A Será que “a emenda sai pior que o soneto” mesmo? Revista Kuruma'tá, 13 de julho de 202028 de julho de 2020 Orlando Neves, em uma definição mais objetiva, disse que o ditado significa “cair em pior erro que o erro anterior”. Certeiro e direto ao ponto. Mas sem o rebuscamento de incluirmos a palavra “soneto” no dito. Prefiro (óooooobvio) a versão anterior. E nela vou adentrar mais um pouco, se me permitem. Afinal, sou pai de sonetos e todo pai defende (ou deveria defender) seus filhos contra injustiças. [Texto de Eduardo Maciel] Continue a leitura...
A O mito do Poço da Panela Revista Kuruma'tá, 4 de julho de 20205 de julho de 2020 Hoje há quem tema seu nome. antes do escurecer recolhem as crianças e cantam canções que as resguarda da sombra erma de Salazar. uma sopa especial protege os viajantes que precisam atravessar a colina, preparada com cominho, carne de uma ave selvagem e água do riacho. o mesmo riacho que Salazar batizou. Os homens vão e muitas vezes não voltam. [Texto de Toinho Castro] Continue a leitura...
A Se não for a bomba, então será o dia seguinte Revista Kuruma'tá, 3 de julho de 202028 de julho de 2020 Quando olharam para o céu e perceberam que aquele ponto escuro cortando o ar era uma bomba, houve pouco tempo para procurar abrigo. Havia sinais de que tudo corria, de que tudo perseguia o fluxo. Não levou uma hora, mas também não levou um minuto. Os segundos que se seguiram após o lançamento foram inclementemente mudos. Era possível ouvir as engrenagens dos relógios de pulso. O curso do tempo, a pausa para o autoindulto, um súbito arrebatamento, transes em súcubus. [Texto de Eduardo Frota] Continue a leitura...
A Um filme B Revista Kuruma'tá, 1 de julho de 202011 de março de 2021 Numa sexta-feira qualquer, Lara foi trabalhar como fazia todos os dias. Um dia normal em seu trabalho desprovido de qualquer glamour. Apenas mais uma burocrata fazendo o necessário para pagar as contas, enquanto sonha com uma mudança de carreira. Quem sabe um dia criava coragem de se mudar para Nova York e abrir um brechó virtual? Pensava enquanto preenchia mais uma planilha sobre custos de papel higiênico e produtos de limpeza para uma licitação com a qual não se importava. [Texto de Tássia Veríssimo] Continue a leitura...
A Um filtro de barro dentro de casa Revista Kuruma'tá, 25 de junho de 202020 de dezembro de 2020 Quando deu-se a pandemia e na sequência a quarentena no Rio de Janeiro, resolvi por em prática um ideia que há tempo vinha alentando: Comprar um filtro de barro. Sem saber do que viria pela frente e já de olho no colapso dos sistemas, pensei logo que poderíamos ter dificuldade de comprar água mineral. Como vínhamos de uma crise hídrica, por conta da contaminação do principal sistema de abastecimento do estado do Rio, beber água mineral tornou-se uma rotina, mesmo depois que o problema sentiu-se resolvido. [Texto de Toinho Castro] Continue a leitura...
A Desvirado pra lua Revista Kuruma'tá, 16 de junho de 202011 de março de 2021 Eu não, já me acostumei. A mãe sempre diz que nasci “desvirado pra lua”. Sei não. Desde a ocupação que teve lá na escola, tem uns colegas falando umas coisas diferentes, políticas, umas palavras difíceis, ainda não consigo entender tudo, mas fazem mais sentido do que as palavras da mãe. As pessoas acham que na perifa só tem analfabeto ou burro. É que só estudar não garante nada, não. Continue a leitura...
A Sonhei que acordava Revista Kuruma'tá, 7 de junho de 202028 de julho de 2020 Já com a manhã avançada eu andava pela casa. Morávamos, eu, Raquel e os gatos, num apartamento amplo, num velho prédio. Velho mesmo. Janelas de madeira, abertas, por onde entrava o sol matinal de um inverno. O prédio tinha quatro grandes apartamentos com piso de madeira, um piso antigo, descuidado. Móveis antigos, esparsos pela casa. E gatos. Muitos gatos circulando por ali. De repente me dei conta que não havia telas nas janelas e as portas, todas as portas estavam abertas. [Texto de Toinho Castro] Continue a leitura...
A Erick Bernardes, o chefe da “Cambada”! Revista Kuruma'tá, 2 de junho de 202028 de julho de 2020 Hoje vim apresentar a vocês um escritor fantástico: Erick Bernardes. Natural de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, e para mim o atual bambambã das crônicas. Conheci o Erick de uma forma super inusitada: ele escreveu a primeira crítica literária que recebi na vida, por ocasião da publicação do meu primeiro livro da série literária de resgate cultural dos sonetos, o SonetATO. A opinião dele está gravada para sempre na orelha do livro. Essa eu devo à Autografia Editora, que me publica. [Texto de Eduardo Maciel] Continue a leitura...
A Sonhei com um mar que não era azul Revista Kuruma'tá, 22 de maio de 202028 de julho de 2020 Eu tive um sonho noite passada. Era uma praia de águas esverdeadas. Quase deserta, como se fosse baixa temporada. Permanecia imóvel na faixa de areia, debaixo de um sol inclemente, observando as ondas se avolumando para além da arrebentação. Lá no fundo, havia uma pessoa. Não, não era possível ver o seu rosto. Mas eu sabia quem ela era, certamente. [Texto de Eduardo Frota] Continue a leitura...
A O rei nu Revista Kuruma'tá, 12 de maio de 202011 de março de 2021 Quando eu era criança entrei numa livraria de um shopping na Barra da Tijuca – aquele bairro que fica no Rio de Janeiro, mas que jura que na verdade é uma parte perdida de Miami. Na época a gente morava em Campo Grande, bairro suburbano que não tinha nem filial do McDonald´s que dirá uma loja lotada de contos infantis. Ir à Barra, portanto, era um evento. [Texto de Tássia Hallais Veríssimo] Continue a leitura...