Pin. É como se assina André Egídio. Ainda há pouco também se assinou Egídio Mutamba. A vida são muitas vidas. A vida são muitas assinaturas. Pin é paranaense vivendo em Goiânia. Trabalha com barro, trabalha a cerâmica. Com mãos leves e sensíveis analisa a terra bruta, acaricia o ventre do chão. São poemas e anunciações em caminhada.
Pin. É como se assina André Egídio. Ainda há pouco também se assinou Egídio Mutamba. A vida são muitas vidas. A vida são muitas assinaturas. Pin é paranaense vivendo em Goiânia. Trabalha com barro, trabalha a cerâmica. Com mãos leves e sensíveis analisa a terra bruta, acaricia o ventre do chão. São poemas e anunciações em caminhada.
Pin chega na Kuruma’tá certeiro, com pequenos poemas que são como a Tardis do Doctor Who… maiores por dentro que por fora
Arte de Pin
Eu 1
Eu soube, desde princípio, Que Eu Não chegaria a lugar nenhum
Palavras
Eu não sou muito bom com as palavras Mas sou muito pior sem elas Não vim para este mundo para ter medo de usá-las
Diabo
Andei por toda a cidade Passei por todo tipo de lugar Músicas, festas, buzinas e gritos Mas só escutei falar do diabo quando passei pelas igrejas
Todo mundo quer ser artista
Depois que o acesso às câmeras fotográficas foi “democratizado” todo mundo virou artista, todo mundo quer ser fotógrafo. Isso é ótimo, porque o mundo precisa de mais e mais artistas e menos gente obsessivamente preocupado com cudosotro…
Eu 2
Eu não sou quem você pensa que é Você não é quem eu penso que sou
Chaleira
O que esperar de uma casa sem chaleira? Manhãs monótonas, sem sentido, bucólicas
Sem o amargo bem cevado logo cedo, não tem porque acordar!
Escravocrata
Eu sou doente Sempre tenho que corrigir Aquele amigo que diz Lisboa sua linda Quando é Lisboa sua escravocrata demente! Não é possível separar o passado do presente! Há que se respeitar (h)a gente!
Coisas da vida
Nessa vida podemos admitir muitas coisas Mas coiso, nenhum!
O poço profundo da Península de Kola
Texto de Toinho Castro – Você sabe onde fica a Península de Kola? Não sabe? Pois bem, fica no muito norte do território da Rússia, já depois de ultrapassar o Círculo Polar Ártico. Lá, na tal Península de Kola, estão os restos, o que sobrou, de uma experiência científica comparável, talvez, à conquista do espaço. Trata-se do poço super profundo de Kola.
Você sabe onde fica a Península de Kola? Não sabe? Pois bem, fica no muito norte do território da Rússia, já depois de ultrapassar o Círculo Polar Ártico. Lá, na tal Península de Kola, estão os restos, o que sobrou, de uma experiência científica comparável, talvez, à conquista do espaço. Trata-se do poço super profundo de Kola. Sua perfuração, iniciada em 24 de maio de 1970, pelos soviéticos, alcançou em 1982, a profundidade assombrosa de cerca de 13km, varando a crosta terrestre rumo ao manto. É o poço, dizem, mais profundo já cavado pelo ser humano.
Ainda assim, com toda essa profundidade, digna de filosofias, o projeto não logrou o intento e alcançar o manto, a camada logo abaixo do 40 km da crosta (naquela região), e que se estende até os limites externos do Núcleo. Os anos de esforços não foram suficientes para transpor a barreira das rochas, das altas temperaturas, maiores que o esperado, e dos custos da operação… e também dos mistérios revelados pela jornada terra adentro. Com o fim da União Soviética, em 1991, o projeto foi para o espaço, ou melhor, para o buraco. As instalações foram fechadas e abandonadas, o poço vedado e hoje tudo é ruína.
Há quem o visite lá naquele ermo. Os moradores da região acreditam que quase se alcançou o Inferno. Há quem escute os gritos das almas sofredoras…
Os americanos tiveram a mesma iniciativa e tentaram cavar seu poço no leito do oceano Pacífico, nos anos 1960, com o projeto Mohole. Nas profudenzas dos oceanos há regiões em que a distância a ser percorrida através da Crosta, até o Manto, é bem menor. Mas naqueles tempos as tecnologias de perfuração submarina ainda não haviam surgido e precisaram ser desenvolvidas. O fantasma do alto custo também assombrou as águas do Pacífico. O projeto Mohole acabou por ser cancelado.
Há na Alemanha um outro poço, outra tentativa de desafiar as forças enormes que fundem o chão sobre o qual pisamos, o German Continental Deep Drilling Programme. Lá a artista holandesa Lotte Geeven “mergulhou” um microfone, com proteção térmica, e gravou o ranger de dentes da terra profunda. Seu corpo a contrair-se e dilatar-se. Sua respiração.
Da experiência de Kola hoje restam ruínas, expostas às intempéries e à curiosidade de ousados turistas radicais que alcançam aquela região. Restam seus fantasmas perambulando pelo frio cortante, sem deixar pegadas sobre a neve. Lacrado, o poço guarda, ou esconde, o que não sabemos, o que não conhecemos. O que tememos?
Parece que saíram às pressas. Fugindo de quem? Do quê? Sabemos apenas que jamais retornaram. Sabemos que o que ficou para trás jaz em silêncio e ninguém, em lugar algum, fala sobre o que ali de fato aconteceu. Será que a terra gira, ou se arrasta, em torno do poço profundo de Kola?
Escute a música que fiz inspirado por essas histórias…
Independência Poética: Flora Miguel
Tempo sem cruz, lançado pela Editora Primata – e que ganhou versão de bolso bilíngue (português-espanhol) com tradução do Lucas Gaspar, e a plaquete IRA (outro lançamento Primata), escrita com a Priscila Kerche e a Camila Martins.
Independência Poética é uma série de entrevistas realizadas por LORENA LACERDA
Poeta de hoje: Flora Miguel
Flora Miguel é jornalista, trabalhadora da cultura e poeta. Tem textos esparramados por veículos literários no Brasil, Portugal e México. Estudou dramaturgia na SP Escola de Teatro. Formada no CLIPE (Curso Livre de Preparação de Escritores da Casa das Rosas – São Paulo). Vencedora do VII Festival Manoel de Barros de Poesia e Literatura – Modalidade Concurso Nacional de Poesia Inédita. Assina a canção “Pela Cidade” em parceria com o duo A Transe. Idealizadora, curadora e produtora do evento lítero-musical BRECHA, ao lado da poeta Jeanne Callegari. Autora do livro “tempo sem cruz” (Editora Primata) e da plaquete “IRA” (Editora Primata), escrita com as poetas Camila Martins e Priscila Kerche, lançada na Flip – Festa Literária Internacional de Paraty.
O que te inspirou a começar a escrever?
Quando era criança tinha um personagem de alguma marca, um ratinho meio humanóide, que eu gostava bastante. Fiz um desenho dele e mandei pro endereço postal da marca, e me responderam mandando uma agenda toda acolchoada e colorida e estampando ostensivamente o ratinho que eu gostava. Foi irresistível.
O que você faz quando percebe que está com bloqueio para novas poesias?
Quando dá, viajo. Estar em movimento e em contextos diferentes sempre inspira.
Seu maior sonho como escritor(a)?
Ter mais tempo pra me dedicar a escrever.
Assunto preferido de escrever?
Tive aula com o Dirceu Villa e foi muito importante no meu processo de desenvolvimento poético, e uma vez ele disse que eu conseguia enxergar a sombra no sol do meio dia. Acho que minha escrita tem um pouco desse olhar pros desvios e pro incômodo, é claro que sou tocada pela beleza das coisas mas acho que a treta me marca mais.
Um elogio para sua própria escrita?
Não se levar tão a sério. No fim tem que ser divertido, porque se tá lidando com algo que não tem exatamente razão, serventia nem garantia.
Já publicou algum livro? Quais? Caso não, tem planos?
Tempo sem cruz, lançado pela Editora Primata – e que ganhou versão de bolso bilíngue (português-espanhol) com tradução do Lucas Gaspar, e a plaquete IRA (outro lançamento Primata), escrita com a Priscila Kerche e a Camila Martins.
Quais inspirações do cotidiano despertam sua escrita?
Sonhos, filmes, o noticiário, caminhar pelas ruas das cidades, flanar por aí… Mas principalmente, ler poesia.
Qual dos seus poemas mais te define?
Não sei, vou arriscar bandeiras.
Qual a parte mais fácil e mais difícil da escrita para você?
A mais difícil acho que é lidar com a insegurança, com certa sensação de “eu sou mesmo capaz de fazer isso?”, e a mais fácil é transpor as ideias pra escrita, quando elas chegam. Sempre muito prazeroso.
Qual sua obra favorita de outro autor(a)?
Injusto falar de uma obra só, mas fico com Um útero é do tamanho de um punho, da Angélica Freitas, que é um livraço em muitos sentidos, temática, figura de linguagem, sonoridade, ritmo, método criativo.
Um livro de Flora Miguel
Nome da obra?
IRA.
Quando e em qual editora foi publicada?
Editora Primata, 2023.
Existe um tema central nos seus poemas/poesias? Qual?
Pra escrever esse trabalho a Priscila Kerche, a Camila Martins e eu nos debruçamos sobre o sentimento de ira e como ele pode ser um motor pra ruptura de padrões.
As poesias são divididas em fases nessa obra? Se sim, o que te motivou a fazer isso?
A plaquete é dividida em 3 partes a partir de temas centrais, tendo 3 poemas, um de cada uma das autoras, em cada parte.
O que te incentivou a escrever esse livro?
Quando estudei na Casa das Rosas, onde fiz o Clipe, que é um curso livre de preparação de escritores, conheci a Camis, que estudou comigo, e a Pri, da turma anterior. A gente logo se conectou, como mulheres e como escritoras, e quando a Editora Primata, que já tinha lançado um livro meu, abriu uma chamada para envio de plaquetes originais, convidei as duas pra nos juntarmos na minha casa e pensarmos num trabalho conjunto.
É possível destacar uma poesia que mais se assemelha a seu cotidiano?
Tem um poema, que fecha IRA, chamado inscrição, que esconde uns segredos cotidianos.
A sequência dos poemas conta alguma história?
Acho que primeiro falamos da violação do corpo da mulher, depois de sua privação, e por fim do seu caráter rebelde, insurgente.
Existe algum posicionamento político ou cultural na obra?
Tão político e cultural quanto tudo aquilo que não é natural/da natureza mas é fruto da ação humana e pretende fomentar algum tipo de deslocamento do olhar e do pensamento.
Qual a relevância dos personagens implícitos/explícitos da obra?
São personagens da vida real e essa é a maior relevância deles. A suicida que sobre violência hospitalar, uma criança tentando realizar um aborto, a menina com fome no centro da cidade, todas baseadas em histórias verdadeiras.
Qual a poesia mais marcante desse livro?
Grazielle, da Priscila Kerche, que é assim:
dois dedos de homem abriam caminho entre seus lábios quando voltou do próprio suicídio
esteve em coma chamaram o procedimento higiene íntima
morreu de novo enquanto se debatia quatro enfermeiros a tinham o segurança do hospital agarrou seu peito disseram que era preciso conter o grito conter a mente da louca dentro da boca impedir
a palavra liberdade.
O banzo e os afetos de Terezinha Malaquias
Muitas vezes, enquanto estou fazendo o jantar, eu observo da janela da minha cozinha um casal de vizinhos do sétimo andar, e sempre vejo os dois caminhando de mãos dadas. Isso me lembra os meus pais, eles caminharam juntos e de mãos dadas por quase cinquenta e três anos.
Hoje de manhã, bem cedinho, encontrei esses vizinhos no supermercado, que ca a cerca de um quilômetro do nosso prédio; eles empurravam um carrinho de compras. Quando me viram na entrada do estabelecimento, me cumprimentaram sorridentes e festivos. Depois nos encontramos novamente nas bancas de verduras, legumes e frutas. Assim como eu, eles vão e voltam sempre a pé.
Ela tem 88 anos e ele tem 92. Ela é alemã e ele, polonês.”
Você acabou de ler um trecho de Banzo e afetos (Páginas Editora, 2023), novo livro de Terezinha Malaquias, sobre a experiência da escritora, que vive atualmente na Alemanha, durante o peso e a dor da pandemia.
A palavra Banzo, termo com que pessoas escravizadas no Brasil se referiam ao sentimento de falta do seu lugar de origem, é uma palavra poderosa. Aprendi com minha mãe, que a evocava de saudades de sua cidade natal. Até hoje falo banzo… penso muito em palavras que são, em si, um poema. Banzo é uma dessas palavras. Carrego como amuleto.
Banzo e afeto, como diz o título do livro, atravessam suas páginas. É uma escrita simples, amorosa e direta. A intenção é lembrar ao leitor que a beleza e a felicidade podem estar, por exemplo, em contemplar o nascer ou o pôr do sol, numa xícara de café ou chá com quem amamos, ou ainda receita da avó que segue sendo passada em frente a gerações”, explica a autora.
“O começo da pandemia me fez refletir muito sobre a vida. O processo foi mudando aos poucos. Teve dias que escrevi todos os dias, em outros dias não conseguia escrever, porque a dor e a preocupação eram grandes demais”, relembra. “Escrevo também como um processo de cura para mim e para o coletivo”.
As seções do livro, crônicas, contos e poemas, atravessam as dimensões do pessoal e do coletivo, sob o contexto pandêmico em que o mundo mergulhou.
Além de “Banzo e Afetos”, Malaquias também é autora dos livros “Do Jeito da Gente” (2021), com edições bilíngues Portugues-Alemão e Português-Inglês e “Menina Coco” (2018), em Português-Alemão — ambos títulos voltados ao público infantil —; além de “Teodoro” (2021), “Modelo Vivo” (2005) e outras obras e coletâneas publicadas em que é co-autora.
Gente, que livro maravilhoso de ler é o Verdes vales do fim do mundo, do dramaturgo Antonio Bivar! E não, não se trata de uma peça, mas um registro em prosa da temporada de Bivar, numa espécie de auto exílio na Londres dos Seventies, por um ano e uma semana, de 1970 a 1971, no que o autor classificou como o ano mais feliz da minha vida desde os 15 anos de idade.
O livro foi publicado pela primeira vez na primavera de 1984, pela LP&M, na incrível coleção Olho da rua. Foi mais ou menos nessa época que li o livro, movido por outros tantos livros que falavam da contracultura e temas afins. Uma viagem ao velho mundo, como aquela que empreendera Bivar, era tudo que eu sonhava. Mas nasci meio tarde pra isso. Aquele mundo da psicodelia, da Paz e do Amor, das grandes bandas e grandes shows, de Janis e Hendrix, estava se transformando num outro mundo. O mundo que eu habitaria.
Verdes vales do fim do mundo nos carrega com Bivar pelas ruas de Londres, Salisbury, Ilha de Wight, Picadilly, Stonehenge e outros tantos nomes que encantam nosso imaginário desde a velha GRã-Bretanha. São apartamentos, pensões, hotéis baratos, festas, celebridades. São encontros, afetos, dúvidas e anseios. E aquele olhar terno, saudoso, preocupado com o Brasil. Pelas páginas do livro passam tantas figuras, anônimas e famosas, que é impossível não ficar fascinado pela diversidade humana que desfila diante dos nossos olhos. Lá estão Caetano e Gil, também no exílio forçado pela ditadura que sangrava o Brasil, Antonio Abujamra, o também dramaturgo José Vicente (E que linda a amizade desses dois…), e Rory, Naná,Jody, Caroline… Pessoas se esbarrando no mundo. Encruzilhada (Exu no comando!) de muitas vidas, muitos caminhos e descaminhos e alentos.
Depois que passou todo mundo, comecei a refletir sobre o sentido exato da palavra solidão. Olhei para um relógio de rua e vi que faltavam dois minutos para a meia-noite. Experimentei um bem-estar, uma sensação muito agradável… Não me senti nem um pouco só. Me senti inteiro, livre e em paz.
Um livro de liberdades, em que uma prosa e um cotidianos cheios de poesia e descobertas se desenha ao longo da nossa leitura. E tudo que queremos é fazer parte daquele mundo, adentrar os portões de Avalon e encontrar Bivar.
Antonio Bivar, Antonio como eu e meu pai, diretor, produtor musical, dramaturgo, roteirista compositor, biógrafo, jornalista, escritor, tradutor e ator. Morreu em 5 de julho de 2020, em decorrência da Covid, aos 81 anos. Que perda enorme.
Nas últimas semanas reli Verdes vales (agora numa edição pocket, ainda com o selo da querida LP&M) , depois de mais de 30 anos, e o Antonio Bivar, que encontro nessas páginas, ainda é o Bivar que quero conhecer, com quem quero sentar em algum banco que possa existir no Hyde Park ou num boteco de Ipanema, para conversar e sorrir e falar de quando éramos assim, cheios de tantos sonhos. Que a nossa sorte é que os sonhos não nos abandonam. Pra dizer a ele que são lindas as páginas que ele escreveu. Que são simples e que são lindas, como se deve ser.
ANTONIO BIVAR [Foto: Tika Tiritilli / Divulgação]
Que pena que Bivar morreu. Quanta gente boa a Covid nos levou. Quanta morte desnecessária. Então, Verdes vales do fim do mundo torna-se um livro necessário, cheio de vida que ele é. Cheio de vida que era Bivar, com um sorriso aberto e belo (vi nas fotos!). Saudade de Bivar sem mesmo conhecê-lo, só porque viveu o que eu quis viver e não deu. E eu estava justamente pensando nisso, que a riqueza da literatura e viver o que quer que seja pelas palavras de outro alguém. Que toda vivência humana é, necessariamente, compartilhada.
Li nas páginas de John Cage um dito de Buckminster Fuller: Se um ser humano passa fome, toda raça humana passa fome. Creio que isso vale para tudo. Bivar foi a Londres, viveu o que viveu e vivemos com ele.
Obrigado, Antonio Bivar. Que triste você ter morrido tão jovem, aos 81 anos.
E como tudo que é bom pode durar mais um pouco, vou agora enveredar pelas páginas de Longe daqui aqui mesmo, espécie de segundo volume das aventuras de Bivar no velho mundo (sem nunca perder o fio de prata com o Brasil!). Publicado em 2006, o livro atende ao anseio de muita gente que ficou órfão na última página de Verdes vales.
Ambos os livros tem o preço generoso dos pockets da LP&M e valem a ida a uma livraria ou, ainda melhor, um bom sebo (inclusive na Estante Virtual)!
Maria Bethânia em texto de Antonio Bivar, A trapezista do circo, no disco ao vivo Drama 3º ato, de 1973
Se liga na Raissa Araújo!
“O Ep Amarelo chega para falarmos de amor!!”
Raissa Araújo, baiana, cantora e compositora, começa a se apresentar em bares em 2017. Em 2018 participa do The Voice Brasil no time de Lulu Santos. Em 2021 lança seu primeiro Ep “Luz Azul”, 2023 lança o single “Me Deixa” e agora será lançado o Ep “Amarelo”, no qual a faixa Amarelo é uma canção de amor, composta por Raissa. Gravada no Estúdio Beco do Groove e Estúdio Cromo, conta com nomes como Denner Souza, Roberto Cândido, Luciano da Silva e a participação especial de Nairo Elo na Bateria.
Sobre seu novo Ep.
O Ep Amarelo chega para falarmos de amor!!! Assista o VISUALIZER!
AMARELO
Intérprete: Raissa Araújo Composição: Violões, guitarra, cavaquinho, baixo, teclados e Programações: Denner Souza Vocais, Violão e Baixo: Cândido Percussão (congas, moringa e efeitos): Luciano Arranjos: Denner Souza Produção Musical: Denner Souza, Cândido e Raissa Araújo Edição, Mix e Master: Cândido Participações especiais: Nairo Elo – Bateria
FICHA TÉCNICA VISUALIZER Filmaker: Diogo Florez Diretora de Arte: Bianca Rocha Finalização e montagem: LinkCult Assessoria de comunicação/ designer: LinkCult Produção: Raissa Araújo Casal: Raissa Araújo e Luciano
Passando pela minha terra, onde nasci pequenininha, e claro que cantarei ! Portanto, quinta dia 6 de julho tem Raissarau no @oportalbar com convidadx incríveis e para ser mágico conto com a presença de todos vocês. Para esta edição teremos a regência poética do meu muso @_lucasdematos , a participação de @ocantodasereiapreta e as cantoras deusas e poderosas diretamente do Rio de Janeiro, @simone_faitu e @patchamora2 .
Yaba mandou , a gente obedece e agradece.
A Lenda da Sereia Katuapó, pelo Mestre Tinga das Gerais
Mestre Tinga das Gerais é ator, cantor, compositor e poeta, natural de Corinto, centro geográfico de Minas Gerais.
Mestre Tinga – Fonte da foto: Blog Preta Joia
Mestre Tinga das Gerais é ator, cantor, compositor e poeta, natural de Corinto, centro geográfico de Minas Gerais.
O Vento que viaja lá nas barrancas do Rio das Velhas, conta a lenda da Sereia Katuapó ao Raimundo do Bento.
Ela é metade índia e a outra metade, peixe. Loira, olhos verdes e tem os cabelos longos que carregam uma enorme pena de Arara e gosta de se perfumar com as flores do cerrado. Carrega um espelho, onde fica a contemplar a sua beleza. Se quiser ver o lindo sorriso da Sereia Katuapó é presenteá-la com as flores do cerrado.
Nas noites de lua cheia, pontualmente à meia-noite, as águas dos rios silenciam e nas grandes pedras das barrancas a Sereia Katuapó pode aparecer com seu canto, encanto e magia.
Os pescadores se embriagam com aquela melodia tão linda que até as estrelas saltitam no firmamento.
Sabendo desta lenda, o Raimundo do Bento saiu no final da tarde a colher belas flores de Ipê e flores de Alecrim do campo, para presentear a bela Sereia Katuapó.
Em silêncio ele prepara a tarrafa, a rede, confere o remo e dentro dele a esperança de encontrar aquela Sereia tão linda que o vento dissera. Ele ergue os olhos aos céus, e a tarde indo embora sem pressa é presságio de uma noite de mistérios e desejos daquele que quer desvendar um enigma às margens do glorioso Rio das Velhas. Alguns pescadores retornando das suas sagas,notava-se que pelas remadas o cansaço imperava, mas, era mais um dia de busca pela sobrevivência.
Anoiteceu e o Raimundo do Bento vendo que já aproximara a meia-noite, saiu para a pescaria a qual ele fazia com gosto e também para realizar um desejo e poder contar mais uma história em suas andanças e paragens.
Num passe de mágica, o vento se assanha e o redemoinho na noite fica iluminado, as estrelas bailavam na imensidão, a lua faceira se apresenta em suas quatro fases, as águas do rio paralisaram e nas corredeiras se transformaram num espelho e dele exala um perfume indecifrável que alastra nas barrancas do Rio das Velhas e faz girar a canoa do Raimundo do Bento.
De repente, tudo para e ele sentiu o silêncio profundo à sua volta e num clarão sobre a pedra, lá estava a Sereia katuapó, linda e maravilhosa, espelho na mão, cantando em baixo tom. Ele se aproximou da pedra e a presenteou com as belas flores. O sorriso brotou na face da Sereia para a felicidade de Raimundo do Bento. De repente aquele alvoroço e o encantamento fizeram com que num passe de mágica a Sereia Katuapó – com seu belo canto – os peixes saltarem para dentro da canoa do Raimundo do Bento.
Ali embriagado de alegria e vendo aquela fartura de peixes, Raimundo do Bento agradece:
— Ó minha Sereia! Muitio agardicido! Agora eu tenho alimentação em abundança!
Ela com aquele belo sorriso:
— Ó meu Senhor! Não há de quê! Trouxeste para mim as mais belas flores do cerrado! Agradecida! Vá! Quando precisar de mim é só me chamar, Eu sou a Sereia Katuapó e sempre estarei contigo neste rio.
Ele saiu rio acima e depois de algumas remadas, olha para trás e não mais viu a Sereia katuapó que mergulhou nas profundezas e foi contar a história aos peixinhos.
Trêmulo, o Raimundo do Bento volta para casa numa felicidade incontida e ao longe a mulher e os filhos a espera daquela alimentação.
E a Benedita:
— Nossa home! Dadonde ocê rumô tanto pêxe? Que fartura!
E ele calmamente olhando para o rio:
— Segredo do rio muié! Segredo do rio!
Pela manhã, os Socós, os Biguás, as Garças e toda a passarada, exibiram um cântico exuberante que mais parecia uma orquestra, aos olhos da aurora boreal, com a magia criada por Deus.
Em suas andanças ele conta esta história e à sua volta o silêncio de mulheres, homens e crianças, que atentamente ouvem aquele que com muita maestria colheu as flores no cerrado para ofertar à bela Sereia Katuapó.
E você? Vai pescar hoje?
Vá ao cerrado e colha algumas flores…quem sabe você se encontra com a Sereia Katuapó!
Inté!
Da costela do impossível — Livro de Marcela Alves
Da costela do impossível é o livro de estreia da psicóloga (e poeta!) Marcela Alves, que nos chega como dica no nosso inbox mágico! Mesclando dor e beleza, luz e sombra, amor, perda e o tempo.
Da costela do impossível é o livro de estreia da psicóloga (e poeta!) Marcela Alves, que nos chega como dica no nosso inbox mágico! Mesclando dor e beleza, luz e sombra, amor, perda e o tempo.
Da costela do impossível é é uma edição da editora Urutau!
CONFIRA!
“Essas são minhas obsessões, meu espinho na carne”
— Marcela Alves
“Ler Da costela do impossível é buscar compreender melhor o alcance de um instante e essa reflexão surge impondo que a gente abrace o não-entendimento racional daquilo que chamamos de vida, calendário, entendimento, prazo, fim. Não basta partir de uma razão cartesiana para ler poesia, para pensar na percepção da experiência é preciso espanto, comoção, assombro, alguma magia.” — Thaís Campolina, em resenha sobre o livro em seu blog.
Da pertença
quando nasci o amor garantiu que fôssemos eu e a realidade uma coisa só permitiu que criasse o mundo abrigasse tudo a sorte de pedir e ter
quando descobri que não sou deus e que nada me deve a vida eu caí em mim e aquele amor primeiro me livrou da queda infinita
o destino do colo é virar chão o destino do homem é abrigar outro homem: bicho apanhador de horizonte entre uma queda e outra
Membro da Academia de Letras e Artes de Silvânia (ALAHS). Em 2020, fundou o Coletivo NuaPalavra, um grupo virtual de escritores de todo o país. Sua última publicicação foi o livro “Entre Nuvens e Voos” (poesia) em 2021.
Independência Poética é uma série de entrevistas realizadas por LORENA LACERDA
Poeta de hoje: Thiago Vieira
Thiago Vieira é poeta, professor de inglês e português. Reside em Leopoldo de Bulhões-GO, sua cidade natal. Em 2016, lançou “Poética das Águas”, primeiro livro de poemas. É membro da Academia de Letras e Artes de Silvânia (ALAHS). Em 2020, fundou o Coletivo NuaPalavra, um grupo virtual de escritores de todo o país. Sua última publicicação foi o livro “Entre Nuvens e Voos” (poesia) em 2021. No Instagram, Thiago realiza entrevistas, saraus e concursos de poesia divulgando poetas e suas obras.
O que te inspirou a começar a escrever?
A minha escrita nasceu a partir de duas circunstâncias. A primeira foi o resultado do início de um processo terapêutico em 2015. Minha terapeuta da época, também poeta, usava a escrita como ferramenta para lidar com suas questões. A segunda foi a influência de duas professores minhas do curso de graduação em Letras da PUC-GO, Rita de Cássia e Divina Paiva, ambas poetas. Enquanto eu sofria com o fato de mexer em traumas e feridas emocionais, eu li os poemas destas poetas-professoras e me inspirava neles para escrever meus próprios versos. Eu achava incrível que através da linguagem poética era possível dar explicar sentimentos e vivências tão íntimas de uma maneira tão bonita e singular.
O que você faz quando percebe que está com bloqueio para novas poesias?
Olha! Antes eu sofria com isso. Hoje, eu não sofro mais. Mentira. Sofro sim. Risadas. Porém, eu deixei de me importar tanto com o bloqueio pois sei que na hora certa o poema nascerá. Geralmente, o poema vem quando tenho uma necessidade imensa de dizer algo de modo mais elaborado e catártico. E assim meu poema vem como uma flecha do meu interior que vem depressa para acertar o alvo, o caderno (neste caso).
Seu maior sonho como escritor(a)?
Meu maior sonho era ser reconhecido pela poesia e poder sobreviver dele. No entanto, preciso confessar que existem muitos poetas bons que escrevem mil vezes melhor do que eu. Penso que primeiro preciso investir mais em cursos de escrita poética, ter o acompanhamento de poetas de longa estrada e amadurecer minha escrita. Felizmente, acho que tocar meus alunos e poder influenciá-los a escrever é mais realista do que ganhar um grande prêmio. Incentivando-os a ler (o que é uma grande tarefa) já me deixa mais realizado.
Assunto preferido de escrever?
Acho difícil demais lidar com as frustações da existência humana. Vivemos numa época marcada por tanta ostentação, reforçamento de um padrão de beleza e importância de status, dinheiro poder. Mas fala-se pouco sobre como é complicada existir e como pode ser doloroso respirar e morar neste mundo. Pra mim, falar de momentos desesperançosos (e também esperançosos porque preciso também da esperança) faz mais sentido.
Um elogio para sua própria escrita?
Ás vezes, nascem de mim algumas poemas tão originais que me assusto. São raros mas eles veem. Risadas.
Já publicou algum livro? Quais? Caso não, tem planos?
Já. Publiquei Poética das Águas em 2016 e Entre Nuvens em Voos em 2021. O primeiro não está disponível mais para vendas. E o segundo pode ser encontrado no site da Amazon tanto na versão física quanto online. Neste ano, quero lançar outro. Tenho trabalhado nele mas preciso me organizar mais para certeza de que quero lançá-lo mesmo.
Quais inspirações do cotidiano despertam sua escrita?
Terapia, terapia e terapia. Hahaha. Eu já disse terapia, né? A terapia me provoca mexe comigo e partir daquele contexto escrevo alguns poemas bem interessantes. Não só a terapia me influencia, mas também a contemplação da natureza, a leitura de poesia de outros autores, algum acontecimento marcante, dentre outros.
Qual dos seus poemas mais te define?
Pergunta difícil. Acho que não existe um que define pois cada época pareço escrever de um modo que explica aquela época, entende? Mas acho que um dos primeiros poemas que fiz me explica melhor: “Um pássaro na gaiola/sempre espera a hora/ de ir embora”. Sou este pássaro que quer ir embora. O céu é meu lugar.
Qual a parte mais fácil e mais difícil da escrita para você?
Mais fácil é simplesmente escrever. Mais difícil é reescrever, julgar sua escrita, buscar cursos de aperfeiçoamento e não amar tanto o se escreve. Acredito que o poema precisa tocar as pessoas. É bom escrever para mim porém quero quer lido e quero que as pessoas se identifique com que eu escrevo. No processo de escrita, nem sempre é possível ser tão claro ou poético quanto ao que se quer dizer. Noto isso bastante em mim. Muitas vezes não consigo expressar o quer quero dizer e parece que o desfecho do poema não apresenta muita coerência e coesão.
Qual sua obra favorita de outro autor(a)?
Gosto muito da poesia de Orides Fontela. Ela é concisa e objetiva, mas marca profundamente. Acho que a escrita da poesia precisa ser assim.
Um livro de Thiago Vieira
Nome da obra?
Entre Nuvens e Voos.
Quando e em qual editora foi publicada?
Foi publicada em 2021.
Existe um tema central nos seus poemas/poesias? Qual?
A busca por liberdade, a força do sonho, o encontro da imaginação e a beleza da fantasia. O livro também mostra um pouco da inocência infantil e tem temas existenciais e reflexivos.
As poesias são divididas em fases nessa obra? Se sim, o que te motivou a fazer isso?
Não. Tenho dificuldade em dividir poemas e a fazer uma leitura mais global dos temas gerais das minhas obras.
O que te incentivou a escrever esse livro?
Este livro nasceu primeiro com um poema. Depois, com outro. Outro poema. E outro poema. E assim foi. Percebi que eles se relacionam com palavras como “nuvem, voo, ave” e assim entendi que havia uma unidade de sentido entre boa parte dos poemas.
É possível destacar uma poesia que mais se assemelha a seu cotidiano?
COMO COMPORTAR O COMPORTAMENTO Thiago Vieira
Incomodam-se com meu jeito. Pediram-me para eu mudar.
E eu? Será que mudo? Mudo. Ficarei mudo.
Ouvirei a voz do meu silêncio, ensinando-me a me amar.
Sentirei as mãos do vento, levando meus pés no ar.
Existe algum posicionamento político ou cultural na obra?
Político, raramente. Me interessam mais os temas ligados a existência do sujeito e conflito de existir e lidar consigo mesmo e com as demandas ao outro. Também me interessam a contemplação das belezas criadas por Deus. Um assunto que gosto de escrever é sobre a educação, alunos, professores pelo fato de eu ser professor e entender a problemática da escola pública atual.
Qual a poesia mais marcante desse livro?
Há um poema que é bem divertido. Gostaria de compartilhá-lo:
REFLEXÕES DE UMA MULA SEM CABEÇA Thiago Vieira
A mula sem cabeça anda pensando: “Como seria minha vida com uma cabeça:”? Então, bem alto, a mula grita: “Cadê a minha a boca?”
Poemas de Rafaela Valverde
Hoje na Kuruma’tá mais poesia que chegou no nosso inbox mágico! Dessa vez da soteropolitana Rafaela Valverde. Seja bem-vinda, Rafaela, ao mundo Kuruma’tá… falando para o mundo!!
Hoje na Kuruma’tá mais poesia que chegou no nosso inbox mágico! Dessa vez da soteropolitana Rafaela Valverde. Seja bem-vinda, Rafaela, ao mundo Kuruma’tá… falando para o mundo!!
Rafaela Valverde é escritora e poeta, sou nascida e criada em Salvador-Bahia, onde sempre morei, estudo Letras na Universidade Federal da Bahia, tem um blog e um livro publicado, ambos chamados Coisas e Casos Feitos e Fatos.
Trabalhadorescos
Pessoas andam rápido Saem do sufoco e vão para o que acham plácido Mergulham na teia dos seus inúteis afazeres De manhã, mingau de aveia A fim de sustentar pseudoprazeres De quem acha que trabalha pra lucrar Mas o contrário acontece Trabalham para cansar Suor na testa E encarece Todo ano, o que tiver de comprar Mas, não lembram que debaixo do sol e do céu tudo é desimportante Não há pressa que adiante Sempre haverá o que nos adoeça Com a desculpa de ganhar Uma nesga de futuro brilhante…
Sentires aguerridos
Sinto tanto Tanto que um tanto não basta Sinto que é uma hora nefasta Pra se desabar de paixão E a solidão não deixa barato Arsenal de carência e muitos artefatos Para bancar a que nada sente, mas ainda assim sabe que sente
Sinto tanto Que um dia não é suficiente Necessária uma imensidão Para dar conta de todo meu sentir Tento reagir Mas saio do meu corpo e fico olhando pra mim Olhando de fora sei que não é o fim Ora, nada mais acaba até que a paixão se esgote Até que o sentir se esvaia Até que nada mais importe . Sinto tanto E ainda assim preciso que saia De mim todos esses sentires Que até hoje se enraízam em meu corpo Tomam conta de mim Tanto que um instante não basta
Sinto tanto Que transborda em mim como um poço De miraculosos horrores Causados por apaixonamentos infantis Sim, daqueles que surgem e nunca mais se vão Fincados estão, daqui não saem mais
Sinto tanto Que nem sinto mais necessidade de fazer rimas Ora, o poema que seja livre Com seus versos e encantamentos Ao contrário de mim Que presa estou em tudo o que sinto.
Seu jardim
Me jogo em seu cabelo, ensimesmada Entranhada em você, saio de mim Vácuos me arrancam da jogada E me tiram desse jardim
Que é olhar pra você E sentir a dura delicadeza da sua pele Tento não dizer Peço em silêncio que meu peito não congele
E sim aqueça E de amor não pereça Não quero falar Mas quase escapa da minha garganta
Que quero me entranhar Não mais em mim Em você, Cabelo e pele
Mas guardo pra mim Imploro que meus olhos não revelem Que quero estar entre as suas flores Não mais correr do jardim
Jogo-me em você, desesperada Porque o medo me impede De sair de mim e mergulhar em você.
Vidanosa
O que há de vir É o que todos pensam que é bom Nem sempre vai fluir E nem vai melhorar o tom Da vida que a gente leva Que é pesada E se entreva Oh, vida fracassada! Oh, tempos sombrios! Que a gente espera que um dia sejam macios Para não dar em nossa cara com tanta força Oh, lamento insano Que não leva a nada! E ainda querem que a gente torça Mas é apenas um engano Uma vida estagnada Que pensa que é alguma coisa Diante daquilo que sabemos que não é O que há de vir é incerto E segura meu pé Lança-me a uma suja pia de louça E a um poço aberto
E lá me jogo pra nunca mais sair!
Quase todos os dias
Quase todos os dias recebo notícias ruins Minha casa já é quase uma caixa de fossa Daquelas que quando abre cheira mal Notícias malcheirosasduramentedecepcionantes Que vêm dia após dia Semana após semana Com más novas fedidas e afins A fim de me fazer balançar e me destituir de sonhar Aí eu penso deve ser normal Todo mundo vive assim “Minha nossa!” Não é que ainda me surpreendo com mais uma Uma news que chegou aqui E não é fake Deixo isso para as ciências políticas imorais Quase todos os dias acho que pode ser diferente Novas circunstâncias virão Penso inutilmente Não dá mais para sair dessa caixa escura e fedorenta que virou minha casa Minha mente E minha vida. Quase todos os dias finjo que tenho outra vida Mais serena Menos cansada Fazendo cena Como aquelas de atrizes globais talentosas que fingem que a vida é um poço de águas tranquilas Quase todos os dias eu me iludo Quase todos os dias recebo notícias ruins E fico pensando quando isso vai mudar
Di-versos
Di-verso Em verso O inverso dos ponteiros só mostra Que o tempo não vai esperar você. Decida, E incida Em minha alma que te quer Dia e noite. Cônscia de sua grandeza Mas, ainda assim Lotada de amor Di-versos De bem querer E universos de você.