpo falar também
E todo toque é precioso

Se teu riso renova minha fé
Não deixe o siso tomar conta
Pois ser e simplesmente ser
É o segredo de toda beleza
Delicadeza de cada estação

Saber voar depois da queda
Levantar apesar do medo
Acreditar que o sonho é possível
Coisas divinas e encantadas
Que aprendi ao caminhar

Qual a parte mais fácil e mais difícil da escrita para você?

A parte mais fácil da escrita é deixar fruir o espontâneo, a leveza da arte em estado puro e simples, a parte mais difícil é ter que lidar com as regras, técnicas, métricas e todas as tentativas de categorizar e domar a arte da palavra. Outra parte difícil é lidar com a venda de livros, escolha de editora e todas essas demandas comerciais.

Qual sua obra favorita de outro autor(a)?

Poesia completa de Maya Angelou.

 


Um livro de Dayane Tosta

Nome da obra?

Desaguar

2 – Quando e em qual editora foi publicada?

Foi publicado de maneira independente em 2021.

3 – Existe um tema central nos seus poemas/poesias? Qual?

Superação, amor próprio e maternidade.

4 – As poesias são divididas em fases nessa obra? Se sim, o que te motivou a fazer isso?

Dividi os poemas em 3 partes: carne, osso e alma. São as três partes do ser mulher designados a partir do desejo, força e liberdade, respectivamente. Minha inspiração surgiu do ser feminino que é múltiplo e pode se revelar de variadas maneiras. O objetivo maior dos poemas é prestigiar a superação feminina pela via do amor próprio.

5 – O que te incentivou a escrever esse livro?

Desaguar surgiu do desejo de deixar fluir o rio da poesia e com isso alcançar pessoas que compartilham dos mesmos sentimentos expressos no livro.

6 – É possível destacar uma poesia que mais se assemelha a seu cotidiano?

O poema Quietude é como se fosse uma prece, um desejo, algo que gostaria de viver todos os dias:

Quietude

Silêncio
Calem-se todos 
Preciso ouvir meu mundo interior 

Calei as expectativas alheias 
Me muni da potência da minha voz 
Entrei em campo de batalha contra o teu preconceito 
Fiz o meu próprio abrigo 
Limpei as minhas feridas 
Me perdoei 
É de dentro que se encontra amor – o próprio

7 – A sequência dos poemas conta alguma história?

Conta a história de uma mulher que depois de muitas desventuras amorosas descobre sua força e liberdade a partir dessa descoberta consegue se portar no mundo de maneira amorosa e autoconsciente.

8 – Existe algum posicionamento político ou cultural na obra?

O feminismo e antirracismo perpassam de maneira sutil a obra.

9 – Qual a relevância dos personagens implícitos/explícitos da obra?

O texto apesar de desvelar a alma feminina trata de temas que tocam a natureza humana de modo geral, portanto, qualquer pessoa que tenha sentimentos vai se sentir tocada pela humanidade dos poemas e essa é a maior relevância da obra.

10: Qual a poesia mais marcante desse livro?

Tem vários poemas que me marcam, inclusive o que dá nome ao livro “desaguar”. Mas “Submersível” é um poema sobre maternidade que sempre fica martelando na minha cabeça. Deixo aqui os dois poemas como mais marcantes.

Submersível

É cruel e belo ser mãe solo
É ambíguo 
Infinito de peso e leveza 
Submersível – pode boiar mas sempre afunda 
Contudo não se morre afogado
Ser mãe é ter tecnologia de submarino embora sem dinheiro pra fechar a conta 
Mãe é projeto de formar pessoas 
É ignorar-se em função de outrem
É a insuportável certeza de que vou suportar 
Até o fim das forças é impossível 
É a magia de encontrar mãos amigas 
É belo ser mãe 
É suportar sozinha a crueldade dessa beleza 

Desaguar

Hoje eu transbordo
Seu padrão não me contém
Sua fórmula não me define
Seu olhar já não me diz nada

Eu sou como um rio que flui
Desconhecendo empecilhos
Desviando das pedras
Seguindo o fluxo da própria natureza

Quero desaguar em outros mares
Sentir o gosto de outras bocas
Conhecer outros mundos
Permitir o toque de outras mãos

Eu me fiz livre
Depois de ultrapassar
Os limites do seu ego
E vencer o peso do seu julgamento


Poema de Fábio Aiolfi

Fábio Aiolfi, é capixaba da cidade de Aracruz. Trabalha como ator, escritor e contador de histórias. Publicou 12 livros, entre romance, teatro e poesia – que corresponde boa parcela de suas obras.


Animália

Sou um animal acuado,
vítima de armadilha,
preso na rede
com garganta cortada.

Sou um animal enjaulado,
fisgado pelo anzol,
com um tiro na cabeça
alvo fácil empalhado.

Sou animal que puxa carroça,
com tetas inflamadas,
vítima de testes nos laboratórios

e depenado no carnaval.
Sou invertebrado,
mamífero, ave, peixe,
réptil e anfíbio.

Sou um animal
do reino animália.

Publicado em:
2022- Animália (Fanzine)

Fábio Aiolfi, é capixaba da cidade de Aracruz. Trabalha como ator, escritor e contador de histórias. Publicou 12 livros, entre romance, teatro e poesia – que corresponde boa parcela de suas obras. No teatro, atuou em mais de 20 espetáculos, apresentando em algumas capitais brasileiras. Recebeu uma dezena de prêmios, medalhas e homenagens por seus trabalhos artísticos.

Do Instagram de Fábio Aiolfi

Claudia Castelo Branco, Sivuca e junho!

Texto de Toinho Castro

Nessa última sexta-feira, dia 16 de junho, semana de Santo Antonio, em pleno ciclo junino, a pianista, compositora, arranjadora e cantora Claudia Castelo Branco nos presenteou com uma bela interpretação de Feira de Mangaio, do mestre Sivuca! Composição de Sivuca com letra de Glorinha Gadelha, Feira de Mangaio foi gravada por diversos artistas, como Nhozinho, Agepê, Mariana Aydar e o próprio Sivuca, mas foi na voz de Clara Nunes que se eternizou e entranhou o imaginário cultural brasileiro.

Sendo assim, desse jeito, não é uma tarefa simples enfrentá-la e trazê-la à tona numa nova versão. Mas Claudia Castelo Branco fez isso com maestria e delicadeza, assumindo com seu piano a voz da sanfona e nos surpreendendo lindamente. Surpreendendo assim, né?! Porque sabemos da força dela, de sua capacidade criativa. Então não é surpresa que seu talento ilumine um peça tão importante da música brasileira. A gente escuta Feira de Mangaio com ela e lá está a reverência, o entendimento, e por isso o respeito. Não fosse pouco, a música conta ainda com a marcação de Marco Suzano.

Então ouvir esse single, mais que surpreender-se, é encantar-se. E que vontade de dançar que dá. E que vontade de tá na Paraíba, escutando essa música que é uma declaração da universalidade da obra de Sivuca.

Parabéns, Claudia!

— Texto de Toinho Castro

Quando a sanfona sai, podemos encarar como um problema ou simplesmente como uma oportunidade de criar novos diálogos. Eu preferi pensar sempre a partir do que eu sou – enquanto pianista, cantora, compositora – e de como eu processo as músicas de Sivuca. Experimentar ver de que forma minha voz e piano absorvem e reproduzem aquele universo. Assim, eu mesma me surpreendo. Gosto desse caminho


E como coisas assim só podem melhorar, amanhã, dia 20 de junho, já quase São João, a Claudia vai se apresentar no Sesc Tijuca, na Barão de Mesquita, no projeto “Viva Sivuca – Homenagem ao Poeta do Som”, a partir das 19h. A turnê, aprovada no Edital Sesc Pulsar, está circulando por oito unidades do Sesc RJ.

Acompanhada por Elísio Freitas (baixo e guitarra) e Bernardo Aguiar (percussão), Claudia revê a obra de Sivuca sem utilizar a sanfona, mostrando que a música desse grande compositor atravessa todos os limites e alcança os mais diversos tipos de sonoridades e linguagens.

“A intenção deste show é de trazer a obra de Sivuca para dentro do piano, justamente por ser um diálogo entre o meu universo e o dele. Onde há o ponto de contato entre a obra e o intérprete? Essa foi a pergunta que me fiz quando decidi abordar as músicas sem que houvesse a necessidade de representar Sivuca por meio da sanfona. Quando ela sai dos arranjos, a gente subverte a lógica de representar um repertório a partir do que esperamos dele e abrimos a escuta para diversas outras possibilidades”

SERVIÇO

“Viva Sivuca – Homenagem ao Poeta do Som”

Dia: 20 de junho (terça-feira)
Horário: 19h
Local: Sesc Tijuca
Endereço: rua Barão de Mesquita 539
Preços: R$ 10 (inteira) / R$ 5 (meia entrada em casos previstos por lei), R$ 2 (credencial plena) / Entrada gratuita (PCG).
Classificação: livre
Ingressos na bilheteria das 8h às 19h


Escute também
a interpretação de Claudia
para Cabelo de Milho


Tentei chegar aqui com estas mãos | Poemas de Luciana Moraes

O livro poderia ser lido como uma teia de poemas em interlocução, ora ou outra, tendo elementos linguísticos do português brasileiro unidos a termos do tupi, maxacali, yoruba, inglês e espanhol . São linguagens que se procriam em diferentes versões de si mesmas, ora dialogando entre si, a partir do encaixe temático, ora pairando em lacunas especialmente deixadas no percurso.


Ideia de apresentação – por Luciana Moraes

Entre uma realidade que existe e outras que não existem, mas que desejam vir à tona, somos convidados a imergir, navegar, explorar essa amálgama poética, num fluxo contínuo, entremeado de imagens e sons. Aqui surge uma escrita que não se resume à dor de um momento, à vinda ou ao lapso de alegria.

O livro poderia ser lido como uma teia de poemas em interlocução, ora ou outra, tendo elementos linguísticos do português brasileiro unidos a termos do tupi, maxacali, yoruba, inglês e espanhol . São linguagens que se procriam em diferentes versões de si mesmas, ora dialogando entre si, a partir do encaixe temático, ora pairando em lacunas especialmente deixadas no percurso.

O leitor poderá perceber que, a partir de cada um dos poemas (como unidades independentes, mas também intercambiáveis) é possível recomeçar uma nova trajetória de reinterpretação do estar no mundo. O desejo permanece inscrevendo o corpo como um poema infinito no coração de outra história; o poema-corpo guarda e desvela seu estado presente no espaço, no passar de páginas; seu corpo-palavra ressignificado através de outros formatos e de novas palavras ocasionalmente criadas.

Na primeira seção, vemos poemas em diálogo ecfrástico com obras diversas, o que nos mostra que a experiência interartística nos oferece muitas possibilidades de acessos, saídas, uma diversidade de enquadramentos do olhar; geração de sentidos dessa escrita dialógica. Ainda nesta seção, há uma subseção, realizada a partir da leitura crítica de Água Viva, de Clarice Lispector e seu desdobramento em diálogos ecfrásticos.

Já na segunda seção, existe outra proposta, pois os poemas procuram realçar mais o questionamento da vida diante de situações do cotidiano, “tocadas à espreita”. Desta vez, sem diálogo direto com obras artísticas, há ainda a intensa exploração dos recursos melo, fano e logopeicos. A experiência de leitura talvez possa inserir, quem a percorre atentamente, num universo de múltipla sensibilidade, até mesmo o verbo beirando o “deslimite” das expressões de um corpo sem órgãos artaudiano.

A pedra no meio caminho de Drummond, assim como a experiência de sufocamento de Kafka parecem ser resgatadas em determinados momentos, porém no sentido de querermos avançar com um outro corpo, desentranhado da pedra e das paredes, “o corpo no corpo recriando milhares”. Com autonomia em movimento, um feminino que visa estar fora do refúgio, para além de um estado asséptico.

Nessa escrita, em saltos semânticos, como uma espécie de “eterno retorno nietzschiano”, após um denso processo de 3 anos de pandemia, temos a denúncia de emoções em série – entre o passado, o presente e o futuro, de modo anacrônico, em embaralhamento – quase que ininterruptamente, buscando o centro, o eixo vital na matéria.

O “alvo grito de rapina” entrecortado nas brechas do papel talvez venha nos alertar como somos humanos e quão pouco nos realizamos nesta era viral do antropoceno, chegando ao ponto de precisarmos, de fato, ver o animismo tomar conta de nós. Nesse cenário de “eu-nosso-desmedido”, geramos novas significações às palavras, já tão surradas, em meio à vida ordinária.

O instante é extraordinário, incomensurável; mas o tempo passou e passa.

O abismo é aqui tocado, em cada instante, para alçarmos outros voos – melhores.

Quem sabe?!

Livro

Tentei chegar aqui com estas mãos é um livro de poesia cujo nome já contém uma dubiedade proposital. Tentativa de chegar com “estas mãos” apresenta uma questão demonstrativa, um desvio do óbvio. Nele, toco em temáticas paradoxais do ser humano, como o luto e a luta, a insatisfação e o desejo, por meio de diferentes tons, ritmos e (des)enquadramentos semióticos. A escrita segue em diálogo com os anos que temos vivido, porém, sob olhares diversos, como uma amálgama de sensações do corpo feminino que pulsa entre euforia, dor, lapsos e rememoração do tempo. Tive a intenção de explorar (no melhor sentido da palavra) o instante presente, desejando extrapolar a visão comum e descobrir outros sentidos para as palavras e para o caminho diário. Desse modo, escrever pode ser atuar com gestos dialógicos em várias esferas das artes (pelo saber e não saber), com intuito de sentir um tempo vívido: o “alvo grito de rapina”. E assim, principalmente por meio da poesia ecfrástica contemporânea, desenvolvo experiências estéticas com 31 obras de artes visuais, de variadas épocas. Há duas seções: “Diálogos Ecfrásticos”, com obras de Frida Kahlo, Clarice Lispector, entre outros artistas; e “Cotidiano Tocado à Espreita”.


SELEÇÃO DE POEMAS

Seção: diálogo ecfrástico

O poema a seguir dialoga com a obra O Veado Ferido (1946), Frida Kahlo

< Compenetrado olhar do Abismo> 

A meta do veado alvejado
é ser mutação e desova
desencarne das flechas
numa ação Cor de Ouro

Não há beleza nem altura maior
do que suas Quatro pernas abertas
empostadas no caminho
galopando o idílico desconhecido
Ressurgindo…

Ele comporta o peso (é)
depois mais nada:
leve e sereno pu(lu)lar de páginas

Como se a chuva
__________________ se expandindo
e toda gota lavando
a dureza da fibra na Cabeça

A ferida na vida
Pausa de quem recebeu Nove
flechas rasteiras cravadas
na carcaça mais fina

gritante e certa
     que pudemos

V E  R

 


O poema a seguir dialoga com a obra Abstract Spiral Galaxies (2008), Kazuya Akimoto

Sobre atravessar o horizonte partido

Há fome desde a Antera,
onde se poliniza galáxias
Há flor de ideias na tinta espacial
chegando ao exoesqueleto e
em nosso túnel compacto roçando
claras espirais

Se palavra é gasta, sombra túmida de si
malícias negam desfibrilação de estrelas
demônio-um representante
saturação de cores invertidas num dragão marítimo
branco, pouco comum ao olho nu

Nossos pássaros inquilinos
frementes, em desvio
colisão da vida que pulsa
em nós, sem pergunta

Se o peixe feroz, informe e ilegível à claridade
Leviatã New-artífice do exício
do enredo sem rumo
cria o mundo anônimo
noite em todo o corpo, debalde,
carregando as rédeas do tempo nas compotas
de falácias

As sépalas em preto em branco contraem o passado
e assumem a sustentação de toda a flor até o estigma central
parem borboletas luzentes
mitológico sabor do vento
yvytu em zênite
tu e tal e tal e tu
formam-se tessituras de vida

Entre uma cabeça de serpente e outra
não ponderando termos
carregando em sua joia ruína
sua mortal comprovação

 


O poema a seguir dialoga com a obra Senecio (homem velho) (1922), Paul Klee

Ultra-passagens

0. 
Vida, está aqui o recomeço,
espaço onde refaço o texto
anterior, desfeito em partes 

1.
Um anjo em brasa, à espreita, 
neste céu aberto da varanda

2.
Hoje, sexta, tão passada:
ontem ainda era segunda
toda a vista limpa, sem óculos 
tocando aquele céu aberto, soletrando-o 
à víbora do quebra-cabeça 
lecionando à pedra sobre estar no ar
mãos-pele-sopro-visão

3.
tudo foi breve e o Agora vibra

4.
Escrevo contigo e sozinha
: com o tom drummondiAno e
um desentranhado tema da nossa espécie :
gravado no corpo com olhares
Fractais

5.
tergiversadas cores dessa sutura, unindo todas
as faces : uma paisagem híbrida, risos e choros
nas nuvens, neste umtempomuito, uma ferida doidamente
tão batida e tocada,
mas tão perplexa,
tão retrasada.

6.
Se confiaria no verbo
fazer?

 


O poema a seguir dialoga com a obra Tentativa de ser alegre (1975), Clarice Lispector — técnica mista sobre tela

Novidade do sonho

A boca prova a placenta
Arte das fêmeas
que par(t)em

São os fatos da vida
em aberto
redigindo o espaço do sinuoso nada

Ela sente o Deus na ostra
e respira, ainda que falte
Saliva

Leia o meu intento de sorrir
Latejante o furor do toque
Indescritível
Com as mãos desejadas

Tulipa desconhecida
matéria cúmplice e enamorada

eu vivo para ascender aos poucos
rumo ao momento elementar

Quem sabe responder à minha saudade
do sonho…

 


Seção: cotidiano tocado à espreita

Interlúdio seminal

Entre a fase do pólipo e da medusa      
inaugurada na gestação do corpo:
escrito-fraga perfilhando água-viva

Nascedouro de transfigurações onde
Turritopsis nutricula anoitece
~tremeluz o evolado nome~ em
tentáculos, vagas e sombras~

Renasce daquilo que subjaz quando
se é destroçada a partícula informe
o substrato infinitesimal da loucura

Vem da sede de aguçar a plânula
e ancorar no território do Silente

Poesia: gozo primevo d’Organismo
Célula-tronco : mãe-ocaso-abrigo
transe nutante~ em marulho de gerações

Luz imantada ao corpo:
pura impossibilidade rIlhada
~anímico gesto reVerso à degradação

Ao partir da impermanência, um~
desenlace e excede o Abismo.


Compre Tentei chegar aqui com estas mãos no site da Isto Edições

Que tal Augusto Martins?!

Texto de Toinho Castro —

Gente, que tal um samba na voz de Augusto Martins?! Pois fique sabendo que Augusto vem por aí com novo disco, com esse ótimo nome de Minhas digitais! E o primeiro single desse trabalho é, pois, um samba! E olha que é um samba de Chico Buarque, com participação do do lendário, mas ativo e vibrante, MPB4! É muita preciosidade num samba só, né?! “Que tal um samba?” chega ainda com arranjos de Rodrigo Campello e produção de… Moacyr Luz!

ESCUTE “QUE TAL UM SAMBA?’, COM AUGUSTO MAURO.

A ideia de gravar “Que tal um samba?” lhe surgiu depois de sair de um show do Chico Buarque! Gente, eu queria sair dos shows de Chico Buarque com ideias assim, geniais! Que bom que teve esse show. Que bom que Augusto foi assistir, que hoje temos essa preciosidade.

E logo mais teremos um disco inteiro das boas ideias do Augusto, com uma pegada mais pop e regravações de gente boa como Lulu Santos e Kleiton & Kledir! Excelente.

Então se liga, que o lançamento de Minhas digitais vem com tudo e você, amante que é da música brasileira, correto?!, não pode perder.


Independência Poética: Paula Maria

Independência Poética é uma série de entrevistas realizadas por LORENA LACERDA

Poeta de hoje: Paula Maria

De Vila Velha/ES, é escritora, psicóloga, artista e pesquisadora autônoma. Gosta de escutar, falar e aprender coisas novas. Escreve cartas, zines e cartões postais, os quais envia pelos correios através do projeto @teescrevocartas. Finalista do Prêmio Off Flip de Literatura 2022, na categoria Poesia. Em 2022, publica Primeiros Pedaços, seu primeiro livro pela Editora Pedregulho.

O que te inspirou a começar a escrever?

Aprender a escrever, do verbo me alfabetizar. Sempre me encantei com a possibilidade da escrita, tudo nela me encanta. Pelo hábito ter se consolidado, pude ir aprendendo em diferentes fases como adaptá-lo às minhas necessidades – que em sua maioria, eram sobre me expressar. Atualmente, o que me inspira é o cotidiano e principalmente poder andar por aí de novo – depois desses anos horríveis que passamos.

O que você faz quando percebe que está com bloqueio para novas poesias?

Ando pelo mundo prestando atenção, como na música. As coisas, as pessoas, os pequenos acontecimentos estão por aí, em busca dum lugar pra repousarem – acredito que a poesia seja esse lugar. Não costumo ter bloqueios criativos, acredito que se acontecem, é porque estou cansada ou estressada.

Seu maior sonho como escritor(a)?

Ser lida, com ou sem prêmios, mas que minhas palavras possam chegar até as pessoas e dali, não serem mais minhas.

Assunto preferido de escrever?

Sobre o amor e minhas experiências com ele, talvez um clichê, mas não me importo.

Um elogio para sua própria escrita?

Gosto da minha insistência e da busca por uma forma.

Já publicou algum livro? Quais? Caso não, tem planos?

Já publiquei solo duas vezes, um ebook na Amazon, de contos curtos e meu livro de poesias, Primeiros Pedaços, pela Editora Pedregulho. Planos sempre tenho muitos, sou uma pessoa de ideias e vontades…

Quais inspirações do cotidiano despertam sua escrita?

Atualmente tem sido o caminho até a faculdade.

Qual dos seus poemas mais te define?

“três pontos”, que foi finalista do Prêmio OffFlip.

Qual a parte mais fácil e mais difícil da escrita para você?

A mais fácil é que não preciso de muita coisa além de papel e caneta (ou o celular). A mais difícil é criar algo totalmente fictício, coisa que ainda não consegui, mas que pretendo algum dia realizar. Quero muito escrever um romance ficcional, só não sei quando.

Qual sua obra favorita de outro autor(a)?

Do desejo, Hilda Hilst.

 


Um livro de Paula Maria

Nome da obra?

Primeiros Pedaços.

Quando e em qual editora foi publicada?

Outono de 2022, Editora Pedregulho.

Existe um tema central nos seus poemas/poesias? Qual?

Processos de autoconhecimento, amores, perdas.

As poesias são divididas em fases nessa obra? Se sim, o que te motivou a fazer isso?

Não as divido, não encontrei necessidade.

O que te incentivou a escrever esse livro?

A imensa vontade de editar um conteúdo que tivesse um corpo de livro. Sou feliz em ter conseguido.

É possível destacar uma poesia que mais se assemelha a seu cotidiano?

Hoje tenho me identificado bastante com “efêmera”.

A sequência dos poemas conta alguma história?

Não.

Existe algum posicionamento político ou cultural na obra?

Com certeza.

Qual a relevância dos personagens implícitos/explícitos da obra?

Tudo ali faz parte da minha história, nesse livro não há ficção.

Qual a poesia mais marcante desse livro?

Dois são particularmente expositivos, “religiosa” e “portão de embarque”.


Agenda Rival: DEIXA CLAREAR, Musical sobre Clara Nunes


Atendendo aos pedidos do público após uma apresentação com lotação esgotada, o espetáculo “Deixa Clarear – Musical sobre Clara Nunes”, protagonizado pela atriz Clara Santhana, volta ao Teatro Rival para apresentação no dia 03 de junho, sábado, às 19h30.

Sucesso de público com mais de 500 mil espectadores em seus dez anos de existência, o repertório do espetáculo “Deixa Clarear” resgata clássicos de grandes compositores imortalizados na voz de Clara Nunes, como “O canto das três raças” (Paulo Cesar Pinheiro/ Mauro Duarte), “Na linha do mar” (Paulinho da Viola), “Morena de Angola” (Chico Buarque), “Um ser de luz” (João Nogueira/Paulo Cesar Pinheiro e Mauro Duarte) e “O mar serenou” (Candeia).

Com texto de Márcia Zanelatto e direção de Isaac Bernat, o musical protagonizado pela atriz Clara Santhana, também leva ao palco um quarteto de violões, cavaquinho, percussão, flauta e sax.

Sob a direção musical de Alfredo Del Penho, o espetáculo mistura música e poesia na construção de um olhar sobre a inesquecível cantora e sua carreira, buscando incentivar a juventude a valorizar a música brasileira e suas raízes genuínas.

Vale a pena viver e reviver a música de Clara Nunes, uma das maiores cantoras e intérpretes da MPB de todos os tempos.

Apaixonada pela Escola de Samba, Portela – que comemora 100 anos em 2023, Clara Nunes foi considerada a nona maior voz da música popular brasileira, pela Revista Rolling Stone Brasil, em lista elaborada no ano de 2012. Ela é a quarta mulher da lista, ficando atrás somente de Elis Regina (2º lugar), Maria Bethânia (5º lugar) e Gal Costa (7º lugar).

Clara também era compositora e uma grande pesquisadora de ritmos nativos e da cultura afro-brasileira, não limitando-se apenas à música, mas aos costumes, tradições, credos, vestimentas e danças.

Em tempos em que a mulher atual busca cada vez mais posicionamento no mercado, Clara Nunes teve feitos grandiosos nos anos 1970. Foi a primeira mulher brasileira a vender mais de 100 mil discos, marca antes somente atingida por homens, quebrando um tabu da época. O recorde aconteceu com o álbum Alvorecer (1974) alavancado pela música “Conto de Areia” (Romildo Bastos e Toninho Nascimento). A marca “comum” era vender 100 mil cópias, Claro Nunes vendeu mais de 300 mil. Sempre à frente do seu tempo, Clara Nunes levantou debates sobre o preconceito étnico-racial e a intolerância religiosa. Todas as suas obras traziam temas afro-brasileiros, desempenhando importante papel na popularização e desmistificação das religiões de matrizes africanas.

Em 1975, Clara Nunes lançou o disco de maior sucesso de sua carreira, Claridade, que traz a canção icônica em sua voz, O Mar Serenou (Candeia), Juízo Final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares) e A Deusa dos Orixás (Romildo Bastos e Toninho Nascimento). Nos anos seguintes, vieram sucessos consecutivos, como Canto das Três Raças (Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte), Feira de Mangaio (Sivuca e Glória Gadelha) e Morena de Angola (Chico Buarque).

A cantora morreu de choque anafilático, seguido de parada cardíaca, aos 40 anos de idade após uma cirurgia de varizes, quando apresentou reação alérgica.

Ao todo, durante sua carreira, vendeu 4.440 milhões de discos. A discografia de Clara Nunes consiste em 16 álbuns de estúdio, 92 compactos simples e uma coletânea.

Os ingressos para o show “Deixa Clarear – Musical sobre Clara Nunes” já estão à venda pelo site da Sympla, com valor entre R$ 50 e R$ 120

 


SERVIÇO

DEIXA CLAREAR – MUSICAL SOBRE CLARA NUNES
Data: 03.06.2023 – Sábado
Horário: 19h30 (Abertura da casa às 18h30)
Local: Teatro Rival

Endereço: Rua Álvaro Alvim , 33 – Subsolo – Cinelândia/Rio de Janeiro (Clique aqui para localizar no mapa)
Telefone: (21) 2240-4469